Flybondi transporta apenas 1,8 mil passageiros em agosto e acumula novos problemas trabalhistas
Operação doméstica da aérea argentina caiu 99,3% em um ano, segundo dados da ANAC

A crise da Flybondi ganhou novos contornos neste mês de setembro, com os dados de tráfego aéreo de agosto mostrando a dimensão da redução da operação da companhia e novos relatos de ex-funcionários sobre pagamentos pendentes.
A low cost argentina transportou apenas 1.865 passageiros em voos domésticos no mês passado, contra 254.533 em agosto de 2025, segundo dados da Anac (Administración Nacional de Aviación Civil) Argentina.
O número representa uma redução de 99,3% na quantidade de passageiros transportados pela companhia em um ano. Com isso, a participação da Flybondi no mercado doméstico argentino caiu de 17% para 0,1%.
Os dados foram destacados pelo portal argentino LA17. O levantamento mostra ainda que a queda da Flybondi ocorreu em um momento de retração do mercado doméstico como um todo, que perdeu 115.542 passageiros em agosto na comparação anual. No acumulado de janeiro a agosto, a cabotagem argentina somou 10,66 milhões de passageiros, 6% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
No Brasil, a Anac ampliou a restrição à venda de passagens da Flybondi no Brasil e suspendeu também novos bilhetes para a rota Buenos Aires–Rio de Janeiro/Galeão, após considerar insuficientes as medidas apresentadas pela companhia para garantir a regularidade das operações e o atendimento aos passageiros.
Espaço deixado pela Flybondi
A redução da operação da Flybondi abriu espaço para outras empresas, mas não foi suficiente para evitar a retração do mercado doméstico.
Em agosto, a Aerolíneas Argentinas transportou 930.736 passageiros de cabotagem, 75.395 a mais que no mesmo mês de 2025. A companhia passou a concentrar 67% do mercado. A JetSmart também cresceu, chegando a 410.120 passageiros, 55.230 a mais que no ano anterior, e elevando sua participação para 29%.
A expansão das concorrentes, porém, absorveu apenas parte do volume perdido pela Flybondi. A companhia deixou de transportar mais de 252 mil passageiros domésticos em agosto na comparação anual.
Enquanto o mercado doméstico recuou, o internacional apresentou comportamento oposto. Em agosto, 1,34 milhão de passageiros viajaram ao exterior a partir da Argentina, alta de 2% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos oito primeiros meses, foram 11,69 milhões, crescimento de 11% e o maior volume registrado para o período.
Ex-funcionários cobram pagamentos
A situação operacional se soma agora a um novo foco de reclamações envolvendo antigos funcionários. Em reportagem publicada na Argentina, o portal Degremiales relatou que centenas de ex-trabalhadores da Flybondi denunciam atrasos no pagamento de indenizações e de acordos de desligamento voluntário firmados meses atrás.
Segundo o veículo, os compromissos teriam sido formalizados desde março por meio de acordos certificados em cartório, mas os pagamentos previstos ainda não teriam sido realizados. Os ex-funcionários também afirmam não receber informações precisas sobre as datas para quitação dos valores.
O conflito ocorre em paralelo à interrupção das operações da companhia. Segundo informações publicadas pelo La Nacion, a Flybondi não realiza voos desde 6 de agosto, depois de meses de cancelamentos e redução da oferta.
A companhia também enfrenta cobranças financeiras. Em agosto, a Justiça argentina determinou o embargo de suas contas por uma dívida de cerca de 1,525 bilhão de pesos com a Arca (Agencia de Recaudación y Control Aduanero), segundo o jornal argentino. Em setembro, a Anac também obteve o embargo das contas por dívidas relacionadas a taxas de segurança aeroportuária.