Latam redesenha malha para crescer com rotas inéditas e novo mix de aeronaves
Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing, afirma que a expansão da Latam tem três frentes principais

A expansão da Latam Brasil com os novos Embraer E195-E2 representa apenas parte de um movimento mais amplo de transformação da malha doméstica. A companhia trabalha não apenas na abertura de novos destinos regionais, mas também na criação de ligações diretas, aumento de frequências e adequação do tamanho das aeronaves à demanda de cada mercado.
Em entrevista ao Portal PANROTAS, Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil, explicou que a estratégia busca aproveitar melhor a densidade existente na malha e, ao mesmo tempo, levar a companhia a mercados que antes não comportavam a operação de aeronaves maiores.
“Nossa vontade de crescer, nossa capacidade de crescer, ela não é da chegada do Embraer. O Embraer é uma ferramenta que potencializa uma estratégia que já estava sendo executada e que já tinha uma estabilidade, um sucesso por trás”
Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil
A diretora lembra que a companhia passou de 59 destinos domésticos há dois anos para 63 em 2026 e agora avança para 67. O movimento, portanto, não começou com o E195-E2, mas ganha novas possibilidades com uma aeronave capaz de atender mercados e demandas diferentes dentro da rede.

Isto porque a expansão da Latam tem três frentes principais. A primeira é chegar a novos mercados. A segunda envolve novas ligações diretas entre cidades que já fazem parte da rede. E a terceira está relacionada ao ajuste da capacidade oferecida em cada horário e mercado. “A beleza da arquitetura da malha vai muito além de novas cidades", complementou Aline Mafra.
Na prática, a companhia pretende evitar uma lógica na qual todos os horários de uma mesma rota sejam operados com a mesma aeronave. Mercados de alta densidade podem receber aviões maiores nos horários de maior procura e equipamentos menores em períodos de menor demanda.
É o caso de São Paulo–Recife como exemplo. Em uma rota com grande volume de passageiros, a companhia pode manter aeronaves de maior capacidade em horários de pico e utilizar um equipamento menor em outros momentos. “Será que todos os horários a gente precisa de um A321? Ou o A321 de manhã, à noite, no horário do hub e, no horário que não seja do hub, um avião menor?”, indagou Aline.
Regional conectada ao Brasil e ao Exterior

A expansão regional será uma grande alimentadora da rede da Latam, já que cidades menores poderão acessar os principais hubs e, a partir deles, seguir para outros destinos domésticos e internacionais. Esse é um dos motivos pelos quais Aline afirma ter uma visão mais ampla sobre o projeto do E195-E2.
O avião permite à companhia chegar a mercados menores sem necessariamente transformar cada nova operação em uma rota isolada, passando a fazer parte de uma arquitetura em que diferentes tamanhos de equipamento podem cumprir funções distintas: abrir mercados, alimentar hubs, criar ligações ou aumentar frequências.
“Então a arquitetura da malha vai muito além de abrir novas cidades. Abrir novas cidades é parte da nossa estratégia, mas fazer um bom uso dessa densidade é tão importante quanto”
Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil
No internacional, conectividade já é chave para o sucesso

Por outro lado, a expansão internacional da Latam Brasil entrou em uma nova fase de resultados positivos. Para Aline, um dos principais exemplos é a operação entre Guarulhos e Los Angeles, rota que chegou a ser questionada pelo mercado antes mesmo de seu lançamento, mas encontrou apoio na conectividade oferecida pela parceria com a Delta Air Lines.
“Para mim, no caso de Los Angeles, o sucesso é, sim, a conectividade", disse Aline, ao citar o comportamento do passageiro nos EUA que acaba sendo diferente daquele observado em mercados europeus. Enquanto a Europa possui uma extensa rede ferroviária, distância entre os principais destinos norte-americanos torna a conectividade aérea um fator ainda mais relevante.
Nesse cenário, Los Angeles ganhou importância dentro da estratégia da Latam justamente por funcionar como uma porta de entrada para diferentes destinos nos EUA a partir da conexão com a malha da Delta.
“A gente tinha um grande destino, e ali o sucesso foi a conectividade da Delta e o ajuste de horário que a gente fez. Podíamos voltar de lá às 7 da manhã. A gente espera até a hora do almoço para dar tempo dessa alimentação da Delta, e o voo performa muito bem”
Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam Brasil

Se Los Angeles encontrou sua força principalmente na conectividade dentro dos Estados Unidos, a estratégia para a Europa parte de outra lógica. De acordo com Aline, a companhia trabalha com estudos de mercado e uma visão mais ampla da indústria antes de definir a estrutura de suas operações.
É nesse contexto que entram destinos como Bruxelas e Amsterdã, que, segundo a executiva, não devem ser analisados isoladamente. "As rotas fazem parte de uma rede na qual diferentes operações podem se complementar e ampliar as possibilidades de viagem. Na Europa tem muito estudo por trás. É uma indústria mapeada”, complementou ela, ao justificar a investida em Bruxelas.
Apesar das dúvidas que surgiram em torno de algumas apostas internacionais da companhia, Aline afirma que o cenário atual é positivo. “Internacional vem bem muito forte, vem performando muito bem”, resumiu.