O que a compra de 44,5% da Tap pelo Grupo Lufthansa representará para aviação europeia?
Tap proporciona ao grupo uma ponte para a América Latina, mais especificamente para o Brasil

Um dos processos de privatização de companhias aéreas mais longos da história chegou ao fim, com o Grupo Lufthansa emergindo como o proponente preferencial para a aquisição de uma participação na Tap. A oferta em dinheiro foi de 1,2 bilhão de euros por uma fatia minoritária de 44,9% da companhia aérea.
O preço pode parecer elevado para uma participação minoritária em um grupo aéreo no qual partes da principal companhia ainda enfrentam dificuldades para se recuperar, mesmo cinco anos após a pandemia global. Mas como essa aquisição altera o cenário da aviação europeia?
Ampliação do Grupo Lufthansa
Em termos simples, a aquisição da Tap acrescenta mais uma companhia aérea europeia ao grupo. Juntas, as empresas passam a deter 9,5% de toda a capacidade aérea da Europa, ante os atuais 8,4%. Portanto, embora haja um aumento na participação de capacidade, a mudança não é significativa.
Dentro do grupo, a nova distribuição da capacidade faz com que a participação da Lufthansa recue para 40,6%. Ainda assim, a empresa permanece como a maior companhia aérea do grupo, com quase três vezes a capacidade da Swiss, segunda colocada. A Tap e a ITA Airways passam a deter, cada uma, 12% da capacidade, ligeiramente abaixo dos 13% da Austrian Airlines.

Participação das companhias aéreas do Lufthansa Group na capacidade, em 2026
Em termos mais estratégicos, a Tap proporciona ao grupo uma posição na extremidade ocidental da Europa e uma “ponte” para a América Latina, mais especificamente para o Brasil.
A Tap detém 24% de toda a capacidade aérea entre a Europa e o Brasil, ficando atrás apenas da Latam. A força da companhia sempre esteve no mercado entre a Europa e o Brasil. Para a Lufthansa, a incorporação da principal companhia aérea nesse mercado garante ao grupo uma participação de 36% na capacidade de voos entre os dois destinos.
Tap detém a maior participação nos voos programados em Lisboa
Ainda não é possível chegar a uma conclusão definitiva sobre a construção de um novo aeroporto em Lisboa. Não há perspectiva de que isso aconteça antes de 2034 e a apresentação do pedido de licenciamento não é esperada antes de 2028.
O atual aeroporto de Portela opera no limite de sua capacidade, e a Tap naturalmente detém a maior participação nos voos programados em Lisboa, com 49%. Com a ampliação do grupo, essa fatia chegará a 52,5%.