Pedro Menezes   |   27/04/2026 09:56
Atualizada em 27/04/2026 10:30

Preço das passagens aéreas sobe quase 20% e supera R$ 700 de média

Azul liderou a tarifa média com R$ 887, seguida de Latam (R$ 740) e Gol (R$ 626) no mês de março


Divulgação/Aena Brasil
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível já representa cerca de 45% dos custos operacionais do setor
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível já representa cerca de 45% dos custos operacionais do setor

O preço da passagem aérea no Brasil voltou a subir consideravelmente no último mês de março, impacto direto do cenário internacional causado pelo conflito no Oriente Médio. O conflito elevou o valor do barril, impactando diretamente o querosene de aviação (QAV).

Dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o valor médio pago pelo bilhete aéreo doméstico chegou a R$ 707,16 em março, uma alta de 17,8% em relação ao mesmo mês de 2025. No yield, o avanço é ainda mais expressivo: 19,4% na comparação anual, chegando a R$ 0,5549/km.

Embora o preço médio do QAV em março tenha sido de R$ 3,60 por litro, queda de 13,7% em relação ao ano anterior, o cenário mudou rapidamente. Em abril, a Petrobras anunciou um reajuste de cerca de 55%, acompanhando a escalada internacional.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível já representa cerca de 45% dos custos operacionais do setor, ante pouco mais de 30% anteriormente. A entidade alerta que o aumento pode comprometer a abertura de novas rotas e reduzir a oferta de voos em todo o País.

Para tentar conter o aumento repentino do preço do QAV, o governo federal inclusive já adotou medidas, como a redução de tributos sobre o QAV. Ainda assim, o cenário permanece incerto, e novas pressões sobre os preços das passagens não estão descartadas.

Demanda segue em alta

Apesar do encarecimento, a demanda por transporte aéreo continua crescendo. Em março, o Brasil registrou 10,6 milhões de passageiros, o maior volume já registrado para o mês, o que também fez com que o País batesse o recorde de movimentação no primeiro trimestre.

O mercado internacional puxou o avanço, com alta de 8,9%, enquanto o doméstico cresceu 1,3%. No total, o número de passageiros aumentou 3,1% em relação ao ano anterior.

A oferta de voos também acompanhou o movimento, com expansão de 7,9% no mercado doméstico. Já a demanda, medida em passageiros por quilômetro transportado, subiu 7,8%.

Evolução das tarifas aéreas no Brasil por companhia

Reprodução/Anac
Tarifa aérea real média de março de 2024 a março de 2026
Tarifa aérea real média de março de 2024 a março de 2026

Também analisamos a evolução das tarifas aéreas reais no Brasil entre março de 2024 e março de 2026. os dados revelaram que a Azul lidera os preços médios na maior parte da série, com valores frequentemente situados entre R$ 800 e R$ 900 e picos próximos de R$ 918 no início de 2026.

Já a Latam Airlines apresenta maior volatilidade ao longo do período, alternando momentos de alta, especialmente no fim de 2024, com recuos ao longo de 2025. A Gol Linhas Aéreas, por sua vez, mantém os menores patamares médios, geralmente abaixo de R$ 700, ainda que com oscilações pontuais.

No recorte mais recente, de março de 2026, o cenário se mantém. A Azul lidera com tarifa média próxima de R$ 887, enquanto Latam Airlines e Abaeté Aviação aparecem praticamente empatadas na faixa de R$ 740. A Gol Linhas Aéreas segue com o menor valor médio, ao redor de R$ 626.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.