Karina Cedeño   |   16/06/2026 09:04
Atualizada em 16/06/2026 10:11

Distância dos voos mais longos do mundo cresce 15% em 25 anos; veja tendência

Mudança reflete uma transformação impulsionada por uma nova geração de aeronaves widebody bimotoras


Unsplash
Para as companhias aéreas, a capacidade de voar cada vez mais longe sem escalas representa uma vantagem estratégica importante
Para as companhias aéreas, a capacidade de voar cada vez mais longe sem escalas representa uma vantagem estratégica importante

Dados exclusivos divulgados pela OAG mostram que, em 2025, a distância média das dez rotas sem escalas mais longas do mundo alcançou 14.504 km, acima dos 13.464 km registrados em 2010 e dos 12.667 km em 2000. Isso representa um aumento de 14,5% em 25 anos.

A mudança reflete não apenas a ambição das companhias aéreas, como também uma transformação impulsionada por uma nova geração de aeronaves widebody bimotoras.

Os voos mais longos do mundo em 2000


Rota
Origem
Destino
Companhia Aérea
Aeronave
Distância (km)
1
ATL–JNB
Atlanta
Johannesburgo
South African Airways
B747-400
13.575
2
ATL–CPT
Atlanta
Cidade do Cabo
South African Airways
B747-400
13.082
3
JFK–JNB
Nova York (JFK)
Johannesburgo
South African Airways
B747-400
12.825
4
LAX–MEL
Los Angeles
Melbourne
Qantas / United Airlines
B747-400
12.751
5
HKG–YYZ
Hong Kong
Toronto
Air Canada / Cathay Pacific
A340-300
12.542
6
JFK–TPE
Nova York (JFK)
Taipei
China Airlines
B747-400
12.538
7
HKG–ORD
Hong Kong
Chicago O'Hare
United Airlines
B747-400
12.517
8
CPT–FLL
Cidade do Cabo
Fort Lauderdale
South African Airways
B747-400
12.340
9
CPT–MIA
Cidade do Cabo
Miami
South African Airways
B747-400
12.337
10
LAX–TLV
Los Angeles
Tel Aviv
El Al Israel Airlines
B747-400
12.160

Os voos mais longos do mundo em 2010


Rota
Origem
Destino
Companhia Aérea
Aeronave
Distância (km)
1
EWR–SIN
Newark
Singapura (Changi)
Singapore Airlines
A340-500
15.329
2
LAX–SIN
Los Angeles
Singapura (Changi)
Singapore Airlines
A340-500
14.096
3
ATL–JNB
Atlanta
Johannesburgo
Delta Air Lines
B777-200LR
13.573
4
DXB–LAX
Dubai
Los Angeles
Emirates
B777-200LR / 300ER
13.395
5
BKK–LAX
Bangcoc
Los Angeles
Thai Airways
A340-500
13.275
6
DXB–IAH
Dubai
Houston
Emirates
B777-200LR
13.118
7
DXB–SFO
Dubai
São Francisco
Emirates
B777-300ER
13.013
8
HKG–JFK
Hong Kong
Nova York (JFK)
Cathay Pacific
B777-300
12.965
9
EWR–HKG
Newark
Hong Kong
Continental Airlines
B777
12.955
10
DOH–IAH
Doha
Houston
Qatar Airways
B777-200LR / 300ER
12.925

Os voos mais longos do mundo em 2025


Rota
Origem
Destino
Companhia Aérea
Aeronave
Distância (km)
1
JFK–SIN
Nova York (JFK)
Singapura (Changi)
Singapore Airlines
A350-900
15.332
2
EWR–SIN
Newark
Singapura (Changi)
Singapore Airlines
A350-900
15.329
3
AKL–DOH
Auckland
Doha
Qatar Airways
A350-1000 / B777-200LR
14.526
4
LHR–PER
Londres (Heathrow)
Perth
Qantas Airways
B787-9
14.499
5
DFW–MEL
Dallas/Fort Worth
Melbourne
Qantas Airways
B787-9
14.468
6
CDG–PER
Paris (Charles de Gaulle)
Perth
Qantas Airways
B787-9
14.265
7
AKL–JFK
Auckland
Nova York (JFK)
Air New Zealand / Qantas
B787 / B787-9
14.209
8
AKL–DXB
Auckland
Dubai
Emirates
A380-800
14.193
9
MEX–SZX
Cidade do México
Shenzhen
China Southern Airlines
A350
14.124
10
LAX–SIN
Los Angeles
Singapura (Changi)
Singapore Airlines
A350-900
14.096

Fonte: OAG Schedules Analyser.

O voo sem escalas mais longo do mundo em 2025 é o serviço da Singapore Airlines entre Nova York (JFK) e Singapura (Changi), com 15.332 km, operado por um Airbus A350-900. Sua rota "irmã", entre Newark e Singapura, com 15.329 km, ocupa a segunda posição do ranking.

Divulgação/OAG
Distância média das dez rotas mais longas do mundo (2000–2025)
Distância média das dez rotas mais longas do mundo (2000–2025)

Do Boeing 747 ao Airbus A350: as aeronaves que mudaram tudo

Em 2000, o Boeing 747-400 dominava os voos ultralongos: nove das dez rotas mais extensas do mundo eram operadas por esse quadrimotor. A única exceção era a ligação entre Hong Kong e Toronto, operada pela Cathay Pacific e pela Air Canada com o Airbus A340-300.

O Boeing 747-400 possuía alcance entre 13,4 mil e 15 mil km, dependendo da versão, estabelecendo um limite prático para a distância que as companhias podiam percorrer sem escalas.

Em 2010, o cenário já havia mudado significativamente. Os modelos Boeing 777-200LR (Long Range) e 777-300ER (Extended Range) tornaram-se as aeronaves preferidas para os trechos mais longos, com sete das dez principais rotas utilizando alguma variante do 777.

Esses jatos bimotores reduziram os custos operacionais em comparação aos quadrimotores 747, tornando os voos ultralongos economicamente mais atrativos. A transição de quatro para dois motores não foi apenas um avanço técnico: ela transformou completamente a economia dos voos sem escalas entre 13 mil e 15 mil km. Como resultado, a distância média das dez rotas mais longas aumentou cerca de 800 km entre 2000 e 2010.

Em 2025, a diversidade de aeronaves é ainda maior. Cinco das dez rotas mais longas são operadas por variantes do Airbus A350, nas versões -900 ou -1000. As demais utilizam o Dreamliner, especificamente o Boeing 787-9, que possui alcance em torno de 14,5 mil km.

Mudanças geográficas: da África para a Ásia-Pacífico

A geografia dos voos ultralongos também mudou substancialmente:

  • Em 2000, aeroportos africanos apareciam em cinco das dez rotas mais longas do mundo, todas envolvendo voos da South African Airways entre Atlanta, Nova York e Cidade do Cabo para Joanesburgo ou além;
  • Em 2010, essa presença caiu para apenas uma rota: Atlanta–Joanesburgo, operada pela Delta Air Lines. Já em 2025, nenhum aeroporto africano figura entre os dez voos sem escalas mais longos do planeta.;
  • A região Ásia-Pacífico seguiu o caminho oposto. Em 2000, quatro das dez principais rotas envolviam aeroportos da região. Em 2025, todas as dez passam por aeroportos da Ásia-Pacífico;
  • Essa mudança reflete o crescimento de Singapura, Auckland e dos aeroportos australianos como importantes players da rede global de voos ultralongos, além da expansão das companhias aéreas do Golfo, cujos hubs no Oriente Médio conectam passageiros à Ásia e à Austrália;
  • A presença da América do Norte também evoluiu. Em 2000 e 2010, aeroportos norte-americanos estavam presentes em todas as dez rotas mais longas. Em 2025, esse número caiu para cinco. Parte dessa mudança se deve às novas rotas da Qantas ligando diretamente a Austrália à Europa e à América do Norte, introduzindo pares de cidades sem participação norte-americana entre as rotas mais longas do ranking.

O que vem a seguir: a fronteira dos 17 mil quilômetros

O próximo grande passo da aviação de longa distância atende pelo nome de Project Sunrise. A Qantas encomendou 12 aeronaves Airbus A350-900ULR (Ultra Long Range) especialmente configuradas para voar aproximadamente 18 mil km sem escalas. A companhia planeja inaugurar, em 2027, voos diretos entre Sydney e Londres, uma rota de quase 17 mil km.

O desafio, porém, é significativo. As aeronaves transportarão cerca de 238 passageiros — mais de 100 a menos do que uma configuração padrão do A350-900 — e a viagem terá duração aproximada de 22 horas.

Ainda não está claro se a demanda dos passageiros e a viabilidade econômica sustentarão esse modelo em larga escala. No entanto, o simples fato de a operação ser tecnicamente possível é consequência direta da evolução da engenharia aeronáutica que, nos últimos 25 anos, levou a indústria da era do Boeing 747 para a dos Boeing 787 e Airbus A350.

Vantagem competitiva para as companhias aéreas

Para as companhias aéreas, a capacidade de voar cada vez mais longe sem escalas representa uma vantagem estratégica importante. Cada nova rota ultralonga reduz a dependência de conexões em hubs e oferece aos passageiros opções mais rápidas e diretas.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.