América Latina soma quase 39 milhões de passageiros aéreos em maio
Mercados domésticos impulsionaram o resultado; Brasil cresceu 2,5% no período

O transporte aéreo na América Latina e no Caribe voltou a ganhar fôlego em maio. Segundo levantamento da Alta (Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo), a região movimentou 38,7 milhões de passageiros no mês, um crescimento de 2,7% em comparação com maio de 2025.
O resultado representa 1,02 milhão de viajantes adicionais e uma recuperação em relação a abril, quando a expansão havia desacelerado para apenas 1%.
Apesar da melhora, o desempenho ainda ficou abaixo do registrado no primeiro trimestre do ano. Assim como nos meses anteriores, o avanço foi sustentado principalmente pelos mercados domésticos e intrarregionais, enquanto as viagens entre os Estados Unidos e a América Latina completaram o terceiro mês consecutivo de retração.
Indicadores do mês
Os principais números de maio mostram que a demanda continuou crescendo acima da oferta de assentos:
- 38,7 milhões de passageiros transportados na região;
- 2,7% de crescimento em relação a maio de 2025;
- 1,02 milhão de passageiros adicionais no comparativo anual;
- 2,6% de aumento na capacidade (ASK);
- 3,2% de crescimento da demanda (RPK);
- 83,6% de taxa média de ocupação das aeronaves, alta de 0,5 ponto percentual sobre o mesmo período do ano passado.
Mercado doméstico segue impulsionando o setor
O mercado doméstico voltou a liderar a expansão do transporte aéreo na região, com crescimento de 4%. Já as viagens internacionais dentro da própria América Latina e Caribe avançaram 3,4%.
Por outro lado, o mercado internacional para destinos fora da região praticamente ficou estagnado, com alta de apenas 0,1%. Um dos principais fatores para esse desempenho foi a redução de 1,2% no tráfego entre os Estados Unidos e a América Latina, que acumula três meses seguidos de queda.
Panamá lidera crescimento; Brasil retoma ritmo
Entre os principais mercados da região, o Panamá voltou a apresentar o melhor desempenho. O país da América Central movimentou 1,95 milhão de passageiros em maio, um crescimento de 15,7%, alcançando cinco meses consecutivos de expansão em dois dígitos.
O Brasil, por sua vez, recuperou parte do ritmo perdido em abril e registrou alta de 2,5% no número de passageiros. A Colômbia também apresentou desempenho consistente, com crescimento de 5,5%, impulsionado tanto pelo mercado doméstico quanto pelo internacional.
Já México e Argentina tiveram resultados distintos entre os mercados interno e externo. No México, o crescimento doméstico de 2,2% não foi suficiente para compensar a queda de 4,2% nas viagens internacionais. Na Argentina ocorreu o movimento inverso: enquanto o tráfego internacional cresceu 8,1%, o doméstico recuou 12,1%, levando o país a registrar sua primeira contração do ano.
Infraestrutura será decisiva
Para o CEO da Alta, Peter Cerdá, os resultados mostram que a demanda por viagens aéreas segue resiliente, mesmo diante de um cenário internacional mais desafiador.
Segundo o executivo, o crescimento dos cinco primeiros meses do ano demonstra a força dos mercados domésticos e intrarregionais, além da ampliação da conectividade com a abertura de novas rotas.
Cerdá ressalta, porém, que a continuidade desse movimento dependerá de políticas que incentivem a competitividade, os investimentos e a expansão da infraestrutura aeroportuária, fatores considerados essenciais para fortalecer a conectividade e ampliar a contribuição da aviação para o desenvolvimento econômico e social da região.