Passaportes de vacinação não devem eliminar testes PCR

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Hoje (30), a Loyalty Security Association (LSA) realizou seu webinar mensal sobre os passaportes de saúde, sua importância para a retomada das viagens e tudo o que implica o seu uso. Basicamente, o passaporte é uma conta eletrônica vinculada a indivíduos contendo informações pessoais e comprovante de vacinação ou resultados negativos de testes. Até agora, temos o Iata Travel Pass, tentativa da entidade em unificar esses dados, e passes limitados a território nacional como o "green pass" de Israel.

CD Lazear, do Blue Ribbon Bags, é detentor de um passe israelense de vacinação e explica que seu uso ocorre muito mais dentro do país do que para viagens internacionais. "Apresento o green pass junto ao meu documento de identidade para entrar em restaurantes e estabelecimentos em Israel, mas nas vezes que viajei internacionalmente nos últimos meses, o documento não foi solicitado. O teste PCR é o principal requisito em viagens internacionais atualmente", afirmou Lazear no início do webinar.

Peter Gerstle, do Collinson Group, empresa responsável pela implementação de testes de PCR e passaportes de covid-19 para vários clientes, explicou que os passes de saúde de cada país não são feitos para serem utilizados em viagens internacionais, mas retomar a vida normal domesticamente. Para ele, o teste PCR continuará sendo importante para a retomada de operações aéreas transfronteiriças mesmo com passageiros vacinados, já que mesmo vacinado, o indivíduo pode carregar o vírus e ser um vetor de transmissão, só não sentirá o efeito em seu corpo devido a imunização criada. "Os dois caminharão juntos por um tempo. As permutações de requisitos por país tornam tudo muito difícil. Ainda não temos definido as especificidades que precisarão ter em um passe de saúde digital", explicou.

Gary Leff, do blog View from the Wing, concordou que passaportes de vacinação não devem eliminar testes PCR, mas argumentou que será uma ferramenta válida para países reabrirem suas fronteiras a turistas, devido a imunização da própria população. No entanto, disse ser um desafio para países que demorarão a ter vacinas para toda a população e alertando também que depende das vacinas que países aceitarão, dando como exemplo a China que só aceita visitantes de Hong Kong que tenham tomado uma vacina chinesa, mesmo que outras tenham maior eficácia.

Ainda discutindo o impacto da vacinação no Turismo, o moderador da conversa, Chris Staab, da LSA, disse acreditar que a prova de vacinação pode ser o mecanismo que permitirá o mundo reabrir novamente. Para provar seu ponto, Staab indicou a forte ligação entre países que já vacinaram boa parte da população e aqueles que já retomaram um bom fluxo de venda de viagens; como o Reino Unido, Israel e Chile, por exemplo.
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Os participantes do webinar ainda discutiram questões como crianças e seus requisitos, já que os pequenos não estão sendo vacinados no momento mas são vetores do vírus; a questão de proteção de dados dos passes de saúde e medidas a serem tomadas por companhias aéreas, inclusive em relação a clientes fiéis.

CRIANÇAS

Questionando as diferentes restrições que existem nos países e as dificuldades que estas podem causar a viajantes internacionais, Mark Ross-Smith, CEO da Statusmatch.com, questionou: "Se estou a indo a um país em que as restrições são diferentes do nosso país de origem, eu não poderei entrar com meus filhos em um restaurante por que eles não podem ser vacinados?".

O moderador, Christopher Staab, ainda viu outro motivo para não viajar com seu filho pequeno agora: sua personalidade "selvagem". Companhias aéreas estão multando e banindo indivíduos que tiram a máscara ou desrespeitam outros requisitos durante o voo, então Chris disse não viajar com seu filho por medo de ser banido pela companhia aérea em caso de seu filho puxar a cobertura facial em algum momento.

Complementando o assunto, CD Lazear, que tem viajado nos últimos meses, disse apenas ter visto três crianças entre os diversos aeroportos que visitou, sendo um bebê e outros dois filhos de diplomatas, que foram identificados pela cor diferente de seus passaportes.

AÉREAS

Ao mencionarem que passageiros vacinados podem passar a receber privilégios no momento de embarcar ou afins, Mark questionou possível ação das aéreas afirmando que clientes fiéis podem se sentir lesados conforme a empresa priorizar outros passageiros, senão aqueles que participam de programas de milhas, fidelidade e afins. Complementando, Peter afirmou não ser papel da companhia aérea incentivar a vacinação, mas dos governos, cabendo às aéreas atender requisitos governamentais para voltar a operarem sem problemas.

Peter ainda argumentou que aéreas terão a responsabilidade de cobrar os requisitos de viagens dos passageiros. "Pense nas informações de saúde solicitadas como um passaporte ou visto, se o viajante tem aquele documento invalidado ou questionado pela aérea, ele precisará voltar ao seu país de origem. E assim, governos poderão cobrar isso das companhias, e até penalizá-las em caso de descumprimento dos requisitos", explicou.

PROTEÇÃO DE DADOS

Como essas ferramentas digitais estão sendo aceleradas para retomar as viagens internacionais, o risco de informações pessoais serem corrompidas e até vendidas em mercados irregulares foi discutido, assim como formas das companhias aéreas e serviços de fronteiras conferir a legitimidade das informações apresentadas pelo passageiro.

"Nós veremos desafios constantes, mas a companhia não vai querer ser o motivo de um novo surto em um país por uma falha de segurança e verificação desses passes de saúde", afirmou Stuart Barwood, da Forter, especialista em companhias aéreas e prevenção de fraudes com ampla experiência em impedir aquisições de contas. Stuart ainda explicou como os dados são corrompidos e vendidos na Dark Web, por exemplo.

Gary Leff disse que a acessibilidade aos testes é uma grande maneira de enfrentar fraudes nos passes de saúde, já que os testes podem ser um custo a mais ao viajante. Peter Gerstle complementou que caberá aos governos e entidades como a Iata garantirem a proteção dos dados que viajantes precisarão cadastrar nestes passes de saúde.

CONCLUSÃO

Os convidados concordaram que em curto prazo, haverá requisitos, papeladas e corredores entre países para possibilitar a volta de operações aéreas. Mas em longo prazo, o melhor é que haja cada vez menos requisitos para as viagens acontecerem para que a indústria possa se recuperar integralmente.
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