Pedro Menezes   |   23/04/2026 09:56

Mais de 60% das aéreas já usam Inteligência Artificial em suas operações, diz Sita

Cerca de 63% das companhias aéreas já utilizam a IA no controle de operações para gerenciar interrupções


Divulgação
Em 2025, as companhias aéreas destinaram US$ 36 bilhões, ou 3,6% de sua receita
Em 2025, as companhias aéreas destinaram US$ 36 bilhões, ou 3,6% de sua receita

Embora a indústria de transporte aéreo tenha investido um valor recorde de US$ 50,8 bilhões em tecnologia em 2025, um obstáculo comum continua surgindo: quando os dados não fluem livremente entre sistemas e parceiros, esse investimento não consegue entregar plenamente os resultados para os quais foi projetado.

É o que constata o relatório Air Transport IT Insights 2025, da Sita. Segundo este documento, o custo da lacuna na coordenação de dados é ainda maior no contexto atual, em que o conflito no Oriente Médio continua impactando a indústria em escala global.

“Em todas as áreas analisadas, surge a mesma limitação: se os dados não circulam livremente entre sistemas e parceiros, o investimento não consegue entregar plenamente o que propõe. Essa limitação tem um custo maior hoje, mas também representa uma oportunidade clara de sair mais forte”

David Lavorel, CEO da Sita

Companhias aéreas e aeroportos estão aumentando seus investimentos em TI. Em 2025, as companhias aéreas destinaram US$ 36 bilhões, ou 3,6% de sua receita, enquanto os aeroportos elevaram seus gastos para US$ 14,8 bilhões, representando 7,3% da receita, ante 6,4% no ano anterior.

A razão é comum para ambos: 83% das companhias aéreas e 89% dos aeroportos afirmam que a tomada de decisão baseada em dados é uma prioridade estratégica, sinal claro de que a indústria está construindo ativamente as bases operacionais das quais depende sua resiliência.

IA é a realidade atual

Cerca de 63% das companhias aéreas já utilizam a IA no controle de operações para gerenciar interrupções, alocação de aeronaves e disponibilidade de tripulação simultaneamente, avaliando opções de recuperação sob múltiplas restrições antes de recomendar ações.

Além disso, 69% apontam a IA generativa e os modelos de linguagem como principal prioridade de investimento para os próximos 12 meses - indicativo de que a ambição supera a implementação atual.

Por outro lado, apenas 17% das companhias utilizam IA para monitorar atividades de turnaround em tempo real. Os aeroportos estão avançando para reduzir essa lacuna, com 53% já aplicando IA nesse processo, frente a 36% em 2024.

“A aviação está implementando IA com grande ambição. Mas a pesquisa é clara: a principal barreira para maximizar esse investimento é a falta de integração de dados em toda a operação. A tecnologia existe. A infraestrutura de dados para conectá-la, muitas vezes, não"

David Lavorel, CEO da Sita

Dados das Américas

Nas Américas, dois pontos se destacam: 65% dos aeroportos aumentaram os gastos com TI em 2025, ligeiramente à frente dos 57% das companhias aéreas, tornando esta a única região em que os aeroportos demonstram maior intenção de investimento do que as empresas aéreas.

Todas as companhias aéreas da região apontam as ferramentas de IA como o principal investimento planejado em dados e tecnologia para os próximos dois anos, e 73% dos aeroportos fazem o mesmo.

No entanto, a adoção de plataformas de dados nos aeroportos ainda é limitada: 50% têm uma implementada atualmente, e 20% não têm planos de adotar uma antes de 2027. O compartilhamento de dados entre parceiros está em 31% para as companhias aéreas e 49% para os aeroportos.

Confiabilidade operacional

Apenas os atrasos de voos representam US$ 30 bilhões da receita total do setor, segundo a Iata. Melhorar a previsão e a resposta a interrupções é fundamental. Com isso, 46% das companhias aéreas estão atualizando seus sistemas de operações de voo para tornar as informações consistentes e acessíveis em tempo real entre sistemas de voo, tripulação, aeronaves e passageiros.

O objetivo é fornecer às equipes operacionais uma visão compartilhada que permita agir mais cedo, antes que um atraso isolado se transforme em um problema em rede. Ainda assim, 49% das companhias aéreas apontam a integração e a consistência de dados como a principal barreira para alcançar esse objetivo.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.