Pedro Menezes   |   26/03/2026 13:03

Conflito no Oriente Médio corta 1,7 milhão de assentos aéreos e pressiona hubs da região

Prejuízo acumulado pelas empresas já ultrapassa os US$ 50 bilhões desde o início do conflito na região


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Companhias aéreas ainda lidam com um cenário descrito pelo setor como de “confusão controlada”, marcado por ajustes operacionais contínuos, aeronaves fora de posição, tripulações deslocadas e passageiros afetados
Companhias aéreas ainda lidam com um cenário descrito pelo setor como de “confusão controlada”, marcado por ajustes operacionais contínuos, aeronaves fora de posição, tripulações deslocadas e passageiros afetados

A aviação internacional segue operando sob forte impacto da instabilidade no Oriente Médio, em meio aos conflitos de Estados Unidos, Israel e Irã. Quatro semanas após o início dos conflitos, cerca de 1,7 milhão de assentos programados já foram retirados da oferta, o equivalente a quase 1/3 da capacidade prevista para a última semana de fevereiro, segundo dados compartilhados pelo OAG.

Embora haja expectativa de normalização gradual, companhias aéreas ainda lidam com um cenário descrito pelo setor como de “confusão controlada”, marcado por ajustes operacionais contínuos, aeronaves fora de posição, tripulações deslocadas e passageiros afetados pela escassez de informações consolidadas. Tanto é que o prejuízo acumulado pelas empresas já ultrapassa os US$ 50 bilhões.

Dados mais recentes indicam que a capacidade pode chegar a 4,4 milhões de assentos na próxima semana, mas a tendência é de novos cortes por parte de empresas baseadas na região. Na prática, segundo dados do OAG, o patamar atual próximo de 3,6 milhões de assentos semanais deve persistir por mais tempo.

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Hub da Emirates reduziu em 40% a oferta na semana iniciada nessa segunda-feira (23)
Hub da Emirates reduziu em 40% a oferta na semana iniciada nessa segunda-feira (23)

O impacto não é homogêneo entre as empresas. Companhias da Arábia Saudita operam bem próximas da normalidade, sustentadas pelo forte mercado doméstico, um cenário diferente do observado em outros países do Oriente Médio. Já os principais hubs da região registram reduções relevantes de oferta na semana iniciada em 23 de março, na comparação com o período anterior ao agravamento da crise.

É o caso de:

  • Emirates: −40%
  • Qatar Airways: −62%
  • Etihad: −50%
  • Air Arabia: −64%

Outras 44 companhias aéreas também suspenderam integralmente suas operações na região até o fim de abril, retirando cerca de 245 mil assentos semanais do mercado aéreo comercial de uma só vez.

Capacidade aérea do Oriente Médio de 23 de fevereiro até o projetado em 20 de abil
Capacidade aérea do Oriente Médio de 23 de fevereiro até o projetado em 20 de abil

O impacto também já aparece nas programações futuras. Até o fim de maio, por exemplo, a Wizz Air cancelou mais de 450 voos, enquanto a British Airways retirou 266 operações previstas originalmente. Segundo o OAG, esses ajustes reforçam a expectativa de que a recuperação da conectividade regional será gradual.

Rotas Ásia–Europa não absorvem a demanda deslocada

Apesar da redução da conectividade via hubs do Golfo, companhias asiáticas não ampliaram significativamente as frequências diretas entre Ásia e Europa. Para maio, apenas movimentos pontuais foram identificados, como a Singapore Airlines, que adicionou 13 voos extras para Londres Gatwick, e a Turkish Airlines, que incluiu 35 frequências adicionais em rotas que conectam destinos asiáticos como Pequim e Bangkok

Segundo analistas do setor ouvidos pelo OAG, a ideia de que companhias aéreas conseguem realocar rapidamente aeronaves entre mercados distintos é pouco realista, especialmente quando o cenário indica benefícios comerciais temporários.

Historicamente, companhias baseadas na própria região tendem a restabelecer suas operações rapidamente após a estabilização do cenário. Já transportadoras estrangeiras devem adotar uma postura mais cautelosa, com retomadas que podem levar meses. Mesmo assim, a expectativa permanece de normalização progressiva assim que houver maior previsibilidade operacional e geopolítica na região.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.