Enoturismo ganha força no Brasil e ONU Turismo vê potencial para novas rotas e destinos
Dados apontam que vinícolas têm aberto portas para receber visitantes e apresentar experiências diferentes

O enoturismo está ganhando força no Brasil, com rotas estruturadas e a produção crescendo pelo País. Dados apontam que vinícolas têm aberto suas portas para receber visitantes e apresentar experiências diferenciadas.
Uma pesquisa do Sebrae revela, por exemplo, que a atuação com o enoturismo já é realidade para mais de 85% dos estabelecimentos desse setor que, para além de trabalhar somente com a produção de vinhos e derivados da uva, têm aberto suas propriedades para visitantes de todo o País.
Não é a toa que a ONU Turismo vê este segmento, bem como o Turismo gastronômico, com bons olhos, e aposta no desenvolvimento de rotas para impulsionar destinos. Um passo nessa estratégia é o 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, realizado pela Revista Adega em colaboração com o órgão da ONU.
"A gente começou a estudar o vinho como um vetor de desenvolvimento turístico de regiões e os números foram espetaculares. O Fórum nasce como uma oportunidade de discutir o enoturismo e a gastronomia como vetores de desenvolvimento da economia. Aqui lançamos o nosso guia de boas práticas da gastronomia e reunimos os agentes envolvidos para gerar conexões"
Daniel Nepomuceno, diretor de Novos Negócios e Parcerias Público-Privadas da ONU Turismo
Pelo Brasil, são diversas rotas para o enoturismo, cada uma em fases diferentes de maturidade. No Sul, por exemplo, a rota gaúcha já é consolidada há 20 anos, mas São Paulo, Minas Gerais, Bahia e outras praças passaram a trabalhar com o vinho e expandem suas atuações para o Turismo.
"Ao levar o consumidor para viver a experiência, ele acaba consumindo a hospedagem, a gastronomia local, e ainda se convertem em compradores dos vinhos. O enoturismo é um grande indutor de desenvolvimento turístico regional", explica Christian Burgos, CEO da Inner Editora e publisher da ADEGA.
Trabalhando com o trade

Nepomuceno aponta que o Fórum é uma forma de conectar o produtor ao trade turístico. "Diferente de outros setores econômicos, o Turismo é feito em parceria com a iniciativa privada e é muito importante se utilizar desses momentos para desenvolver o enoturismo e Turismo gastronômico de forma integrada", disse.
O trabalho mais forte com as rotas turísticas deve ainda expandir essa oferta. A ideia, segundo ele, é estruturar roteiros que integrem o Brasil a outros países da América do Sul: No Sul, integrar a rota gaúcha com Uruguai e Argentina, finalizando em Buenos Aires.
"Queremos promover uma troca de experiências entre rotas que estão mais evoluídas e outras que ainda estão em estágio embrionário. A ideia é compartilhar boas práticas, aquilo que deu certo para transformar as rotas da Argentina, do Uruguai, do Chile e também as rotas já estabelecidas no Brasil em referências que possam ser adaptadas às operações de turismo de cada região", explica Christian.
Outros produtos, é claro, estão no radar. Até porque o enoturismo não se faz sozinho: está atrelado ao queijo, a gastronomia local. No caso do Café, espera-se que a rota esteja integrada, um dia, à Colômbia.
"Esperamos sair daqui com rotas traçadas, festivais estruturados e muitas conversas iniciadas. Estamos observando experiências maravilhosas de festivais de rua e queremos entender como integrar tudo isso. Precisamos unir os diferentes territórios para contemplar essa diversidade"
Daniel Nepomuceno, diretor de Novos Negócios e Parcerias Público-Privadas da ONU Turismo