Copa do Mundo tem início abaixo das expectativas e decepciona hotéis e aéreas nos EUA
Em Nova York, uma das principais sedes do torneio e palco da final, o cenário preocupa o setor hoteleiro

A expectativa de que a Copa do Mundo impulsionaria fortemente o Turismo dos Estados Unidos ainda não se concretizou. Às vésperas do início do torneio, hotéis reduziram tarifas, reservas aéreas enfraqueceram e o fluxo de visitantes internacionais está abaixo das projeções.
Segundo reportagem especial da Reuters, o tradicional efeito econômico esperado de um Mundial, baseado na chegada de milhares de torcedores estrangeiros dispostos a gastar com hospedagem, transporte e lazer, está sendo comprometido por uma combinação de fatores que tem afastado potenciais visitantes. E isso envolve preços elevados, dificuldades com vistos e desafios logísticos.
Hotéis reduzem tarifas diante da demanda fraca

Em Nova York, uma das principais sedes do torneio e palco da final, o cenário preocupa o setor hoteleiro. A Associação de Hotéis da cidade reduziu em 60% sua projeção de receita relacionada à Copa do Mundo, passando para cerca de US$ 60 milhões.
A expectativa inicial era de que 1,2 milhão de torcedores desembarcassem na cidade, mas agora o setor trabalha com uma estimativa de aproximadamente 500 mil visitantes. Com a demanda muito aquém do esperado, alguns hotéis passaram a oferecer descontos significativos, segundo a Reuters.
Dados da empresa de análise CoStar, por exemplo, revelam que, em média, as reservas hoteleiras nas cidades-sede registram crescimento de apenas 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado, muito abaixo do que normalmente seria esperado para um evento dessa magnitude.
Passagens, ingressos e vistos pesam no bolso

O custo da viagem aparece como um dos principais obstáculos para os torcedores. Além das passagens aéreas e da hospedagem, os ingressos para as partidas atingiram níveis recordes. Em cidades como Nova York e Miami, os bilhetes mais baratos já se aproximavam de US$ 1 mil.
Outro fator apontado é a questão dos vistos. Torcedores de mais da metade dos países classificados precisaram obter autorização para entrar nos Estados Unidos, acrescentando custos, incertezas e burocracia ao planejamento da viagem.
Segundo dados da Cirium citados pela Reuters, as reservas de voos provenientes da Europa para a maioria das cidades-sede em junho e julho ficaram 3,8% abaixo do registrado no ano anterior. Para Nova York, que será o palco da final da Copa do Mundo, a queda chega a 15,8%.
Aluguéis por temporada são exceção positiva
Enquanto hotéis enfrentam dificuldades, o segmento de aluguel por temporada apresenta desempenho mais favorável. Dados da AirDNA indicam crescimento nas reservas, especialmente para acomodações econômicas em cidades como Boston e Los Angeles.
Na ocasião, as diárias médias já reservadas estão em torno de US$ 218, enquanto quem busca hospedagem neste momento encontra preços próximos de US$ 335, refletindo o aumento das tarifas diante da expectativa por reservas de última hora.
Mercado ainda aposta em recuperação
Parte da indústria, no entanto, mantém esperança de um aumento nas reservas à medida que o torneio avance e os confrontos decisivos sejam definidos. Empresas especializadas em Turismo esportivo afirmam que muitos torcedores de maior poder aquisitivo aguardam a classificação de suas seleções antes de confirmar viagens, o que pode gerar uma demanda concentrada nas fases finais da competição.