Fabricante Bolliger & Mabillard já investiga morte em montanha-russa nos EUA
Acidente em parque da Six Flags reacende discussão sobre fiscalização e regulamentação das atrações

A morte de um homem de 42 anos após ser arremessado de uma montanha-russa no parque Six Flags Over Georgia, nos Estados Unidos, levantou questionamentos sobre a segurança das atrações e as regras de fiscalização naquele país.
Hassan Jihad Ibn Kariem morreu após ser lançado para fora da Goliath, montanha-russa que chega a 112 km/h e tem uma queda de aproximadamente 61 metros. Após o acidente, a Six Flags suspendeu temporariamente a operação de nove atrações semelhantes na América do Norte.
Segundo a ABC News, a fabricante da montanha-russa, Bolliger & Mabillard, informou que está investigando o caso e que não comentará o episódio até compreender melhor o que aconteceu.
Fiscalização varia entre os estados
Nos Estados Unidos, atrações de grandes parques temáticos não são regulamentadas diretamente pelo governo federal. A responsabilidade cabe aos estados, o que resulta em diferenças nas regras de inspeção e supervisão. Na Geórgia, o órgão estadual responsável pelas inspeções anuais informou que está conduzindo uma análise do acidente.
O senador Ed Markey, de Massachusetts, defende mudanças na legislação federal para permitir que a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos Estados Unidos fiscalize também atrações fixas de grandes parques. Atualmente, a atuação federal nesse setor é limitada.
Sistemas de segurança e histórico de acidentes
Os parques de diversões geralmente seguem padrões técnicos da ASTM International, que abrangem o projeto, a construção e a operação dos brinquedos. As atrações também passam por diferentes etapas de inspeção, e as seguradoras exercem pressão para que os operadores cumpram as exigências de segurança.
Martin Lewinson, especialista em montanhas-russas e professor do Farmingdale State College, explicou que a Goliath utiliza dispositivos de contenção com mecanismo de travamento e um sistema que, em condições normais, impede a partida do trem quando as travas dos assentos não estão fechadas.
Apesar desses mecanismos, acidentes já levaram a mudanças em outras atrações. Em 2022, um adolescente de 14 anos morreu após cair de um brinquedo em Orlando, depois que o sistema de contenção não travou corretamente devido ao seu tamanho. Em 2013, uma mulher de 52 anos morreu ao sair do assento da montanha-russa Texas Giant, no Six Flags Over Texas. Após esse caso, foram feitas alterações nos dispositivos de contenção e instalados cintos de segurança.
Regras diferentes na Califórnia, Flórida e Texas
A fiscalização também varia entre os Estados. Na Califórnia, o governo aprova atrações novas ou modificadas e prevê inspeções periódicas, realizadas por autoridades ou por inspetores contratados pelos proprietários.
Na Flórida, os maiores parques temáticos, como Walt Disney World e Universal, são dispensados das inspeções estaduais de segurança e realizam suas próprias verificações. Eles, no entanto, devem comunicar às autoridades acidentes com feridos ou mortes.
No Texas, as inspeções são realizadas por profissionais privados contratados pelos parques ou por suas seguradoras. Já o Arizona não possui uma agência estadual específica para fiscalizar essas atrações, embora a legislação exija inspeções privadas anuais, com fiscalização em grande parte atribuída aos governos locais.
De acordo com a IAAPA (Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações), a probabilidade de sofrer um ferimento grave em uma atração de parque de diversões nos Estados Unidos é de uma em cada 15,5 milhões de experiências.