Karina Cedeño   |   04/09/2026 09:06
Atualizada em 03/09/2026 10:23

Calor extremo na Europa já afeta percepção dos viajantes sobre o destino, aponta estudo

Levantamento destaca que destinos precisam se antecipar às mudanças climática e não reagir a elas


Paulo Pinto/Agência Brasil
Embora os destinos mediterrâneos continuem fortemente associados a climas favoráveis no verão, o calor recorrente e inesperado começa a mudar essa percepção entre os viajantes
Embora os destinos mediterrâneos continuem fortemente associados a climas favoráveis no verão, o calor recorrente e inesperado começa a mudar essa percepção entre os viajantes

Após um verão marcado por sucessivas ondas de calor e temperaturas acima de 40°C em algumas regiões da Europa, o calor extremo tornou-se um tema inevitável nas conversas sobre viagens em 2026.

É o que mostra uma nova análise da The Data Appeal Company/Almaviva Group. Segundo o levantamento, embora os destinos mediterrâneos continuem fortemente associados a climas favoráveis no verão, o calor recorrente e inesperado começa a mudar essa percepção entre os viajantes.

O estudo acompanha a evolução do Perception of Climate Index (PCI) em cinco destinos do Sul da Europa (Espanha, Portugal, França, Itália e Grécia) de 2023 até o verão de 2026, examinando mudanças nas percepções dos viajantes e na capacidade de resposta em relação aos períodos de ondas de calor oficialmente registrados.

Principais conclusões que surgem a partir da análise:

Divulgação
França apresenta os sinais mais fortes, até agora, de uma possível deterioração da atratividade climática para os turistas
França apresenta os sinais mais fortes, até agora, de uma possível deterioração da atratividade climática para os turistas
  • O calor ainda causa principalmente choques de percepção de curto prazo — mas 2026 está mostrando os primeiros sinais de mudança. Nos destinos mediterrâneos, o PCI geralmente cai durante as ondas de calor e se recupera quando as temperaturas se normalizam. No entanto, episódios recorrentes, precoces e prolongados são cada vez mais capazes de ultrapassar o desconforto temporário e influenciar a percepção dos viajantes sobre as condições climáticas do verão;
  • A França é o sinal de alerta mais claro. O país registrou um PCI médio de 77,2 entre maio e julho de 2026, bem abaixo de Portugal (93,5), Itália (91,6), Espanha (90,4) e Grécia (89,9). O calor recorrente e atípico no início da temporada, particularmente durante as ondas de calor de 2026, parece estar criando os sinais mais fortes até agora de uma possível deterioração da atratividade climática para os turistas;
  • A Itália começa a apresentar sinais de um efeito cumulativo. Após atingir uma forte média de PCI de 92,2 no verão de 2025, o PCI do país entre maio e julho de 2026 está 0,9 ponto abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, permanecendo em um nível elevado, mas retornando, de maneira geral, à faixa observada nos anos anteriores. Embora ondas de calor individuais tenham provocado reações de curto prazo relativamente moderadas, a exposição repetida a temperaturas extremas parece estar começando a pesar sobre a evolução geral das percepções climáticas dos viajantes;
  • Espanha e Grécia continuam resilientes, mas altamente responsivas ao calor extremo. Ambos os destinos apresentam flutuações acentuadas de curto prazo no PCI durante as ondas de calor, especialmente quando condições extremas chegam cedo ou persistem. A percepção geral do clima de verão da Espanha continua forte, com média de 87,2 desde 2023, enquanto a Grécia mantém uma média de 89,2, embora seu desempenho em 2026 seja mais fraco do que nos anos anteriores;
  • Portugal, por sua vez, mostra como as expectativas climáticas podem criar resiliência. Com uma média de PCI de 91,1 nos verões analisados, o país registra algumas das percepções climáticas mais estáveis da região. A relativa normalização das condições mais quentes do verão parece reduzir a sensibilidade ao calor, enquanto até mesmo uma grande queda de 33,5 pontos durante uma excepcional onda de calor em setembro de 2025 mostrou-se temporária. Isso destaca uma conclusão importante da análise: as expectativas dos viajantes importam quase tanto quanto as próprias temperaturas.
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Portugal registra algumas das percepções climáticas mais estáveis da região
Portugal registra algumas das percepções climáticas mais estáveis da região

A análise também revela diferenças significativas entre os mercados de origem. Viajantes franceses, juntamente com viajantes domésticos nos dois mercados analisados (Espanha e França) tendem a ser mais sensíveis ao calor extremo.

Em contraste, os viajantes do Reino Unido normalmente apresentam reações negativas de curto prazo, seguidas por uma recuperação relativamente rápida. Os viajantes dos Estados Unidos parecem ser comparativamente mais tolerantes ao calor do verão mediterrâneo, mantendo percepções climáticas consistentemente positivas mesmo durante períodos de temperaturas elevadas.

Destinos precisam se antecipar às condições climáticas extremas

O levantamento sugere que o impacto das mudanças climáticas sobre o Turismo não pode ser medido apenas pela temperatura. O que importa para os destinos é o quanto as condições extremas são incomuns, prolongadas e inesperadas — e se elas começam a desafiar as expectativas estabelecidas pelos viajantes sobre como devem ser as férias de verão.

“À medida que o clima extremo se torna uma parte cada vez mais visível da experiência de viagem, os destinos precisam passar de uma postura de reação às condições climáticas para uma de antecipação a elas. As ondas de calor não podem ser controladas, mas as expectativas e experiências dos viajantes podem ser administradas. Entender onde os limites de conforto diferem entre os mercados pode ajudar os destinos a adaptar o que promovem, quando oferecem determinadas experiências e como as entregam ao longo da temporada"

Carlos Cendra, Chief Marketing and Communications Officer da The Data Appeal Company

Para acessar o relatório The New Climate Reality in the Mediterranean: How Heatwaves Are Reshaping Traveller Perceptions, clique aqui.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.