Dança das cadeiras: qual impacto da ida de Luti Guimarães e Flávio Marques para a Sakura?
Setor vive uma das maiores mexidas em equipes da história, mas não é só na consolidação

Uma das maiores danças das cadeiras no Turismo brasileiro chega ao ápice nesta segunda-feira, 13, com o anúncio de que Luti Guimarães e Flávio Marques assumem como CEO/sócio e diretor executivo de Vendas e Expansão, respectivamente, na Sakura Consolidadora. As especulações falavam em uma possível volta para a CVC Corp ou a abertura de uma nova empresa, mas eles decidiram uma volta para o B2B e a consolidação.
O que ocorre agora? Qual o impacto dessa ida?
O primeiro é na própria Sakura. Quarta maior consolidadora do País, com vendas de pouco mais de R$ 2 bi, atrás de Confiança (mais de R$ 3 bi em vendas anuais), Flytour e Rextur Advance (cada uma com cerca de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em vendas), a consolidadora baseada na Zona Leste paulistana mira o topo (leia aqui entrevista com Luti Guimarães).
Se a meta é vender duas ou três vezes mais, colocando a empresa em outro patamar, serão necessários investimentos em pessoas, tecnologia, parcerias. O que causaria uma boa mexida no mercado que estava calmo, desde a saída de Luti da Rextur Advance/CVC Corp, cerca de cinco anos atrás.
O segundo impacto é na oferta e demanda de profissionais de qualidade. Demos a notícia que mais de 70 profissionais pediram demissão da BeFly no último mês. Alguns foram para a Pátria Consolidadora, outros para a TP Air, e também para a Sakura, entre outras marcas. Com o anúncio da ida de Luti e Flávio para a consolidadora cor de rosa, com certeza mais profissionais se interessarão pelo projeto e novas movimentações acontecerão.

Mas o vaivém segue também em outras empresas, que devem anunciar mais contratações. E a própria BeFly deve estar montando seu novo time de líderes. Alguns serão promovidos, outros virão do mercado, e assim uma nova etapa da dança das cadeiras se inicia.
O terceiro impacto pode trazer surpresas nos níveis de liderança. Nomes do passado, oportunidade para novos líderes. Cada líder que sai de um lugar ou entra em outro acaba impactando o mar das oportunidades no Turismo. Os próprios cargos de Luti e Flávio na BeFly ainda não encontraram substitutos. A BeFly sempre se refere a Sylvio Ferraz como interino na vice-presidência que era ocupada por Luciano Guimarães, e os dois interinos que cuidavam da parte de Marques pediram demissão na semana passada.

O movimento de Luti Guimarães e Flávio Marques também fortalece o setor de consolidação, em meio a uma forte onda de crescimento da venda direta. E pelo que Luti disse em sua entrevista à PANROTAS, ele aposta em fusões e aquisições, ou no mínimo parceiras estratégicas, nesse setor. Novos players, para ele, irão durar apenas se trouxerem algo novo. Com a IA em alta, tudo é possível.
Por fim, um quinto impacto dessa dança das cadeiras colossal (e vale notar que outros setores também estão com muitas mudanças – talvez a astrologia explique o fenômeno) é a valorização dos profissionais de Turismo, que veem planos de carreira e crescimento em um setor que pouco valoriza quem está na linha de frente, e dos agentes de viagens, que estão vendo investimentos grandes para que mantenham seus clientes e conquistem novos passageiros em meio à pasteurização do atendimento via IA.

Um começo de semana muito impactante e importante no Turismo brasileiro, e o início de um novo ciclo para as empresas e profissionais do setor.
Boas vendas, bons negócios e boas oportunidades a todos.