Como o B2B virou peça-chave para o crescimento do Solar e do destino Porto de Galinhas?
Hotel Solar Porto de Galinhas tem como seu principal canal de vendas as agências de viagens e operadoras

PORTO DE GALINHAS (PE) - O ano era 1994. O País, principalmente o Norte e Nordeste, passou pela epidemia da cólera. Porto de Galinhas, que começava a despontar para o Turismo, teve, na ocasião, suas praias fechadas e a hotelaria, que na época ainda se apoiava em finais de semana para veraneio, viu seus apartamentos completamente vazios por meses.
Na crise, a estratégia de se aproximar do B2B veio da Empetur, o órgão de promoção de Pernambuco. Os hotéis se uniram, criaram a Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas (AHPG) e, junto a companhias aéreas e operadoras, começaram uma forte promoção, da hotelaria da região e do destino como um todo, junto ao trade brasileiro. Roadshows, famtours e um trabalho porta a porta nas operadoras e agências deram o pontapé inicial do foco no B2B.
No meio deste bolo estava o Hotel Solar Porto de Galinhas, que foi o primeiro empreendimento da região. Otaviano Maroja, diretor comercial do hotel e filho do fundador, destaca como o B2B foi importante para impulsionar a promoção do empreendimento e do próprio destino.
"A gente descobriu que quem convence o cliente a vir para Porto de Galinhas é o agente de viagens. Desde aquela época, temos um trabalho forte na capacitação para vender o destino, porque quando começamos ninguém nos conhecia. Era sentar com o agente de viagens e abrir o mapa. O resultado é que, hoje, o B2B é o principal canal de vendas do Solar e Vivá"
Otaviano Maroja, diretor comercial do Solar e Vivá Porto de Galinhas
Lazer em família é Porto de Galinhas

Com um público de férias em família, Porto de Galinhas tem se destacado em vendas dentre as operadoras brasileiras. O que era, na década de 80, apenas uma vila de pescadores, hoje recebe mais de um milhão de visitantes ao ano, número muito impulsionado pela força do trade.
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Quando o Solar abriu as portas, no Carnaval de 1986, era a única opção de hospedagem na região. Hoje, Porto de Galinhas conta com 20 hotéis e briga entre os cinco destinos mais procurados nas principais empresas de Turismo.
Na CVC, Porto de Galinhas foi o destino mais vendido em 2025. Na Azul Viagens foi top 3 no ano passado. Visual Turismo, Bancorbrás, Decolar, Booking... Todas elas também apontam Porto de Galinhas como destaque nos últimos anos, com foco claro em viagens de lazer.

"O lazer é o nosso grande forte. Alguns hotéis têm centro de convenções, mas entre receber um grupo por dois dias e uma família por sete, a gente prefere a família", explica Otaviano.
Hoje, o grande objetivo do Solar e Vivá - bem como de todo o destino - é ampliar a estadia de brasileiros. Para tanto, a estratégia é buscar mercados mais distantes e aqueles que carecem de praias.
"O cliente de Recife fica um, dois dias. Nós sempre buscamos aquele turista que escolhe Porto de Galinhas para ser suas férias da família, então nos esforçamos para trazer quem está mais distante e que quer investir na viagem"
Otaviano Maroja, diretor comercial do Solar e Vivá Porto de Galinhas
Neste sentido, o próprio turista internacional é uma estratégia promissora. Hoje, eles permanecem até oito dias no destino, advindos principalmente da Argentina.
Concorrência é internacional

A promoção de Porto de Galinhas já vem sendo internacional há bons anos. Atualmente, o turista estrangeiro representa de 10% a 15% do número de visitantes. No Solar e Vivá, essa fatia chega a cerca de 30% de estrangeiros, com grande destaque para argentinos.
Já entre turistas europeus, Otaviano destaca uma queda desde meados de 2010, perdendo espaço para o Caribe. "Essa região tem muito voos focados no lazer. A briga pela Europa é difícil por preço: uma passagem de lá para o Nordeste é mais cara que um pacote completo para o Caribe".
Otaviano aponta, com isso, que sua concorrência é internacional. "Eu brigo com Maragogi pelo emissor paulista, mas quando o assunto é turista internacional, o argentino e o português, a briga é com Cancún e Punta Cana", disse o diretor.
A mobilidade e o número de voos são fatores importantes. "O governo tem brigado por mais voos, mas voos que tragam turistas de mercados como Assunção, Montevidéu, Santiago, Córdoba", explica.
Neste sentido, Porto de Galinhas tem se beneficiado da movimentação no Aeroporto Internacional do Recife. Apenas em janeiro deste ano, foi o terminal mais movimentado do Nordeste, com 995,3 mil passageiros, equivalente a 22,66% de toda a movimentação aérea regional.
A PANROTAS viaja a convite do Hotel Solar Porto de Galinhas.