Pedro Menezes   |   09/04/2026 17:54
Atualizada em 09/04/2026 18:30

Hotelaria alerta Congresso sobre impacto da escala 6x1 nos empregos do setor

Representantes deixaram claro que não rejeitam a discussão, mas consideram medidas compensatórias


Divulgação
Leonardo Volpatti, advogado contratado pelas entidades do setor hoteleiro, Orlando de Souza, do Fohb, Sergio Gaspar Pereira, da ABIH Nacional, e Antonio Dias, da ABIH Nacional, ABIH-SP e Resorts Brasil
Leonardo Volpatti, advogado contratado pelas entidades do setor hoteleiro, Orlando de Souza, do Fohb, Sergio Gaspar Pereira, da ABIH Nacional, e Antonio Dias, da ABIH Nacional, ABIH-SP e Resorts Brasil

ABIH-SP, Fohb e Resorts Brasil participaram hoje de uma mobilização conjunta da hotelaria nacional, em Brasília, ao lado de entidades representativas de diferentes nichos do setor, sobre a possibilidade do fim da escala 6x1, indicada recentemente pelo presidente Lula.

Segundo as entidades, a ida a Brasília serviu para mostrar ao Congresso Nacional a visão real de quem opera, emprega e sustenta a hospitalidade brasileira. A agenda incluiu presença na audiência pública realizada na Comissão de Turismo sobre a PEC que propõe o fim da escala 6x1, além de reuniões com lideranças parlamentares de campos políticos distintos.

A atuação conjunta teve como foco defender um debate mais qualificado sobre o tema, com base em dados concretos, respeito às especificidades do setor e busca de soluções equilibradas. As entidades ressaltaram que a hotelaria funciona de forma contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana, e reúne realidades muito distintas entre hotéis independentes, resorts, empreendimentos urbanos, corporativos e de lazer.

Durante os encontros, os representantes da hotelaria deixaram claro que não rejeitam a discussão sobre novas formas de organização do trabalho, mas consideram essencial que qualquer mudança venha acompanhada de desoneração e medidas compensatórias, caso avance no Congresso.

O setor alertou que uma eventual imposição uniforme, sem negociação adequada e sem considerar as particularidades econômicas e operacionais de cada empresa, pode elevar significativamente os custos de folha e comprometer a sustentabilidade dos negócios.

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de combater leituras simplificadas do mercado. Segundo os dirigentes, não é adequado tomar como referência poucos hotéis de luxo, com diárias elevadas e estruturas excepcionais, para definir uma regra geral aplicável a milhares de meios de hospedagem com perfis, margens e capacidades operacionais muito diferentes.

A avaliação predominante entre as entidades é que o tema precisa ser tratado com bom senso, negociação coletiva e responsabilidade econômica, especialmente em um momento de forte sensibilidade política.

Segundo a ABIH-SP, a hotelaria organizada conseguiu apresentar seu contraponto, expor preocupações legítimas do setor e reforçar, junto ao Parlamento, que modernizar relações de trabalho é importante, mas não pode ocorrer à custa da competitividade, do investimento e da manutenção dos empregos formais.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.