Timeshare já movimenta R$ 1,6 bilhão e amplia ocupação hoteleira no País, aponta pesquisa
Modelo de propriedade compartilhada avança e projeta crescimento de até 30% em 2026

São Paulo recebeu nesta segunda-feira (13) o Share Summit 2026, evento que demonstrou como a propriedade compartilhada já impacta diretamente o desempenho hoteleiro nacional.
Atualmente, o modelo responde por 11,5 pontos percentuais da ocupação total nos empreendimentos analisados e por 17,7% da demanda. O índice, contudo, ainda está aquém de mercados consolidados, onde a participação chega a superar os 50%, o que reforça o vasto potencial de expansão no País.
O novo levantamento conduzido pela Noctua Advisory analisou 43 empreendimentos de um universo de 63 operações identificadas no País. Juntas, as propriedades analisadas totalizaram R$ 1,6 bilhão em VGV apenas em 2025, reforçando a consistência da amostra analisada (80% das vendas em todo o Brasil).
Outro indicador relevante é o comportamento do consumidor: clientes de timeshare permanecem, em média, 0,7 dia a mais nos empreendimentos do que hóspedes tradicionais, ampliando o consumo dentro dos resorts e o impacto econômico nas propriedades.
“O timeshare no Brasil deixou de ser uma aposta e passou a ser uma alavanca real de geração de receita para a hotelaria. O que os dados mostram é um mercado que já tem escala, mas que ainda precisa evoluir em eficiência, qualidade de produto e gestão para sustentar esse crescimento no longo prazo"
Pedro Cypriano, sócio-diretor da Noctua Advisory
Apesar do avanço, o estudo também revela pontos de atenção importantes. A operação é custosa e precisa ser bem gerida para ampliar o potencial de resultados do negócio. Os custos de comercialização chegam a 14,3% do VGV bruto, além de 2,7% do VGV com o pós-vendas. Já a taxa de cancelamento atinge 25,8% dos contratos, enquanto a inadimplência média chega a 14,1%.
Apesar dos desafios, o cenário é positivo e de expansão. A expectativa média do setor é de aumento de 20% no VGV em 2026, com parte dos empreendimentos projetando crescimento superior a 30%. O crescimento das revendas dentro da base de clientes — que já representam 19,1% das vendas — também sinaliza maior maturidade e confiança no produto.
Para Fabiana Leite, diretora de Desenvolvimento de Negócios para a América do Sul da RCI – Resorts Condominiums International, os dados reforçam o papel estratégico do modelo no Turismo nacional. “Esse estudo traz uma leitura mais clara sobre o estágio do mercado e reforça o potencial do timeshare como motor de desenvolvimento de destinos turísticos no Brasil, desde que acompanhado por contínua profissionalização e foco na experiência do cliente", finalizou.