Beatriz Contelli   |   13/04/2026 16:34

Timeshare já movimenta R$ 1,6 bilhão e amplia ocupação hoteleira no País, aponta pesquisa

Modelo de propriedade compartilhada avança e projeta crescimento de até 30% em 2026


Divulgação/ Share Summit
Pedro Cypriano, sócio-diretor da Noctua Advisory
Pedro Cypriano, sócio-diretor da Noctua Advisory

São Paulo recebeu nesta segunda-feira (13) o Share Summit 2026, evento que demonstrou como a propriedade compartilhada já impacta diretamente o desempenho hoteleiro nacional.

Atualmente, o modelo responde por 11,5 pontos percentuais da ocupação total nos empreendimentos analisados e por 17,7% da demanda. O índice, contudo, ainda está aquém de mercados consolidados, onde a participação chega a superar os 50%, o que reforça o vasto potencial de expansão no País.

O novo levantamento conduzido pela Noctua Advisory analisou 43 empreendimentos de um universo de 63 operações identificadas no País. Juntas, as propriedades analisadas totalizaram R$ 1,6 bilhão em VGV apenas em 2025, reforçando a consistência da amostra analisada (80% das vendas em todo o Brasil).

Outro indicador relevante é o comportamento do consumidor: clientes de timeshare permanecem, em média, 0,7 dia a mais nos empreendimentos do que hóspedes tradicionais, ampliando o consumo dentro dos resorts e o impacto econômico nas propriedades.

“O timeshare no Brasil deixou de ser uma aposta e passou a ser uma alavanca real de geração de receita para a hotelaria. O que os dados mostram é um mercado que já tem escala, mas que ainda precisa evoluir em eficiência, qualidade de produto e gestão para sustentar esse crescimento no longo prazo"

Pedro Cypriano, sócio-diretor da Noctua Advisory

Apesar do avanço, o estudo também revela pontos de atenção importantes. A operação é custosa e precisa ser bem gerida para ampliar o potencial de resultados do negócio. Os custos de comercialização chegam a 14,3% do VGV bruto, além de 2,7% do VGV com o pós-vendas. Já a taxa de cancelamento atinge 25,8% dos contratos, enquanto a inadimplência média chega a 14,1%.

Apesar dos desafios, o cenário é positivo e de expansão. A expectativa média do setor é de aumento de 20% no VGV em 2026, com parte dos empreendimentos projetando crescimento superior a 30%. O crescimento das revendas dentro da base de clientes — que já representam 19,1% das vendas — também sinaliza maior maturidade e confiança no produto.

Para Fabiana Leite, diretora de Desenvolvimento de Negócios para a América do Sul da RCI – Resorts Condominiums International, os dados reforçam o papel estratégico do modelo no Turismo nacional. “Esse estudo traz uma leitura mais clara sobre o estágio do mercado e reforça o potencial do timeshare como motor de desenvolvimento de destinos turísticos no Brasil, desde que acompanhado por contínua profissionalização e foco na experiência do cliente", finalizou.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.