Filip Calixto   |   15/06/2026 16:29

Grupo Tauá mira expansão nacional com nova administradora hoteleira

Presidente do Conselho diz que grupo pretende crescer na gestão de ativos de terceiros

Divulgação/Grupo Tauá
Daniel Ribeiro, presidente do Conselho do Grupo Tauá, comenta o novo momento da companhia
Daniel Ribeiro, presidente do Conselho do Grupo Tauá, comenta o novo momento da companhia

O Grupo Tauá colocou em andamento um plano para ampliar sua presença no mercado brasileiro por meio da administração de hotéis e resorts de terceiros. A estratégia marca uma nova etapa de crescimento da companhia, que passa a apostar também no modelo asset light, baseado na separação entre propriedade e operação dos empreendimentos.

A iniciativa será conduzida pela Tauá Administradora Hoteleira, nova unidade de negócios da companhia. Segundo o presidente do Conselho do grupo, Daniel Ribeiro, o objetivo é utilizar a experiência acumulada em quase 40 anos de atuação para expandir a operação sem a necessidade de investimentos equivalentes aos exigidos pela construção de novos resorts.

"O Tauá lançou a Tauá Administradora Hoteleira como uma forma de usar essa expertise para crescer sem uma necessidade de investimento tão grande quanto o nosso negócio hoteleiro exige"

Daniel Ribeiro

O movimento ocorre em paralelo à abertura do Tauá Resort João Pessoa, prevista para 1º de julho. Com investimento de R$ 700 milhões, o empreendimento representa o maior aporte da história da companhia e simboliza a estratégia de crescimento em duas frentes: expansão dos ativos próprios e ampliação da atuação por meio da gestão de empreendimentos de terceiros.

Instalado em uma área de 300 mil metros quadrados no Polo Turístico Cabo Branco, o resort terá mais de 1,1 mil quartos quando estiver totalmente concluído. Nesta primeira fase, serão entregues 514 unidades habitacionais. A estrutura foi projetada para receber até 5 mil hóspedes simultaneamente.

Mercado de resorts no radar

Na avaliação de Ribeiro, a nova operação surge em um momento em que existe espaço para consolidação da gestão profissional no segmento de lazer.

Segundo ele, muitas empresas familiares do setor enfrentam desafios relacionados à sucessão e à profissionalização da administração, abrindo oportunidades para operadores especializados.

"O setor brasileiro está muito concentrado na hotelaria executiva e de negócios. Já no segmento de resorts e lazer existe uma carência de administradoras especializadas"

Daniel Ribeiro

A expectativa do executivo é encontrar oportunidades em diferentes regiões do País, especialmente junto a empreendimentos que buscam melhorar resultados operacionais sem abrir mão da propriedade dos ativos.

Asset light deve ganhar espaço

Ribeiro avalia que a separação entre propriedade e operação tende a se consolidar na hotelaria brasileira nos próximos anos, repetindo um movimento já observado em mercados internacionais.

Segundo ele, a evolução desse modelo dependerá do amadurecimento do mercado imobiliário voltado para hotelaria e do aumento da participação de fundos de investimento no setor. "A separação entre quem detém o ativo e quem opera a experiência é um caminho sem volta para o Brasil", disse.

Divulgação
Projeto de Asset Light com a Tauá Administradora Hoteleira vem num momento em que o grupo prepara a inauguração de seu mais novo resort, o Tauá Resort João Pessoa
Projeto de Asset Light com a Tauá Administradora Hoteleira vem num momento em que o grupo prepara a inauguração de seu mais novo resort, o Tauá Resort João Pessoa

Na visão do executivo, a tendência é que investidores e fundos assumam cada vez mais a propriedade dos empreendimentos, enquanto empresas especializadas fiquem responsáveis pela gestão e pela operação hoteleira.

Turismo internacional e entretenimento

Entre as oportunidades para a próxima década, Ribeiro destaca o crescimento do fluxo internacional de turistas para o Brasil e a expansão dos investimentos em entretenimento integrado aos resorts.

Segundo ele, o setor tem observado uma demanda crescente por empreendimentos que ofereçam atrações próprias, permitindo que o visitante concentre grande parte da experiência de viagem dentro do próprio complexo. "O entretenimento está cada vez mais acoplado à hotelaria", afirmou.

O executivo também revelou que o grupo mantém negociações avançadas relacionadas a projetos próximos a grandes polos de entretenimento, embora não tenha detalhado quais iniciativas estão em discussão.

Experiência supera o destino

Na avaliação de Ribeiro, uma das principais mudanças no comportamento do consumidor é a busca por experiências mais completas durante a viagem.

Bem-estar, contato com a natureza, gastronomia, lazer familiar e atendimento personalizado aparecem entre as demandas que mais crescem no mercado global de turismo.

O executivo afirma que essa tendência tem sido observada em visitas técnicas e benchmark realizados pelo grupo em mercados internacionais e deve influenciar cada vez mais o desenvolvimento dos resorts brasileiros.

Para ele, a experiência oferecida ao hóspede passa a ter peso semelhante ou superior ao próprio destino turístico na decisão de compra.


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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes