Grupo Tauá mira expansão nacional com nova administradora hoteleira
Presidente do Conselho diz que grupo pretende crescer na gestão de ativos de terceiros

O Grupo Tauá colocou em andamento um plano para ampliar sua presença no mercado brasileiro por meio da administração de hotéis e resorts de terceiros. A estratégia marca uma nova etapa de crescimento da companhia, que passa a apostar também no modelo asset light, baseado na separação entre propriedade e operação dos empreendimentos.
A iniciativa será conduzida pela Tauá Administradora Hoteleira, nova unidade de negócios da companhia. Segundo o presidente do Conselho do grupo, Daniel Ribeiro, o objetivo é utilizar a experiência acumulada em quase 40 anos de atuação para expandir a operação sem a necessidade de investimentos equivalentes aos exigidos pela construção de novos resorts.
"O Tauá lançou a Tauá Administradora Hoteleira como uma forma de usar essa expertise para crescer sem uma necessidade de investimento tão grande quanto o nosso negócio hoteleiro exige"
Daniel Ribeiro
O movimento ocorre em paralelo à abertura do Tauá Resort João Pessoa, prevista para 1º de julho. Com investimento de R$ 700 milhões, o empreendimento representa o maior aporte da história da companhia e simboliza a estratégia de crescimento em duas frentes: expansão dos ativos próprios e ampliação da atuação por meio da gestão de empreendimentos de terceiros.
Instalado em uma área de 300 mil metros quadrados no Polo Turístico Cabo Branco, o resort terá mais de 1,1 mil quartos quando estiver totalmente concluído. Nesta primeira fase, serão entregues 514 unidades habitacionais. A estrutura foi projetada para receber até 5 mil hóspedes simultaneamente.
Mercado de resorts no radar
Na avaliação de Ribeiro, a nova operação surge em um momento em que existe espaço para consolidação da gestão profissional no segmento de lazer.
Segundo ele, muitas empresas familiares do setor enfrentam desafios relacionados à sucessão e à profissionalização da administração, abrindo oportunidades para operadores especializados.
"O setor brasileiro está muito concentrado na hotelaria executiva e de negócios. Já no segmento de resorts e lazer existe uma carência de administradoras especializadas"
Daniel Ribeiro
A expectativa do executivo é encontrar oportunidades em diferentes regiões do País, especialmente junto a empreendimentos que buscam melhorar resultados operacionais sem abrir mão da propriedade dos ativos.
Asset light deve ganhar espaço
Ribeiro avalia que a separação entre propriedade e operação tende a se consolidar na hotelaria brasileira nos próximos anos, repetindo um movimento já observado em mercados internacionais.
Segundo ele, a evolução desse modelo dependerá do amadurecimento do mercado imobiliário voltado para hotelaria e do aumento da participação de fundos de investimento no setor. "A separação entre quem detém o ativo e quem opera a experiência é um caminho sem volta para o Brasil", disse.

Na visão do executivo, a tendência é que investidores e fundos assumam cada vez mais a propriedade dos empreendimentos, enquanto empresas especializadas fiquem responsáveis pela gestão e pela operação hoteleira.
Turismo internacional e entretenimento
Entre as oportunidades para a próxima década, Ribeiro destaca o crescimento do fluxo internacional de turistas para o Brasil e a expansão dos investimentos em entretenimento integrado aos resorts.
Segundo ele, o setor tem observado uma demanda crescente por empreendimentos que ofereçam atrações próprias, permitindo que o visitante concentre grande parte da experiência de viagem dentro do próprio complexo. "O entretenimento está cada vez mais acoplado à hotelaria", afirmou.
O executivo também revelou que o grupo mantém negociações avançadas relacionadas a projetos próximos a grandes polos de entretenimento, embora não tenha detalhado quais iniciativas estão em discussão.
Experiência supera o destino
Na avaliação de Ribeiro, uma das principais mudanças no comportamento do consumidor é a busca por experiências mais completas durante a viagem.
Bem-estar, contato com a natureza, gastronomia, lazer familiar e atendimento personalizado aparecem entre as demandas que mais crescem no mercado global de turismo.
O executivo afirma que essa tendência tem sido observada em visitas técnicas e benchmark realizados pelo grupo em mercados internacionais e deve influenciar cada vez mais o desenvolvimento dos resorts brasileiros.
Para ele, a experiência oferecida ao hóspede passa a ter peso semelhante ou superior ao próprio destino turístico na decisão de compra.