Artur Luiz Andrade   |   13/10/2026 09:22

Assist Card vê Brasil crescer cerca de 25% e reforça estratégia de coberturas elevadas

Empresa também começa a atuar na Espanha, Portugal e na Ásia

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Carlos Stefani, CEO da Assist Card
Carlos Stefani, CEO da Assist Card

BUENOS AIRES - O Brasil é um dos principais mercados para a expansão da Assist Card e o crescimento acumulado até setembro deste ano comprova isso. A companhia projeta crescimento de aproximadamente 25% em dólares no País, que vem apresentando desempenho superior ao de outros mercados da América Latina. A perspectiva acompanha o avanço da demanda por seguro viagem e a maior familiaridade dos brasileiros com a contratação de serviços digitais.

Em entrevista exclusiva à PANROTAS, na sede da empresa, em Buenos Aires, o CEO global da Assist Card, Carlos Stefani, e o country manager Brasil, Alexandre Camargo, falaram sobre a importância do mercado brasileiro, os planos de expansão internacional, com a chegada na Espanha e em Portugal, e os diferenciais da companhia (como um app 100% controlado pela empresa), em um segmento que também atrai novos concorrentes.

De acordo com Stefani, o mercado brasileiro tem papel importante no desempenho da companhia. A Assist Card projeta crescer cerca de 25% em dólares no País, enquanto a expectativa para a América Latina é de expansão superior a 10%. O Brasil briga com o México pelo segundo lugar em vendas na região, com o primeiro lugar ainda com a Argentina, onde está a sede da empresa, hoje parte do grupo Starr.

Além do potencial de vendas, Stefani destacou a evolução do comportamento dos viajantes, com maior utilização de canais digitais e uma crescente percepção da importância de contar com proteção durante as viagens. A chegada da inteligência artificial, que já tem projetos dentro da Assist Card, deve acelerar esse uso nos modos digitais, e criar ainda mais facilidades para os clientes.

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Carlos Stefani, CEO da Assist Card, e Alexandre Camargo, country manager Brasil
Carlos Stefani, CEO da Assist Card, e Alexandre Camargo, country manager Brasil

A conscientização sobre o seguro viagem, porém, ainda é um desafio. Segundo ele, quando o consumidor não compreende a importância da cobertura, o preço pode se tornar o principal critério de decisão, favorecendo produtos mais baratos, mas que nem sempre oferecem proteção suficiente para situações médicas complexas.

O executivo observa que a companhia já enfrentou dificuldades competitivas ao priorizar o aumento das coberturas. No passado, havia produtos com limites de US$ 10 mil ou US$ 15 mil para despesas médicas. A Assist Card decidiu elevar progressivamente esses valores, mesmo sabendo que isso poderia tornar seus preços menos competitivos diante de alternativas de menor cobertura.

Hoje, no Brasil, a empresa oferece produtos com cobertura médica de até US$ 3 milhões. Cerca de 65% das vendas no País são de planos com cobertura superior a US$ 150 mil, segundo os dados apresentados por Camargo. Uma prova de que a estratégia da companhia deu certo e de que o brasileiro sabe que qualquer imprevisto com internação no Exterior requer uma cobertura robusta.

Despesas médicas elevadas no Exterior geralmente estão associadas a internações prolongadas, especialmente em destinos com custos de saúde altos, como os Estados Unidos. Embora situações que exijam coberturas muito elevadas sejam menos frequentes, elas podem gerar despesas que ultrapassam US$ 1 milhão.

A estratégia, portanto, é ampliar a proteção sem deixar de considerar o preço. “O desafio nosso, e hoje a tecnologia nos ajuda, é ser a companhia premium a um preço acessível para todos os viajantes”, afirmou Stefani, ao explicar que a Assist Card não pretende necessariamente ser a opção mais barata, mas quer manter seus produtos em uma faixa de preço que permita ao consumidor optar por uma empresa que transmita confiança. E com a cobertura adequada para atendimento no Exterior.

Expansão internacional e estrutura própria

A expansão internacional também faz parte dos planos da companhia. Depois de entrar na Espanha, a Assist Card tem Portugal no radar. O grupo também atua na Ásia por meio da operação de seguro viagem da Starr, presente em mercados como China, Tailândia, Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong e Filipinas, sob a marca Assist Card Powered by Starr.

A estratégia combina expansão geográfica, tecnologia e integração das operações. Segundo Stefani, a estrutura da companhia é um diferencial em um setor no qual novos concorrentes podem entrar no mercado com modelos mais enxutos, concentrados em tecnologia, marketing ou distribuição.

No Brasil, por se tratar de uma atividade regulada, a operação exige acordos com seguradoras. A Assist Card destaca que conta com seguradora própria dentro do grupo, além da empresa responsável pela distribuição e pela marca, o que lhe permite manter maior controle sobre o produto e a prestação do serviço.

O CEO reconhece que a tecnologia tornou mais acessível a entrada de novos participantes no segmento. Há empresas que trabalham com nichos específicos de viajantes ou destinos, enquanto grandes seguradoras podem aproveitar uma base de clientes já existente em outras linhas de negócio para oferecer seguro viagem.

Para o executivo, há espaço para concorrência, mas a Assist Card aposta na experiência acumulada, na infraestrutura internacional e na capacidade de atender o viajante quando ocorre um imprevisto. A companhia também afirma manter uma estratégia de longo prazo, em vez de competir exclusivamente por preço.

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Carlos Stefani, CEO da Assist Card
Carlos Stefani, CEO da Assist Card

Aplicativo próprio e atendimento digital

Entre os diferenciais da Assist Card está o uso de canais digitais para facilitar o contato com os viajantes. Mais de 60% dos contatos de atendimento já acontecem por meios digitais, como o aplicativo próprio e o WhatsApp.

A mudança também alterou a forma como a empresa avalia a eficiência do atendimento. Stefani explica que, no passado, era especialmente importante resolver os casos durante a primeira ligação, porque uma interrupção podia dificultar o contato posterior com o cliente. Em algumas situações, a equipe precisava recorrer ao hotel para conseguir falar com o viajante.

Com o avanço do aplicativo e do WhatsApp, manter o contato se tornou mais simples. Isso permite acompanhar o caso por diferentes canais e reduz a dependência de uma única ligação telefônica.

O aplicativo também dá acesso a serviços de assistência médica. A operação inclui telemedicina, triagem e conexão com médicos, com tempo médio informado de aproximadamente sete minutos para chegar ao atendimento médico. Dependendo do destino e da situação, também é possível emitir receitas digitais ou encaminhar o viajante para atendimento presencial.

A oferta inclui ainda serviços complementares, como acompanhamento de bagagem, eSIM e benefícios relacionados a atrasos ou cancelamentos de voos, incluindo acesso a salas VIP em determinadas condições. O atendimento no app tem uma média de apenas sete minutos e com a IA em breve realizando a parte inicial da triagem, isso pode diminuir ainda mais.

A companhia monitora também avaliações e comentários em plataformas digitais e redes sociais, utilizando esse retorno para acompanhar a experiência dos clientes.

Para Stefani, a infraestrutura de atendimento e a capacidade de acompanhar o viajante em diferentes países são fatores que diferenciam a Assist Card de empresas que operam com estruturas menores ou dependem de parceiros para parte dos serviços.

O executivo conclui reafirmando que a companhia pode perder algumas vendas para concorrentes que oferecem preços mais baixos, especialmente quando o consumidor ainda não reconhece a importância de uma cobertura mais ampla. A avaliação da empresa, no entanto, é que essa perda tende a ser circunstancial diante de sua estratégia de longo prazo. Para a Assist Card, a evolução do mercado brasileiro depende não apenas do crescimento das viagens, mas também de uma compreensão maior, por parte do consumidor, dos riscos envolvidos e da importância de escolher uma cobertura adequada.



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Sobre o autor

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.