CONSOLIDADORAS

Beto Santos explica por que vendeu a Esferatur à CVC

Emerson Souza
"Não venderia minha alma ao diabo", diz o fundador da Esferatur, Roberto Santos, sobre venda para a CVC Corp. Ele garante que DNA permanece o mesmo
Pouca coisa muda na Esferatur com a aquisição feita pela CVC Corp na manhã desta terça-feira, por R$ 245 milhões. Marca, escritório, bases, sistema de vendas, colaboradores e diretores. A consolidadora continuará como concorrente da Rextur Advance. Quem assim avalia é o fundador da Esferatur, Roberto Santos, que de presidente se tornou diretor geral da empresa, cadeira em que continuará sentado pelo menos até 2021.

Beto Santos se restringe a resumir desta maneira principalmente pela espera da autorização das autoridades governamentais, mas independentemente das novidades que virão - se os sistemas de vendas vão migrar, se as bases regionais vão se convergir, entre outras questões levantadas pelo mercado - ele garante: a Esferatur permanece com o mesmo DNA, e o impacto disso para os mais de 400 colaboradores da empresa e para seus clientes, agentes de viagens, será o menor possível.

LEIA MAIS:
CVC Corp anuncia aquisição da Esferatur por R$ 245 milhões

"Tudo ainda é muito recente, mas nada muda para quem trabalha para a Esferatur e muito menos para os agentes de viagens. São marcas distintas, com DNAs distintos. Com o passar do tempo algumas coisas podem se ajustar, mas a linha de negócios é a mesma e faremos com que no futuro seja melhor para todos", garante o empresário, que vê a venda como uma grande conquista.

"É uma oportunidade muito grande para os sócios da Esferatur e uma oportunidade enorme para os nossos colaboradores. Temos muitos talentos na nossa consolidadora, e isso certamente atraiu a CVC Corp. Contamos com pessoas muito boas, gente que está conosco há décadas. Tínhamos o sonho de vencer e ser a maior empresa de Turismo do Brasil, e sozinho seria muito difícil. Com essa aquisição, meu neto, que hoje tem pouco mais de um ano, vai dizer que seu avô contribuiu com uma parte desse negócio para ele se tornar o que é. Vou continuar trabalhando para colocar a CVC Corp entre as maiores do mundo. Potencial e gente séria para isso os dois lados têm."

O executivo faz questão de frisar que, durante toda a negociação, o maior cuidado da Esferatur era com seu recurso humano, segundo ele, reconhecido pela sua capacidade de bem atender.

Emerson Souza
O time de executivos da Esferatur: Fábio da Luz, Carlos Vazquez, Beto Santos, Eduardo Camargo e Elza Breia. Faltou apenas Sérgio Clock
O time de executivos da Esferatur: Fábio da Luz, Carlos Vazquez, Beto Santos, Eduardo Camargo e Elza Breia. Faltou apenas Sérgio Clock
"Podemos contar nos dedos os clientes que deixaram de emitir conosco ao longo desses 26 anos de trajetória, e isso graças à nossa proximidade com eles. Não somos máquina, não tratamos ninguém como números e assim vamos continuar. Entendemos que cada agência tem suas necessidade, e temos uma das melhores equipes de profissionais do Brasil disposta a atendê-las. Os agentes de viagens que já tinham orgulho de atuar ao lado da Esfera, agora podem ter ainda mais, pois temos o respaldo de um dos maiores conglomerados da América Latina. Com tanta coisa ruim acontecendo no País, é uma honra fazer essa movimentação com tanta transparência, competência e honestidade. Eu garanto: não venderia nossa alma ao diabo".

Orgulho também em estar sob o mesmo guarda-chuva de uma consolidadora que sempre admirou. Beto Santos vê na figura de Marcelo Sanovicz, fundador da Advance, um empresário honesto e constantemente preocupado no fator humano. "Sempre trocamos muitas ideias. Tenho Marcelo como uma figura exemplar, honesta, transparente, que quer o bem do mercado e é muito inteligente em suas decisões. Eu era mais próximo da Advance do que da Rextur, mas reconheço que sem a figura de Goiaci Guimarães, fundador da Rextur, o mercado de consolidação não seria o que é hoje, e talvez nem existisse."

Por ora a Esferatur se mantém no mesmo escritório, na rua da Consolação, para onde se mudou no ano passado, mas Beto Santos, esse sim está de mudança. Vem de Blumenau (SC) à capital paulista, já que as exigências serão maiores, embora as horas de sono estejam reduzidas no atual momento. "Ficarei ainda mais perto da equipe, para manter todos motivados. Estou feliz com o momento e tenho certeza de que fiz a coisa certa. A primeira impressão é a que fica, e a forma com que a CVC Corp nos recebeu é um orgulho para nós. Agora perpetuamos nossa empresa e vamos dar chance para nossos profissionais de valor."

QUADRO SOCIETÁRIO
Com o negócio, Beto Santos, que tinha 47% da empresa, não é mais sócio da Esfera, mas o restante permanece com suas margens, pois parte do pagamento é em ações da CVC Corp. Até mesmo Carlos Vazquez, até então VP da Esfera, que tinha 28%. Ele também segue como presidente executivo da Air Tkt.

Elza Breia, Gustavo Pavan e Eduardo Camargo (Campinas-SP), Fabio da Luz (Rio de Janeiro) e o CFO Sérgio Klock detêm o restante.

ORINTER
Desvinculada da Esferatur desde o final do ano passado, a Orinter Tour & Travel ainda tem os sócios da consolidadora em seu quadro, e assim continuará. A operadora, aliás, continuará como cliente da Esfera. "Esse processo foi transparente, feito de comum acordo com a CVC Corp. Os sócios não podem exercer nenhuma função executiva. A Orinter continuará como cliente da Esfera."

TRAJETÓRIA
Em 1990, nascia em Blumenau (SC), a Orinter, como agente geral de vendas (GSA) da Air France e American Airlines. Assim começou a trajetória de Beto Santos rumo ao que hoje é uma das três maiores vendedoras de bilhetes do País.

Atento às mudanças do mercado, o empresário viu que os GSAs desapareceriam para dar lugar à figura do consolidador. Para chegar lá, precisava ser Iata, o que era uma conquista muito difícil naquela década. "Achei uma empresa com Iata desativado em Curitiba, e assim nasceu a Esferatur. A partir de março de 1999 iniciamos a consolidação na Esferatur."

"Depois da expansão pelo Sul, começando por Paraná e Santa Catarina, o Carlinhos [Carlos Vazquez], meu amigo de longa data, propôs a abertura de filial em São Paulo", relembra Santos. "Em São Paulo não se chega como peixe pequeno. É preciso ter poder, expertise e know how no setor e vi tudo isso na figura de Vazquez", completa.

Sociedade aberta e consolidada em São Paulo, era hora de ir ao Rio de Janeiro, onde a principal figura da Esfera é Fábio da Luz. Em 2008 a companhia se consolidava no mercado carioca. Outro mercado de muita força da companhia, o interior de São Paulo foi conquistado principalmente após a fusão com a Mixtur, de Elza Breia, um dos nomes fortes da Esferatur e responsável pela consolidação no Estado a partir de Campinas (SP).

Hoje a Esferatur briga com a Flytour Gapnet pelo segundo lugar na corrida da consolidação aérea, ambas próximas dos R$ 2 bilhões em vendas. A líder desse ranking é a Rextur Advance, com mais de R$ 3 bilhões. A meta da CVC Corp com a consolidação é chegar aos R$ 6 bilhões em 2018.


 AVALIE A IMPORTÂNCIA DESTA NOTÍCIA