O que tira o sono das consolidadoras nesta crise

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Emerson Souza
Ralf Aasmann, diretor executivo da AirTkt
Ralf Aasmann, diretor executivo da AirTkt
Saúde financeira das companhias aéreas, adimplência das agências de viagens e manutenção do maior número de empregos possível em toda a cadeia produtiva do Turismo. Todos estão preocupados com o cenário em que vivemos e, na AirTkt, a entidade representante de algumas das maiores consolidadoras de bilhetes aéreos do Brasil, esses são os três itens de maior atenção no momento.

"Saúde das companhias aéreas, pois sem elas basicamente não temos produto para vender. Estamos de perto avaliando a situação na esperança de que tudo corra da melhor maneira possível, com ou sem ajuda externa", afirma o diretor executivo da AirTkt, Ralf Aasmann.

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Home office é praticado por quase todos os profissionais da consolidação durante a crise
Home office é praticado por quase todos os profissionais da consolidação durante a crise
De acordo com ele, as vendas das consolidadoras caíram 85% no período que antecedeu o "estouro" da crise, isto é, quando fronteiras foram fechadas e a aviação começou a oferecer menos de 10% de sua capacidade habitual. Hoje, com "o mundo em quarentena" e o Turismo parado, as vendas das consolidadoras são praticamente inexistentes, e as equipes estão concentrando em remanejamento dos passageiros. Já vemos, por meio de empresas aéreas internacionais e nacionais, promoções para o segundo semestre, o que pode levar ao aumento de vendas nas consolidadoras (tem empresa americana com bilhete a US$ 180, ida e volta, para os Estados Unidos, lembrando bastante a época pós-11 de setembro e pós-crise de 2008).

Embora represente apenas uma das partes integrantes da cadeia produtiva (parte essencial no modelo brasileiro, principalmente corporativo), todo o Turismo está sofrendo como nunca, e aí se encontra mais uma preocupação das consolidadoras: ter os compromissos honrados pelas clientes que correm o risco de estarem sem caixa.

"A inadimplência das agências parceiras preocupa, naturalmente", reconhece Aasmann. Praticamente sem vendas, as consolidadoras conseguiram um respiro no pagamento ao fornecedor, mas apenas essa boa notícia pode ser insuficiente para a manutenção das mesmas, daí a preocupação com o pagamento das agências e TMCs.

Por fim, outra preocupação no topo da lista da AirTkt é com os empregos em toda a indústria. "Companhias aéreas, agências, operadoras, TMCs... Estamos realmente preocupados com os profissionais em todos os níveis. Essa na verdade é uma preocupação de todos, mas no Turismo é ainda mais latente", afirma Aasmann, que garante: as associadas AirTkt não têm demissões, inadimplência ou problemas de caixa para ser notificadas no momento.

"Todos esperamos que toda essa situação acabe logo. Vamos voltar mais fortes e unidos desta crise", conclui o diretor executivo.
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