Veja quais serão os protocolos para a temporada brasileira de cruzeiros

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PANROTAS / Emerson Souza
Marco Ferraz
Marco Ferraz
A temporada brasileira de cruzeiros vai voltar. De 31 de outubro a 19 de abril de 2022 os portos nacionais devem retomar a movimentação de viajantes que ficou suspensa desde 2020. A maneira como os processos acontecem, entretanto, não serão mais as mesmas. Desde o embarque até as excursões, passando pela rotina dentro dos navios, vão funcionar em um novo formato, tudo de acordo com protocolos de segurança contra a covid-19.

Esses protocolos são estabelecidos pelas própria companhias e pela Clia Brasil, que submeteu as práticas ao crivo da Anvisa e vai utilizar métodos já adotados internacionalmente.

Um resumo dos protocolos que valerão na próxima temporada pode ser visto a seguir:

EMBARQUE
Teste pré-embarque em todos os hóspedes com triagem rigorosa feita por um corpo médico em cada porto. Tripulantes com três testes antes do embarque (na cidade onde moram, na chegada do avião ao destino de onde o navio parte e uma terceira vez antes de embarcar) e a cada semana a bordo.

CAPACIDADE MENOR
A princípio, os navios vão operar com 70% da sua capacidade máxima de hóspedes.

A BORDO
Uso de máscaras em momentos indicados, distanciamento físico, menor ocupação, ar fresco sem recirculação, desinfecção e higienização constantes.

SAÚDE A BORDO
Plano de contingência, corpo médico especialmente treinado para avaliações constantes, monitoramento contínuo por dispositivos pessoais e pela tripulação treinada, estrutura com todos os modernos recursos para atendimento dos hóspedes e tripulantes.

EXCURSÕES
Protocolos especiais, coordenação com os municípios, cancelamento do reembarque para hóspedes que não cumprem as regras.

Além desses protocolos gerais, cada companhia, no caso a Costa Cruzeiros e a MSC Cruzeiros, tem seu próprio programa de saúde e segurança, com medidas extras que se somam às da Clia Brasil.

ENTREVISTA
O detalhamento dos protocolos foi feito pelo presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, que falou sobre o tema em entrevista concedida à Revista PANROTAS na edição, 1.470, que trata da volta dos cruzeiros.

O executivo fez previsões otimistas para a volta do Turismo de navegação e lembrou que a próxima temporada brasileira vai oferecer 566 mil leitos (cerca de 36 mil a mais que na temporada 2019/2020, que contabilizou 530 mil acomodações), em 129 roteiros de viagens, com mais de 500 escalas. Tudo isso com sete embarcações - cinco da MSC e duas da Costa.

“São números de uma temporada interessante, que tem a previsão de gerar cerca 35 mil empregos, R$ 2,5 bilhões em receitas e R$ 330 milhões em impostos”, pontua o presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, sublinhando a magnitude dessa indústria e o potencial de crescimento que ela tem no Brasil. “Temos um potencial enorme por aqui e, aos poucos, vamos começar a utilizar melhor os destinos e a demanda existente”, complementa.

Divulgação/ Pier Mauá
Pier Mauá, Rio de Janeiro
Pier Mauá, Rio de Janeiro

Veja abaixo um trecho da entrevista:


PANROTAS – Com a oferta já determinada, como a Clia estima que sejam as vendas de cruzeiros para a temporada que começa em outubro?
MARCO FERRAZ – Os números de vendas específicos para esta temporada ainda não estão muito claros, mas as remarcações de viagens que eram para ocorrer na temporada passada e foram transferidas para a próxima têm sido um sucesso.

Mas sim, a procura existe e tem muita gente comprando, inclusive para 2023. Associados nossos têm tido bom desempenho também nas viagens de volta ao mundo, o que tem sido uma surpresa agradável.

PANROTAS – A Clia organizou um protocolo global de segurança para as viagens de navio. Como isso será aplicado aqui? Teve participação da Anvisa?
FERRAZ – Aqui vale contar como surgiram os protocolos. Em 13 de março do ano passado, a Clia paralisou voluntariamente as operações dos seus associados. A paralisação, contudo, não foi imediata e durou algumas semanas, pois muitos portos e fronteiras estavam fechados e foi necessário trabalhar no resgate desses passageiros e tripulações. Nesse momento, com uma série de barcos sendo estacionados e as operações paralisadas, as companhias se uniram com especialistas em saúde e organizaram um protocolo único que vale para todas elas.

Esse protocolo já está valendo nos países onde as viagens de cruzeiro voltaram e deve ser testado com mais abrangência e colocado à prova a partir de junho, quando muitas operações voltam a acontecer no Caribe.

Já começamos as reuniões com a Anvisa, dando continuidade ao nosso trabalho sempre feito em estreita colaboração com as autoridades responsáveis. Estamos definindo um cronograma para que nos próximos meses possamos ter a aprovação da temporada, confiantes de que os procedimentos de segurança preparados pelo setor possam atender aos mais altos graus de exigência, sempre prontos para possíveis ajustes de acordo com o cenário da pandemia.

PANROTAS – Como é o diálogo da Clia e das armadoras que atuam no Brasil com o poder público para transmitir segurança nessa volta?
FERRAZ – Temos recebido bastante incentivo do poder público. Fizemos recentemente algumas rodadas de reunião com a participação dos 14 destinos de cruzeiro e de representantes do governo. Temos tido bastante proximidade do MTur (Ministério do Turismo), assim como das pastas da Infraestrutura, com o ministro Tarcísio de Freitas, das Relações Exteriores, da Economia e da Justiça. Também temos contato próximo e apoio da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), assim como da Polícia e da Receita Federal.

Max Haack/Secult Salvador
Porto de Salvador
Porto de Salvador
PANROTAS
– Analisando o mercado global de cruzeiros, como e por onde se desenha essa retomada?
FERRAZ – Os primeiros sinais de volta aconteceram na Europa, que é um continente muito próximo dessa indústria. Os grandes estaleiros estão lá, a maior par- te dos navios também é construída por ali e 28% da frota mundial navega em mar europeu. Depois foram retornando os cruzeiros pelo sul do Pacífico e em breve voltam as operações do Caribe, que é a região que concentra 33% da frota mundial.

Acredito que no meio do ano tenhamos um acréscimo considerável de viagens de navio e até o final de 2021 teremos reforços importantes.

PANROTAS – Que dica daria para o agente de viagens nesse momento de retomada próxima e já pensando no início da temporada brasileira?
FERRAZ – Agente de viagens e companhia de cruzeiros são e têm que ser melhores amigos. São os agentes os profissionais responsáveis por 90% das vendas de cruzeiros nacionais e por 70% da internacionais vendidas aqui. Sendo assim, mais do que nunca, é o momento de o agente se capacitar, entender que existe um cruzeiro para cada tipo de passageiro, basta fazer o “match” que esse viajante vira um cruzeirista de carteirinha e quem se especializar certamente terá bons resultados.

Na Clia, temos 13 mil agências filiadas e 50 mil pro- fissionais fazendo os mais de 50 cursos que oferecemos. Queremos trazer isso para dentro do Brasil e prover esse treinamento melhorando a qualificação desses parceiros.

A entrevista completa com Marco Ferraz está na edição 1.470 da Revista PANROTAS, que você pode ler a seguir:

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