Pedro Menezes   |   06/05/2026 13:42

OMS monitora surto de hantavírus em cruzeiro e avalia risco global como baixo

OMS reforça que o evento não justifica, neste momento, restrições a viagens ou ao comércio internacional

Divulgação
MV Hontius, da Oceanwide Expeditions
MV Hontius, da Oceanwide Expeditions

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que acompanha de perto o surto de hantavírus registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hontius, da Oceanwide Expeditions, que partiu da América do Sul rumo ao Atlântico Sul e atualmente está ancorado próximo a Cabo Verde, na África.

A entidade internacional classificou o risco global do evento como baixo, embora ressalte a necessidade de monitoramento contínuo.

O episódio envolve um total de sete casos, sendo dois confirmados laboratorialmente e cinco suspeitos, entre passageiros e tripulantes. Os quadros clínicos começaram entre 6 e 28 de abril e evoluíram, em alguns casos, para complicações respiratórias graves, como pneumonia e síndrome respiratória aguda.

A embarcação, com 147 pessoas a bordo, partiu de Ushuaia em 1º de abril e percorreu uma rota por regiões remotas e ambientalmente sensíveis, incluindo a Antártica, ilhas subantárticas e territórios no Atlântico Sul. O contato dos passageiros com fauna local durante a viagem ainda está sob investigação.

Apesar da gravidade dos casos individuais, a OMS reforça que o evento não justifica, neste momento, restrições a viagens ou ao comércio internacional. A orientação é de vigilância, sobretudo para viajantes que estiveram em áreas com presença do vírus.

Transmissão segue como principal ponto de atenção

Segundo a OMS, o hantavírus é uma doença viral rara, porém potencialmente fatal, transmitida principalmente por meio do contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A entidade destaca que a maioria dos casos ocorre em áreas rurais ou naturais, onde há maior exposição a esses animais.

Embora a transmissão entre humanos não seja comum, já houve registros em surtos anteriores associados ao vírus Andes, predominante na América do Sul. Por isso, a OMS afirma que essa possibilidade não pode ser descartada neste caso, especialmente considerando o ambiente fechado de um navio.

Resposta internacional coordenada

A gestão do surto envolve uma resposta conjunta entre autoridades de saúde de diferentes países, incluindo Cabo Verde, Países Baixos, Espanha, África do Sul e Reino Unido.

Entre as medidas adotadas estão:

  • Isolamento dos passageiros em cabines;
  • Investigação epidemiológica para identificar a origem da exposição;
  • Rastreamento de contatos, inclusive em voos internacionais;
  • Evacuação médica de casos graves;
  • Coleta e envio de amostras para laboratórios especializados.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.