Rodrigo Vieira   |   01/06/2026 16:29

Mestres dos Mares: conheça a história de Orlando Palhares

Executivo cuidou da área de Produto Marítimo da CVC Corp por mais de 20 anos


Divulgação
Orlando Palhares cuidou da área de Produtos Marítimos da CVC Corp por mais de 20 anos
Orlando Palhares cuidou da área de Produtos Marítimos da CVC Corp por mais de 20 anos

A relação de Orlando Palhares com os navios começou muito antes de ele pisar em um. Nascido em Carmo da Mata, no interior de Minas Gerais, ele cresceu ouvindo as histórias de seus avós italianos, da região da Lombardia e de Cremona, que cruzaram o Atlântico como muitos europeus à época em busca de uma nova vida. O destino original era a Argentina, mas um roubo a bordo mudou os planos. Sem recursos, a família desembarcou no Rio de Janeiro e foi trabalhar em uma fazenda em Cláudio, Minas Gerais. "Por pouco não nasci argentino", brinca Orlando.

"Eu escutava muita história do meu avô, que veio de travessia marítima da Itália. Os navios eram um parque de diversões onde as pessoas se juntavam, namoravam e saíam juntos. Pensando bem... esse lado não é muito diferente de hoje."

Orlando Palhares

Longe do mar, o menino ouvia fascinado os relatos sobre a travessia. "Eles falavam das paisagens, das festas a bordo, das expectativas. Teve os lados difíceis, mas também o lado bacana de muita gente acabar se conhecendo por ali. Os navios eram um parque de diversões."

Aos 14 anos, Orlando mudou-se para São Paulo. Aos 21, entrou no Turismo como promotor de vendas na extinta Mundirama, onde teve seu primeiro contato profissional com cruzeiros, cuidando de um fretamento da Vasp para o Caribe no navio Seawind Crown. A paixão foi imediata. Da Mundirama, ele foi para a Costa Cruzeiros, onde ficou por dez anos. Quem conhece Orlando percebe até hoje o quanto ele é falante, curioso, contador de histórias.

“E então o pessoal da Costa acabou gostando de mim e me contratou para a área de reservas", conta. Na época, a empresa ainda era a Línea C e priorizava a contratação de descendentes de italianos. "A Costa foi uma escola formidável. Brinco que meu coração é amarelo: CVC e Costa."

A transição para a CVC aconteceu no início de uma era de ouro para os cruzeiros no Brasil. Orlando assumiu a operação dos navios fretados pela operadora, uma operação colossal que envolvia embarques diários, logística de tripulantes e até a tropicalização de cardápios.

"A CVC trazia a Pullmantur e a Ibero Cruzeiros. A Ibero nem sabia trabalhar all inclusive, e a CVC implementou esse modelo a bordo. Interferíamos até no cardápio, colocando comida brasileira em troca da mediterrânea", relembra. Com a ousadia que sempre a marcou, a CVC chegou até a abrir portos experimentais em Itajaí e São Francisco do Sul e até alugaram uma ilha privativa, a Jaguanum, na Costa Verde. "Éramos uma companhia de cruzeiros sem nenhum navio."

Com mais de 30 anos dedicados ao segmento, Palhares testemunhou a transformação do mercado. "Comecei a vender navios muito velhos. As companhias mandavam os piores navios para cá. A percepção da importância do mercado brasileiro mudou incrivelmente", avalia. A tecnologia também revolucionou o setor. "Antes era mapa, papel gigantesco nas mesas, ia rodando de mesa em mesa. Disquetes na bolsa e uma sacola com quilos de papel para fazer embarque. Hoje, sem sistema e tecnologia, ninguém faz nada."

De volta à CVC Corp após um breve hiato durante a pandemia, Orlando Palhares cuidou da área de Produto Marítimo, gerenciando um portfólio que vai dos cruzeiros populares aos de ultraluxo. O desafio sempre foi ampliar as vendas internacionais e trazer novas companhias para a prateleira.

Para ele, o segredo do sucesso continua sendo a visão comercial afiada que aprendeu com os italianos: "Na Costa, dizia-se que uma noite de navio é dinheiro. Não tinha nenhuma noite vazia. Eu trouxe essa filosofia para a CVC", disse Orlando Palhares, que fez questão de lembrar de grandes colegas e professores dessa época, como Milton Sanchez e Rodolfo Szabo.

Dicas para agentes de viagens

O mercado caminha para uma combinação de inovação, personalização e experiências cada vez mais exclusivas. Com dezenas de novos navios chegando até 2028, o agente verá embarcações mais modernas, tecnológicas e sustentáveis, além de uma forte segmentação entre luxo, expedição e produtos temáticos. O passageiro já não busca apenas viajar, mas viver experiências memoráveis. "O consumidor brasileiro está mais experiente e exigente. Nos próximos anos, ele deverá valorizar cada vez mais conforto, conveniência, conectividade e experiências únicas em terra e a bordo. O segmento de luxo tende a crescer bastante, impulsionado por passageiros que já conhecem o produto e agora buscam algo mais premium, intimista e personalizado."

O que mantém Orlando motivado após mais de três décadas é a capacidade constante de transformação do setor. "Saímos das reservas feitas com lápis, papel e telex para um mercado totalmente conectado e digital. Mas o que realmente me entusiasma é perceber como os cruzeiros continuam despertando sonhos. É gratificante fazer parte de um setor que conecta pessoas, culturas e destinos. Ver os brasileiros descobrindo novos navios e novas experiências, enquanto o mundo descobre o Brasil, é o que mantém minha paixão viva todos os dias."


* Esta matéria especial foi escrita antes do desligamento de Orlando Palhares da CVC Corp, anunciado nesta segunda-feira (1)

O conteúdo acima é parte da Revista PANROTAS Guia de Cruzeiros 2026/2027, que destaca na série Mestres dos Mares os especialistas na área das operadoras brasileiras. Leia na íntegra:


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Sobre o autor

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.