Pedro Menezes   |   12/02/2026 10:48

OAG: Copa do Mundo deve baratear voos aos EUA, mas encarecer viagens entre sedes

Estudo revela que tarifas domésticas entre cidades-sede já estão significativamente mais altas


Reprodução/Fifa
Experiência recente mostra que megaeventos esportivos nem sempre geram aumento imediato de demanda aérea durante o período de competição
Experiência recente mostra que megaeventos esportivos nem sempre geram aumento imediato de demanda aérea durante o período de competição

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre os meses de junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, promete movimentar milhões de torcedores e turistas, mas o impacto no transporte aéreo deve ser dividido em dois momentos bem distintos.

De acordo com análise da consultoria OAG, especializada em dados da aviação, chegar à América do Norte pode até ficar mais barato em alguns mercados, mas viajar entre as cidades-sede, especialmente dentro dos Estados Unidos, tende a pesar no bolso dos visitantes.

Isto porque, a experiência recente mostra que megaeventos esportivos nem sempre geram aumento imediato de demanda aérea durante o período de competição. Muitas vezes ocorre o contrário: moradores evitam viajar e visitantes acabam desencorajados pelos altos custos de hospedagem e logística. Foi o que ocorreu nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, quando a Air France registrou prejuízo de US$ 193 milhões após ampliar capacidade e, diante da demanda abaixo do esperado, precisar reduzir oferta.

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Crescimento esperado da capacidade aérea para América do Norte entre junho e julho
Crescimento esperado da capacidade aérea para América do Norte entre junho e julho

Para 2026, o desafio é ainda maior. A Copa será disputada em pleno verão do Hemisfério Norte, período que já representa a alta temporada tradicional para viagens à América do Norte. Normalmente, os meses de junho e julho registram ocupação média superior a 90% nos voos, com tarifas elevadas e pouca margem para aumento de oferta pelas companhias aéreas.

Mesmo com o evento, a capacidade aérea internacional para os países-sede permanece estável em relação ao ano anterior. O Canadá é o único mercado com alta relevante (+4% na oferta de assentos). Já os Estados Unidos, que concentram a maior parte dos jogos, apresentam expansão modesta de apenas 0,6% nos voos internacionais durante o período. O México também permanece praticamente estável.

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Preço médio e variação de voos de Europa para cidades norte-americanas
Preço médio e variação de voos de Europa para cidades norte-americanas

Ao trazer o panorama aqui para o Brasil, Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, recentemente afirmou que ainda não sentiu uma demanda muito diferente do normal para o período da Copa do Mundo, mesmo a poucos meses para o início dos jogos, para anunciar novidades em relação ao aumento de capacidade.

Com pouca ampliação de oferta, as companhias aéreas devem focar em maximizar receitas, aproveitando a alta demanda típica da estação (verão intenso nos EUA). Para os torcedores, por outro lado, isso significa que a disputa por passagens a preços razoáveis continuará intensa.

Panorama é diferente para viagens domésticas

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Preço médio e variação para se deslocar entre cidades norte-americanas
Preço médio e variação para se deslocar entre cidades norte-americanas

Se chegar aos Estados Unidos pode custar menos do que o esperado, a situação muda completamente dentro do país. As tarifas domésticas entre as cidades que receberão jogos já estão significativamente mais altas do que no ano passado. Segundo a OAG, rotas partindo de hubs como Dallas/Fort Worth, Miami e Filadélfia registram aumentos superiores a 50% nas tarifas médias para outros destinos da Copa.

Com 11 cidades e 12 estádios, torcedores que desejam acompanhar diferentes partidas precisarão lidar com custos elevados para deslocamentos internos. Diferentemente da Copa do Catar, onde muitos fãs fizeram viagens rápidas a partir de Dubai graças à facilidade de entrada entre países do Golfo, o modelo não deve se repetir nos EUA devido às exigências de visto e à distância entre cidades.

Ainda assim, o estudo da OAG constata que os preços atuais não são definitivos. Caso a demanda não se confirme como esperado, promoções podem surgir mais próximas das partidas, repetindo o que ocorreu em eventos recentes. Porém, esperar por ofertas pode ser arriscado para quem já garantiu ingresso.

Além do transporte aéreo, outro fator que pressiona o orçamento dos visitantes é a hotelaria, que costuma registrar disparadas de preços durante grandes eventos. Países cujas seleções raramente participam de Copas, como Escócia, Curaçao e Jordânia, devem gerar picos ainda maiores de procura em algumas cidades.

"A Copa de 2026 deve repetir um padrão já conhecido: enquanto alguns viajantes pagarão caro pela oportunidade de viver o torneio ao vivo, outros poderão encontrar boas oportunidades se souberem esperar e flexibilizar seus planos. O jogo, ao menos para as passagens aéreas, já começou - e promete ter dois tempos bem distintos"

Conclusão do estudo da OAG

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.