Especial para o Portal PANROTAS Carla Lencastre   |   13/05/2026 15:30
Atualizada em 13/05/2026 16:04

Empresários apostam em projetos ousados no Pão de Açúcar e Jardim de Alah, no Rio; entenda

Painel no Sindepat Summit debate tirolesa, lojas no Jardim de Alah e shows noturnos no Corcovado

PANROTAS / Marluce Balbino
Sandro Fernandes, do Grupo Iter, Carol Negri, do Sindepat, Alexandre Accioly, do Roxy Dinner Show, Roberta Werner, do Visit Rio, e Artur Luiz Andrade, da PANROTAS
Sandro Fernandes, do Grupo Iter, Carol Negri, do Sindepat, Alexandre Accioly, do Roxy Dinner Show, Roberta Werner, do Visit Rio, e Artur Luiz Andrade, da PANROTAS

O primeiro dia na plenária do Sindepat Summit teve início nesta quarta-feira (13), no ExpoRio Cidade Nova. Os participantes do maior encontro do segmento de parques e atrações turísticas do Brasil, com mais de 500 inscritos e pela primeira vez realizado no Rio de Janeiro, tiveram a oportunidade de assistir a painéis e debates com tendências e desafios do setor, e a showcases de empresas expositoras, com novidades em produtos e serviços para os associados.

Na noite anterior, a abertura do Summit 2026 foi celebrada com uma festa no Parque Bondinho Pão de Açúcar, associado carioca do Sindepat. Não por acaso, a pauta que abriu a plenária foi justamente sobre o Rio, com o tema “Atrações que potencializam o destino”. Os panelistas debateram como incrementar um destino turístico consolidado.

Na sequência, com o auditório cheio no ExpoRio CN, subiram ao palco Alexandre Accioly, à frente do Roxy Dinner Show; Roberta Werner, diretora executiva do VisitRio; Sandro Fernandes, do Parque Bondinho Pão de Açúcar, e Sávio Neves, do Trem do Corcovado. O painel sobre novas atrações turísticas cariocas foi mediado por Artur Luiz Andrade, editor-chefe e CCO da PANROTAS, e temas polêmicos marcaram do debate.

“Como se atualizar e inspirar parques e atrações de todo o país?”, perguntou Artur Luiz Andrade.

Alexandre Accioly sobre o Jardim de Alah (canal que liga a Lagoa Rodrigues de Freitas às praias de Ipanema e Leblon)

“Cabe ao poder público promover a cidade e aos empresários melhorar a experiência do turista. O Jardim de Alah é uma cicatriz urbana no Rio, uma área fechada que ninguém frequenta. Vamos transformar em um parque de 95 mil metros quadrados, com obras de arte ao ar livre. Teremos um boulevard de 9 mil metros quadrados, com bares, restaurantes e lojas. Nosso projeto atende aos 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU. As obras já começaram e a previsão é entregar o jardim ao público em outubro de 2027.”

Sandro Fernandes sobre a tirolesa no Pão de Açúcar

“O Rio é a junção entre o homem e a natureza. O projeto da tirolesa é sustentável e vai gerar ainda mais mídia social para a cidade. Está parado no momento, mas vamos recorrer em segunda instância, em terceira, em quarta... Vamos ganhar e dar este presente para o Rio. Não desistiremos. E, em contrapartida, o Grupo Iter tem no portfólio o exemplo de Canela, na Serra Gaúcha, onde governo, comunidade e empresários trabalham em harmonia e é um case de sucesso", disse, referindo-se ao Parque Caracol, também administrado por eles.

Sávio Neves sobre shows noturnos no Corcovado

“No Rio, parece que os governantes sabotam a própria cidade. Hoje, por exemplo, não seria permitido instalar uma estátua no Corcovado e muito menos um trem rasgando a floresta. Acho um absurdo o parque ter que fechar às 18h, ao crepúsculo, o momento mais bonito do dia, e é um desperdício não podermos fazer shows à noite.”

Roberta Werner destacou alguns números do Turismo internacional na capital:

  • 2,1 milhão de visitantes estrangeiros no Rio em 2025 (recorde, com um aumento de 43% em relação a 2024);
  • 5 principais mercados turísticos: Argentina, Chile, Estados Unidos, Uruguai e França;
  • 7 a 11 dias de permanência média;
  • 500 eventos no calendário de 2026 (mais de 40% esportivos).


O Rio é um destino turístico consolidado. Mas, ao final da tarde, será a vez do encontro do Sindepat abordar a importância de parques e atrações no desenvolvimento de um local em construção, com a apresentação do case Polo Cabo Branco, no litoral da Paraíba. Durante o painel sobre o Rio, Artur Luiz Andrade comentou que visitou a região recentemente e ficou impressionado com o que viu:

“Não há como fazer um projeto inovador deste porte sem vontade política, sem o apoio econômico do governo. O Aeroporto de João Pessoa, por exemplo, vai precisar acompanhar os investimentos milionários que estão sendo feitos ou não vai dar conta”.

PANROTAS / Marluce Balbino
Artur Luiz Andrade, da PANROTAS, e Roberta Werner, do Visit Rio
Artur Luiz Andrade, da PANROTAS, e Roberta Werner, do Visit Rio

No painel, o editor-chefe da PANROTAS acrescentou ainda que, infelizmente, o Turismo no Brasil ainda depende de vontades políticas individuais e localizadas, pois o governo federal não vê o Turismo ou a Aviação como prioridades e ainda não entendeu que a continuidade e perenidade dessa política está nas mãos da iniciativa privada. "Enquanto isso, os projetos ousados e inovadores dependem da visão mais lúcida de um ou outro governante", concluiu.

Parques e atrações querem combinar inovação com escala de trabalho 6x1

Evandro Valentim, gerente-geral do Bondinhos Canela (RS), foi o mestre de cerimônias da manhã, que começou com Pablo Morbis, do Grupo Cataratas e presidente do conselho do Sindepat, e Carolina Negri, presidente executiva da associação.

“Este ano, temos mais de 40 fornecedores de 14 países, o que mostra a força do evento. Nosso setor vai além do entretenimento. Movimentamos a economia e contribuímos para o desenvolvimento sustentável nos destinos onde atuamos”, disse Carol, que apresentou um vídeo com novas atrações turísticas inauguradas ao longo dos últimos 12 meses nas cinco regiões do Brasil e novidades nos parques já mais conhecidos.

“Deixamos de ser um complemento de viagem para ser o motivo”, pontuou Morbis. “Não se escolhe mais o destino, se escolhe a experiência. Como empresários, temos uma grande oportunidade de estar à frente do mercado. Temos também uma agenda institucional importante. Defendemos que nosso setor seja tratado de maneira excepcional em relação à escala 6x1, porque trabalhamos quando todo mundo está de folga, que é nos fins de semana e nas férias. A redução da jornada é fundamental, mas acreditamos que as escalas devem ser discutidas em acordos coletivos.”

A primeira manhã do evento apresentou ainda showcases, como Ministério do Turismo e Itaipu Parquetec. Viviane de Faria, do MTur, destacou que o ministério está com um estande na área de exposição do Summit para promover as linhas de crédito do Fungetur. Já Marcelo Giongo, gerente geral do complexo turístico de Itaipu, relacionou algumas das iniciativas do parque tecnológico e sublinhou que Itaipu, com seus mais de 600 mil visitantes por ano, funciona como um laboratório vivo para startups:

“O Turismo deixou de ser apenas experiência. Hoje, é uma plataforma de inovação”.


A PANROTAS é media partner exclusivo do Sindepat Summit 2026

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