Nova York aposta na Copa do Mundo e reforça foco no turista internacional; conheça perfis
Julie Coker, CEO do NYC Tourism, falou com a PANROTAS durante o IPW 2026

Julie Coker, presidente e CEO do NYC Tourism + Conventions, fez uma apresentação precisa e cheia de novidades para a imprensa durante o IPW 2026, que ocorreu em Fort Lauderdale, e em meio à queda de turistas internacionais nos EUA, reformou a importância dos turistas estrangeiros para o destino. “Os turistas internacionais são 20% do total, mas representam 50% dos gastos de turistas em Nova York”, revelou ela.
Os turistas estrangeiros continuarão sendo foco para a cidade, que está finalizando um estudo para mostrar o impacto detalhado desses gastos. Uma prévia foi apresentada no evento, com a divulgação dos quatro perfis de viajantes globais para Nova York. Confira abaixo:
The Moment Makers (Os criadores de momentos)
- São turistas de alto valor, que apostam em experiências, com média de 2,2 delas por dia
- Ganham mais de US$ 199k por ano
- Visitam museus e assistem a shows e espetáculos ao vivo
- Principal motivação: o senso de admiração (ser surpreendido e ficar extasiado)
The Navigators (Os navegadores)
- Apostam em reservas antecipadas (para atrações, eventos...)
- Investem em uma média de 1,9 experiências por dia
- Quer se sentir conhecedor e bem-informado na viagem
- Principal motivação: o sendo de confiança e controle
The Freestylers (algo como os improvisadores ou com uma programação mais livre)
- É uma audiência crescente e ganham menos de US$ 100k por ano
- Investem em 1,8 experiências por dia
- A maioria é da Geração Z
- Principal motivação: crescimento pessoal
The Neighbors (Os vizinhos)
- Investem em 1,7 experiências por dia
- Mais inclinados a explorar diversos bairros e vizinhanças
- Mais inclinados a se hospedarem fora de Manhattan
- Principal motivação: O senso de comunidade e pertencimento
No ano passado, Nova York recebeu 65 milhões de visitantes, que deixaram US$ 84,7 bilhões na cidade, ajudando a sustentar 397 mil empregos. Os turistas estrangeiros foram 12,5 milhões, contra 12,9 milhões em 2024, número esse (12,9) esperado novamente para 2026.

Os 10 maiores mercados internacionais para Nova York em 2025 foram:
- Reino Unido 1,07 milhão
- Canadá 796 mil (queda de quase 200 mil turistas)
- Itália 745 mil (crescimento de 45 mil visitantes)
- França 725 mil
- Brasil 670 mil (queda de 18 mil)
- México 559 mil
- China 538 mil
- Austrália 498 mil
- Alemanha 493 mil (queda de cerca de 70 mil)
- Espanha 474 mil
Confira abaixo nosso bate-papo exclusivo com Julie Coker, presidente e CEO do New York City Tourism + Conventions

PANROTAS – Qual é a expectativa de Nova York para a Copa do Mundo?
JULIE COKER – Estamos muito animados e preparados. Para nós, será uma experiência incrível. Teremos oito partidas, mas o mais importante é que a Copa representa uma oportunidade para que os brasileiros e visitantes do mundo inteiro vivenciem Nova York de uma forma ampla, seja na primeira visita ou para quem já conhece a cidade.
Teremos ativações nos cinco distritos da cidade, com experiências para todos os públicos. As fan zones, por exemplo, estarão espalhadas pelos bairros e serão gratuitas. Além disso, muitos atrativos culturais e instituições também vão celebrar simultaneamente os 250 anos dos Estados Unidos (cuja data principal é 4 de julho), então teremos dois grandes acontecimentos ao mesmo tempo.
PANROTAS – Quais ações especiais estão previstas?
JULIE – Estamos desenvolvendo programas especiais em todos os bairros de Nova York. Um exemplo é o “Our Cup Program”, com refeições promocionais de US$ 26 em diferentes regiões da cidade. Também teremos uma espécie de coleção temática de copos ligada aos boroughs, incentivando os visitantes a explorarem diferentes áreas da cidade.
PANROTAS – Existe uma preocupação com os custos de viagem para os Estados Unidos durante a Copa. Nova York já é um destino considerado caro, o que esperar nesse sentido?
JULIE – Os dados atuais mostram estabilidade (na ocupação hoteleira). Se analisarmos as reservas de hotéis para junho e julho em comparação ao mesmo período do ano passado, estamos apenas cerca de 1% abaixo. Isso indica um cenário praticamente estável.
PANROTAS – Mas a procura está acontecendo no ritmo esperado?
JULIE – Não exatamente. O que ouvimos de hotéis e atrações turísticas é que o ritmo de reservas está mais lento do que o esperado. Havia uma expectativa de uma corrida de reservas já em dezembro, mas isso não aconteceu. As atrações turísticas também registram queda no número de visitantes este ano.
PANROTAS – Mesmo assim, o otimismo permanece?
JULIE – Sim. Sabemos que a Copa vai gerar muita energia e movimentação. O esporte é um grande elemento de união e todos os bairros estão preparados. Os moradores, empresas e atrações estão animados. Será uma vitrine global para Nova York. Há uma estimativa de 1,2 milhão de visitantes para a região durante a Copa do Mundo. Estamos esperançosos de chegar próximo desse número.

PANROTAS – Qual é a importância do turista internacional para Nova York?
JULIE – Ela é enorme. O visitante internacional representa cerca de 20% do total de turistas, mas responde por aproximadamente 50% dos gastos turísticos da cidade. Isso mostra claramente o impacto econômico desse público.
PANROTAS – Então Nova York não pretende reduzir investimentos em mercados internacionais e focar no doméstico?
JULIE – De forma alguma. O mercado doméstico é muito importante, principalmente pela proximidade com outras regiões dos Estados Unidos, mas Nova York é uma cidade global. Continuaremos investindo fortemente nos mercados internacionais.
PANROTAS – O Brasil segue sendo um mercado estratégico?
JULIE – Sim, sem dúvida. O Brasil está entre os nossos principais mercados internacionais, ao lado de países como Reino Unido, Alemanha, França, Canadá e Austrália. Os brasileiros gostam de investir mais em experiências gastronômicas, hotéis melhores, tours e atividades culturais. Viajar para os Estados Unidos faz parte de um desejo cultural para muitos brasileiros, é quase um sonho realizado.
PANROTAS – Quais nichos turísticos têm crescido em Nova York?
JULIE – Além do turismo esportivo e de luxo, vemos um crescimento importante de viagens solo femininas. Também há muita demanda por gastronomia, bem-estar, arte, cultura e experiências autênticas nos bairros da cidade.
PANROTAS – O que Nova York oferece para mulheres viajando sozinhas?
JULIE – Nova York oferece segurança, energia, vida cultural intensa e experiências para todos os perfis. Isso pode incluir spas, walking tours, experiências gastronômicas, restaurantes Michelin ou até tours de food trucks pelos bairros. Além disso, temos museus incríveis como o Solomon R. Guggenheim Museum, o The Metropolitan Museum of Art, o Whitney Museum of American Art e o Brooklyn Museum.
PANROTAS – Você mora em Nova York há pouco tempo. Até 2024 vinha como turita; O que mudou na sua visão da cidade?
JULIE – Mudei para Nova York em dezembro de 2024. O que mais me encanta é a energia da cidade, a criatividade, a inovação e a diversidade cultural. Caminhar pelas ruas e ouvir diferentes idiomas é algo único. Também adoro o Central Park.
PANROTAS – Nova York continua sendo um destino caro?
JULIE – Existe oferta para todos os perfis. Cerca de um terço dos quartos de hotel da cidade tem diária média de US$ 215. Além disso, os boroughs fora de Manhattan oferecem opções muito interessantes e com melhor custo-benefício. Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island cresceram muito. Brooklyn, sozinho, tem cerca de 3,5 milhões de habitantes — praticamente uma cidade dentro da cidade. Há ótimos hotéis, gastronomia, atrações culturais e experiências locais.
PANROTAS – Qual é a mensagem para os turistas internacionais após a Copa do Mundo?
JULIE – Queremos que os visitantes saibam que Nova York continua evoluindo constantemente. Novas atrações, hotéis renovados, exposições inovadoras e experiências surgem o tempo todo. Mas, acima de tudo, o espírito de Nova York permanece o mesmo: uma cidade diversa, inclusiva e acolhedora. As portas estão abertas e estamos ansiosos para receber visitantes do mundo inteiro.

Perfil do brasileiro em Nova York
- Visitantes em 2025: 670 mil
- Visitantes esperados em 2026: 698 mil
- Gastos dos visitantes brasileiros em 2024: US$ 906 milhões ou US$ 1,3 mil por viagem e por visitante
- Os brasileiros são mais jovens que a média de turistas, viajam com a família, incluindo crianças, ficam em hotel, têm uma janela de reserva mais longa e usam o trade (agências e operadoras)
- Preferências de atividades no destino (com índice acima da média de visitantes estrangeiros): Shows e musicais, Eventos esportivos, Parques e monumentos nacionais e Locais históricos
- Principal atividade: compras, com 87% de share
- Meses preferidos: janeiro, fevereiro e março
- Estadia média: 8 dias
- Viagens a lazer: 87%, com 52% sozinhos, 11% com crianças e 26% em casal
A PANROTAS viajou a convite da US Travel ssociation, com proteção GTA