Pedro Menezes   |   29/05/2026 09:29

Sul do Mediterrâneo ainda depende do verão para sucesso do Turismo, diz pesquisa

Por outro lado, preço das hospedagens favorece a redistribuição da demanda em outras épocas do ano

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Espanha aparece como o destino menos dependente do período de pico, com índice de 52,8%, seguida por Portugal (54,5%) e Itália (58,7%)
Espanha aparece como o destino menos dependente do período de pico, com índice de 52,8%, seguida por Portugal (54,5%) e Itália (58,7%)

Um novo estudo da Data Appeal Mabrian, empresa do grupo Almawave/Almaviva, revelou que os destinos turísticos do sul da Europa seguem altamente dependentes do verão, embora já tenham começado a registrar crescimento gradual da demanda na baixa temporada, considerado essecial para a sustentabilidade do setor.

O relatório ainda analisou tendências de demanda internacional em Itália, Espanha, Grécia, Croácia e Portugal, avaliando padrões de sazonalidade, perfis de viajantes, conectividade aérea, preços e fatores que impulsionam viagens fora da alta temporada.

Segundo o levantamento, a chamada “taxa de dependência do verão” no sul do Mediterrâneo é de 59,1%. A Espanha aparece como o destino menos dependente do período de pico, com índice de 52,8%, seguida por Portugal (54,5%) e Itália (58,7%). Já Grécia (72,9%) e Croácia (79,1%) continuam fortemente concentradas no verão europeu, embora a Grécia já apresente sinais de expansão em outras épocas do ano.

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Segundo o levantamento, a chamada “taxa de dependência do verão” no sul do Mediterrâneo é de 59,1%
Segundo o levantamento, a chamada “taxa de dependência do verão” no sul do Mediterrâneo é de 59,1%

O estudo aponta ainda que os perfis de viajantes mudam conforme a época do ano. Entre janeiro e março, por exemplo, a demanda é majoritariamente formada por casais vindos de mercados próximos e hospedados em hotéis midscale. Já entre outubro e dezembro predominam viajantes de mercados europeus mais consolidados, que prolongam as férias de verão e optam por hotéis de categoria superior.

Os eventos também têm papel relevante na movimentação da baixa temporada. De acordo com Emilio Inés, Tourism Global Director da The Data Appeal Company, entre 53% e 72% dos eventos acontecem fora dos meses de pico, enquanto de 58% a 73% do público total desses eventos está concentrado na baixa temporada.

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Eventos têm papel relevante na movimentação da baixa temporada
Eventos têm papel relevante na movimentação da baixa temporada

Conectividade aérea cresce no fim de 2026

O relatório também destaca que a conectividade aérea continuará avançando nos destinos analisados. Entre outubro e dezembro de 2026, Itália, Espanha, Grécia, Croácia e Portugal somarão 96,64 milhões de assentos aéreos, crescimento de 4,6% em comparação com o mesmo período de 2025.

A Grécia lidera a expansão, com aumento de 10,7% na oferta, seguida por Espanha (+5,4%) e Itália (+4,2%). Portugal é o único país com retração prevista, de 2,5%.

Clima e preços ajudam a impulsionar viagens fora do verão

Outro fator apontado pelo estudo é a percepção climática favorável em determinados períodos do ano. Itália, Espanha e Grécia apresentam duas “janelas de oportunidade climática” (no fim do inverno/início da primavera e no outono), quando as condições reais superam as expectativas dos turistas. Já Croácia e Portugal contam ainda com uma terceira janela durante a primavera.

Mercados como Reino Unido, Alemanha e França também aparecem como importantes emissores estruturais para a baixa temporada. Segundo o levantamento, 63% dos feriados britânicos, 60% dos alemães e 53% dos franceses ocorrem fora dos meses de pico.

O preço das hospedagens também favorece a redistribuição da demanda. No inverno de 2026, as tarifas médias dos hotéis nos destinos analisados ficaram bem abaixo das registradas no verão de 2025: redução média de 24,6% nos hotéis 3 estrelas, 22,4% nos 4 estrelas e cerca de um terço nos hotéis 5 estrelas.

Além disso, experiências culturais, gastronômicas, de natureza e atividades ao ar livre foram apontadas como atrações menos dependentes da sazonalidade, com potencial para fortalecer o turismo durante todo o ano.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.