Abeta condena negligência e cobra fiscalização após morte em salto de rope jump em Limeira
Entidade atribui tragédia a falhas de segurança e defende política nacional de prevenção

A Abeta (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura) manifestou pesar pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump realizada na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), e cobrou maior fiscalização, profissionalização do setor e cumprimento rigoroso das normas de segurança.
A jovem morreu na manhã de sábado (13) após ser lançada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem a corda de segurança. Segundo a Polícia Militar, uma testemunha relatou que os responsáveis pela atividade teriam esquecido de instalar o equipamento antes do salto. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a vítima é lançada da plataforma e, em seguida, pessoas gritam: "a corda".
Em nota divulgada nesta segunda-feira (15), a Abeta afirmou receber a notícia com "profundo pesar" e expressou "irrestrita solidariedade à família e aos amigos neste momento de dor irreparável".
A entidade também fez duras críticas às circunstâncias que envolveram o caso. Segundo a associação, as informações preliminares indicam uma falha grave nos protocolos de segurança.
"A Abeta repudia veementemente a negligência, o despreparo e a irresponsabilidade que culminaram nesta perda inaceitável. As imagens amplamente divulgadas e as informações preliminares apontam para uma grave falha nos procedimentos de segurança, incompatível com os padrões defendidos pela Abeta e pelas normas técnicas aplicáveis"
Abeta, em comunicado oficial
A associação ressaltou que atividades de Turismo de aventura devem ser realizadas por empresas formalizadas, registradas no Cadastur e em conformidade com a legislação e as normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
De acordo com a entidade, operações consideradas de risco exigem a adoção de um SGS (Sistema de Gestão de Segurança), incluindo a aplicação da norma ABNT NBR ISO 21101, que estabelece requisitos para procedimentos operacionais, inspeções, manutenção de equipamentos e planos de atendimento a emergências.
No documento, a Abeta afirma que "a informalidade no Turismo de aventura é um risco à vida" e defende que o fortalecimento do segmento depende do respeito às normas e da qualificação dos operadores.
A entidade também voltou a defender a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Acidentes no Turismo de Natureza e a retomada de programas de capacitação, como o projeto Aventura Segura, desenvolvido em parceria com o Ministério do Turismo e o Sebrae.
Além disso, cobrou atuação mais rigorosa dos órgãos públicos na fiscalização e concessão de alvarás para atividades do setor.
“Conclamamos o poder público local - prefeituras e órgãos fiscalizadores - a assumirem suas responsabilidades na exigência de formalização e na fiscalização rigorosa para a concessão de alvarás de funcionamento. O cumprimento dos normativos em vigor deve ser condição sine qua non para qualquer empreendimento turístico operar”, destacou.
Ao final da nota, a Abeta afirmou que continuará defendendo a formalização do setor, a capacitação contínua dos profissionais e a adoção de normas técnicas de segurança, reiterando seu compromisso com a prevenção de acidentes em atividades de aventura.