Viagens de aventura ganham força na América Latina e movimentam US$ 39 bilhões, diz ATTA
Segmento chamado de Open to Adventure representa quase metade de todas as viagens internacionais

Um novo estudo revela que o mercado de viagens de aventura internacionais na América Latina já movimenta cerca de US$ 39 bilhões, consolidando-se como uma das principais tendências do Turismo global.
O levantamento, conduzido pela Adventure Travel Trade Association (ATTA), com apoio da EF Adventures e do Centre for the Promotion of Imports from Developing Countries (CBI), aponta que o segmento chamado de “Open to Adventure” representa quase metade de todas as viagens internacionais realizadas por latino-americanos.
Mais do que atividades radicais, o estudo destaca uma mudança no comportamento do viajante. Experiências como trilhas e contato com a natureza seguem relevantes, mas há uma demanda crescente por imersão cultural, gastronomia, patrimônio histórico e conexões locais autênticas.
“Com um gasto estimado de US$ 39 bilhões em viagens de aventura internacionais, o mercado latino-americano representa uma grande oportunidade para destinos e empresas de Turismo. A chave é entender que esses viajantes buscam experiências que combinem exploração com qualidade, conforto e confiança em toda a jornada. Eles preferem acomodações e DMCs locais ou nacionais, assim como guias locais, para aproveitar uma experiência autêntica nos destinos que visitam”
Nicolas Caram, vice-presidente da ATTA
Perfis de viajantes e comportamento
A pesquisa identifica quatro principais perfis dentro do público latino-americano interessado em aventura. Entre eles, os “exploradores culturais” lideram o mercado, priorizando experiências ligadas à história, gastronomia e intercâmbio cultural, sem abrir mão de atividades leves ao ar livre:
- Adventure Intensives (12%): foco em experiências físicas e atividades intensas;
- Nature Enthusiasts (12%): interesse em natureza e vida selvagem;
- Culture Explorers (24%): maior grupo, com foco em cultura e aprendizado;
- Experience Samples (4%): buscam combinar cultura, natureza e atividades leves.
“Os viajantes latino-americanos são incrivelmente curiosos sobre o mundo. Eles querem viagens que pareçam significativas, seja por meio da cultura, das paisagens, da gastronomia ou da conexão local”, diz Gustavo Timo, presidente da associação. “Destinos que criam experiências com autenticidade e storytelling irão ressoar fortemente com esse mercado”.
Brasil e México lideram mercado
O estudo concentra-se principalmente em Brasil e México, os dois maiores mercados emissores da região. Enquanto os mexicanos apresentam interesse mais equilibrado entre os segmentos, os brasileiros demonstram maior concentração no perfil de exploradores culturais.
Além disso, os viajantes latino-americanos apresentam impacto econômico relevante. O gasto médio reportado é de cerca de US$ 255 por adulto por noite, sendo que aproximadamente 40% desse valor é direcionado a negócios locais.
Destinos mais explorados
Entre os destinos mais desejados, os Estados Unidos lideram, seguidos por países da Europa Ocidental e da região do Mediterrâneo. O Canadá também aparece entre os preferidos, impulsionado pela busca por experiências ligadas à natureza.
O estudo aponta ainda que, apesar da busca por experiências autênticas, fatores como segurança, conforto, qualidade e custo seguem como determinantes na decisão de viagem.
“O Turismo de aventura na América Latina está evoluindo além do estereótipo de atividades de alta adrenalina”, afirma Heather Kelly. “O que vemos, na verdade, é um público grande e crescente de viajantes que estão abertos a explorar cultura, natureza e comunidades locais como parte de suas viagens. Essa mudança está expandindo a definição de aventura e o tamanho da oportunidade”.
Com a popularização das viagens de aventura e a ampliação do conceito para além do Turismo de adrenalina, o relatório mostra o potencial para destinos e empresas que investem em experiências autênticas, infraestrutura de qualidade e soluções tecnológicas, consolidando uma nova frente de crescimento para o setor de turismo global.
Por Anna Gabriela Costa, do Travel Tech Hub, especial para o Portal PANROTAS