Copa de 2026 deve ampliar fiscalização migratória nos EUA; o que é importante saber?
Especialista orienta brasileiros sobre documentos, abordagens e regras migratórias durante o evento

A expectativa de receber cerca de 1,2 milhão de visitantes internacionais durante a Copa do Mundo de 2026 deve levar os Estados Unidos a reforçar operações de segurança, fiscalização migratória e controle de fronteiras ao longo do evento. Para especialistas, o cenário exigirá atenção redobrada dos turistas brasileiros que pretendem acompanhar os jogos naquele país.
Com partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, o mundial deve provocar um fluxo intenso de viajantes entre os três países-sede, movimentando aeroportos, estações, rodovias e áreas próximas aos estádios. Embora o reforço na fiscalização seja considerado natural em eventos globais desse porte, o tema também ganha relevância diante do atual cenário geopolítico internacional e das preocupações das autoridades americanas com segurança nacional.
Segundo a advogada Ingrid Domingues-McConville, especialista em imigração e negócios internacionais nos Estados Unidos, o principal ponto para o turista brasileiro é compreender que a entrada naquele país depende da coerência entre o tipo de visto e o objetivo real da viagem.
"O fato de possuir um visto válido não garante a entrada automática nos Estados Unidos. A admissão final sempre depende da análise feita pelo oficial de imigração no momento da chegada. Por isso, é importante que o viajante consiga demonstrar claramente o propósito da viagem, tenha reservas compatíveis com o período de estadia e condições financeiras adequadas para o tempo que pretende permanecer no país"
Ingrid Domingues-McConville
Fiscalização deve ficar mais visível durante o Mundial
De acordo com Ingrid, a tendência é de aumento da presença de agentes federais em aeroportos, áreas turísticas, regiões próximas aos estádios e pontos de grande circulação durante a Copa.
"Em eventos internacionais de grande porte, é comum haver ampliação das medidas de segurança e fiscalização migratória, principalmente diante do intenso fluxo de pessoas entre países-sede", afirma.
Ela ressalta, no entanto, que o aumento da fiscalização não significa necessariamente mudanças nas regras migratórias americanas.
"Na prática, o turista regular normalmente não enfrenta problemas, mas deve estar preparado para eventuais verificações de identidade e status migratório", diz.

A advogada lembra ainda que abordagens podem ocorrer de forma rotineira, inclusive por amostragem, em aeroportos, estações e eventos de grande porte.
Organização e coerência evitam problemas
Outro ponto destacado pela especialista é a importância da consistência das informações apresentadas às autoridades americanas.
"O importante é manter a calma, apresentar documentos válidos quando solicitado e responder às perguntas de forma objetiva e verdadeira. Situações problemáticas geralmente surgem quando existem inconsistências nas informações prestadas ou suspeita de uso inadequado do visto"
Entre os documentos que devem permanecer acessíveis durante toda a viagem estão passaporte válido, cópias do visto, comprovantes de hospedagem, passagem de retorno e informações básicas sobre o roteiro.
A advogada ainda orienta os turistas a evitarem qualquer situação que possa levantar suspeitas sobre intenção de trabalho irregular ou permanência permanente nos Estados Unidos utilizando visto de Turismo.
Visto exige cumprimento integral das regras
Segundo a especialista, um dos principais riscos para turistas continua sendo o descumprimento das regras da categoria do visto obtido.
Ela alerta que utilizar visto de Turismo para trabalhar sem autorização, residir permanentemente no país ou permanecer além do prazo permitido pode gerar cancelamento do visto, deportação e restrições futuras de entrada.
"Dependendo do período de permanência irregular, existem ainda as chamadas barras migratórias de três ou dez anos", explica.
Para Ingrid, brasileiros que viajem com documentação adequada, objetivo claro de viagem e respeito às regras migratórias tendem a não enfrentar dificuldades relevantes durante o Mundial. "O principal cuidado é planejamento, organização e coerência nas informações apresentadas às autoridades", conclui.