EES: longas filas colocam em risco 41 milhões de viagens à Europa, alerta WTTC
Lenta implementação do sistema de fronteiras também pode reduzir gastos de visitantes em US$ 45,4 bilhões

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) alerta: longas filas de espera nas fronteiras durante a implementação do novo Sistema de Entrada e Saída (EES) da Europa podem comprometer até 41 milhões de chegadas de visitantes ao continente europeu e colocar em risco cerca de US$ 45,4 bilhões em gastos turísticos provenientes de quatro dos principais mercados emissores do continente.
O levantamento, realizado com mais de 2,5 mil viajantes do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália, mostra que, caso os turistas enfrentem regularmente filas de três a quatro horas para entrar no Espaço Schengen, cerca de um terço deles pode até mesmo desistir da viagem à região.
Com base nas projeções para 2026, o WTTC estima que 41 milhões de chegadas e US$ 45,4 bilhões em receitas provenientes desses visitantes podem estar em risco caso os atrasos se tornem recorrentes.
Para Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, a implantação do EES representa um avanço importante para a modernização das fronteiras europeias e o fortalecimento da segurança. "Nossa pesquisa mostra claramente que os viajantes apoiam sistemas digitais e biométricos de controle de fronteiras e compreendem os benefícios de longo prazo que eles podem oferecer", disse ela.
Gloria ressalta, porém, que problemas iniciais são esperados em qualquer grande transformação e que o desafio está em garantir uma implementação eficiente. Com isso, para garantir uma implementação bem-sucedida, o WTTC recomenda três medidas prioritárias:
- acelerar a adoção de ferramentas digitais de pré-cadastro pelos países-membros;
- promover uma campanha coordenada de comunicação nos principais mercados emissores — especialmente Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália — com orientações claras para passageiros e profissionais do setor;
- e assegurar plena preparação operacional nos pontos de fronteira, com equipamentos funcionando adequadamente, equipes suficientes e processos mais ágeis para viajantes que já forneceram dados biométricos em procedimentos anteriores.
A pesquisa do WTTC conclui ainda que a maioria dos viajantes deseja que o EES seja implementado com sucesso e prefere melhorias operacionais para reduzir eventuais transtornos, em vez do abandono do sistema. Ao todo, 87% dos entrevistados afirmaram aceitar algum nível de inconveniência inicial caso isso resulte em viagens mais rápidas e eficientes no futuro.