Pedro Menezes   |   03/07/2026 11:16
Atualizada em 03/07/2026 12:44

Embratur mira turistas de maior gasto, aposta em nichos e projeta novo recorde em 2026

Meta inédita será alcançada com foco em turistas de maior gasto, novos mercados e expansão de voos


PANROTAS / Pedro Menezes
Bruno Reis, presidente da Embratur
Bruno Reis, presidente da Embratur

O Brasil está prestes a atingir um marco histórico no Turismo internacional. Pela primeira vez, o País deverá receber cerca de 10 milhões de visitantes estrangeiros em um único ano, segundo projeção mais recente do presidente da Embratur, Bruno Reis, em entrevista exclusiva ao Portal PANROTAS.

O executivo, que visitou nossa redação na semana passada e destrinchou a estratégia por trás da plataforma DesBRAva, afirmou que a marca inédita será resultado de uma estratégia de promoção internacional baseada em inteligência de mercado, diversificação de mercados emissores, ampliação da malha aérea e atração de turistas com maior poder de consumo.

Embora a projeção esteja sujeita às variáveis geopolíticas e macroeconômicas, Bruno afirmou que a expectativa é de que o Brasil feche o ano na faixa entre 9,8 milhões e 10 milhões de turistas internacionais. "Vamos conseguir anunciar esses 10 milhões pela primeira vez. Isso também deve estimular o fluxo dos próximos anos para que a gente tenha coerência no trabalho", disse ele.

Para o presidente da Embratur, o resultado não é apenas um movimento natural do mercado pelo Brasil estar na moda, mas consequência de um trabalho comercial iniciado lá em 2023 e sustentado por diversas ações de promoção internacional orientadas por dados.

PANROTAS / Emerson Souza
Bruno Reis, presidente da Embratur, em visita a redação da PANROTAS, ao lado de Artur Luiz Andrade e Ricardo Sidaras
Bruno Reis, presidente da Embratur, em visita a redação da PANROTAS, ao lado de Artur Luiz Andrade e Ricardo Sidaras

"Esse número não é orgânico. É, de fato, fruto de um esforço de trabalho comercial liderado por muita gente engajada. Se isso não continuar acontecendo, o número cai", disse Bruno Reis.

Ele destaca que a combinação entre promoção segmentada, conectividade aérea e inteligência de mercado criouu bases sólidas para sustentar o crescimento do Turismo internacional brasileiro.

"Já sabíamos que isso aconteceria (recorde do Brasil em turistas internacionais) porque estávamos visualizando tudo com dados. Agora, o desafio é manter a coordenação estratégica para que o Brasil continue crescendo depois de atingir os 10 milhões de turistas"

Bruno Reis, presidente da Embratur

Mais qualidade, mais gastos

Divulgação/Embratur Sebrae
Estratégia da Embratur tem sido menos orientada pelo volume de visitantes e mais pela qualidade do turista atraído ao País
Estratégia da Embratur tem sido menos orientada pelo volume de visitantes e mais pela qualidade do turista atraído ao País

A estratégia da Embratur tem sido menos orientada pelo volume de visitantes e mais pela qualidade do turista atraído ao País. Segundo Reis, o objetivo é aumentar o ticket médio dos estrangeiros, estimular viagens para além dos destinos tradicionais e posicionar o Brasil em segmentos de maior valor agregado.

Um dos exemplos citados por Bruno é o mercado argentino. Embora a participação dos argentinos no fluxo internacional brasileiro continue elevada, a Embratur busca um perfil diferente daquele que historicamente viaja para destinos de praia no Sul do País, neste caso que embarque mais em voos diretos ao País.

"O argentino que vem de carro para Canasvieiras não é o argentino que a Embratur vai perseguir. A gente quer o argentino que, em vez de fazer compras em Miami, faça compras em São Paulo"

Bruno Reis, presidente da Embratur

O executivo afirma que o Brasil passou a captar um novo perfil de turista argentino, com maior poder aquisitivo e interessado em experiências diferenciadas. Um reflexo disso é a expansão da conectividade aérea entre cidades secundárias da Argentina e o Nordeste brasileiro.

"Rosário-Maceió era um voo que não existia. Agora temos, pela primeira vez, três companhias aéreas operando voos da Argentina para o Nordeste. Isso nunca aconteceu. De fato, o mercado está aquecido", complementou o presidente da Embratur, em entrevista ao Portal PANROTAS.

Muito além da Argentina e do tradicional

PANROTAS / Emerson Souza
Bruno Reis, presidente da Embratur
Bruno Reis, presidente da Embratur

Além do mercado argentino, a Embratur tem apostado em nichos específicos, como observadores de fauna e flora, Turismo de luxo e o segmento Mice (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions). A lógica, de acordo com Reis, é identificar quais perfis geram maior valor para cada destino brasileiro.

"Para cada mercado temos uma linha de atuação e sabemos quem queremos trazer para o Brasil. Eu brinco internamente perguntando de quem estamos roubando passageiros. Se alguém está indo para a Costa Rica observar fauna, por que não pode vir para o Pantanal?"

Bruno Reis, presidente da Embratur

Essa estratégia de segmentação também passa pela promoção do Brasil como um destino multifacetado, indo além das imagens tradicionalmente associadas ao Rio de Janeiro e ao Turismo de sol e praia. É o chamado "soft power" brasileiro que ajuda a impulsionar a imagem do País, mas não explica sozinho o crescimento recente.

"O número não vem só da moda. Mantendo relações comerciais ativas e engajadas, os parceiros continuam vendendo Brasil. Nesse sentido, a Embratur intensificou parcerias com plataformas digitais e influenciadores internacionais para reposicionar a percepção sobre o País. O marketing de influência fez muita diferença para mitigar visões estereotipadas sobre o Brasil. A gente provocou essa mudança de percepção", revelou ele.

Das feiras aos influenciadores

Renato Vaz/Embratur
Brasil passou a ocupar posições de maior destaque nas feiras internacionais
Brasil passou a ocupar posições de maior destaque nas feiras internacionais

A entidade, por exemplo, passou a trabalhar com plataformas como TikTok, YouTube e serviços de streaming, identificando influenciadores especializados em determinados segmentos e conectando-os aos destinos brasileiros. Entre as iniciativas está o apoio à produção de conteúdos relacionados ao Pantanal e à observação de onças-pintadas, além de ações para ampliar a visibilidade internacional de diferentes regiões do País.

A estratégia também tem gerado reflexos nas principais feiras internacionais de Turismo. Segundo Bruno Reis, o Brasil passou a ocupar posições de maior destaque nos eventos e se tornou um ativo para organizadores e até mesmo para outros destinos latino-americanos.

"O Peru quer ficar ao lado do estande do Brasil. A Argentina também. Os organizadores entenderam que, se o Brasil estiver em destaque, a circulação de visitantes na feira aumenta"

Bruno Reis, presidente da Embratur

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.