DesBRAva é maior aposta da Embratur para democratizar a internacionalização do Turismo
Plataforma para impulsionar internacionalização tem potencial para virar marketplace do Turismo brasileiro

A Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) finaliza mais uma gestão agora em dezembro de 2026. Nestes quatro anos, que contou com Marcelo Freixo e Bruno Reis como presidentes, a Embratur teve o papel central de reorganizar o Turismo brasileiro, impulsioná-lo e prepará-lo realmente para obter resultados que foram traduzidos em recordes históricos para nosso país nos últimos anos.
Após recordes seguidos tanto de volume de turistas, como de gastos dos estrangeiros, o desafio agora não é só manter os números em novos patamares, mas crescê-los de maneira orgânica nos próximos anos. E isso passa, claro, por uma série de investimentos e criação de ferramentas e estratégias para capacitar os players público e privados que caminham juntos nesta jornada.
A entrega mais recente para profissionalizar ainda mais o setor e alinhá-lo em prol de uma estratégia muito mais clara é o lançamento do DesBRAva. A plataforma criada em parceria com o Sebrae, que chegou agora em abril para impulsionar a internacionalização do Turismo brasileiro, começou uma nova fase de expansão.
Após o lançamento durante a WTM-LA 2026, a iniciativa passa agora por uma campanha mais ampla de divulgação e já reúne mais de 1,6 mil membros ativos. Os detalhes foram revelados hoje (24) por Bruno Reis, presidente da Embratur, e por Marjorie Mynssen, coordenadora de Gestão Estratégica, em visita a redação da PANROTAS nesta quarta-feira (24), em São Paulo.
"A plataforma, que reúne capacitação, inteligência de dados, networking e troca de experiências, nasceu para preencher uma lacuna histórica do Turismo brasileiro: a falta de uma jornada estruturada para preparar empresas, destinos e profissionais para o mercado internacional. O DesBRAva é o grande legado da Embratur capaz de reduzir desigualdades entre os destinos e dar continuidade às políticas de internacionalização do turismo brasileiro"
Bruno Reis, presidente da Embratur
Segundo Bruno Reis, a ideia nasceu durante a construção e apresentação do Plano Brasis pelos Estados brasileiros já que ainda existia interesse dos destinos em trabalhar a promoção internacional, mas faltava uma estrutura permanente para apoiar os diversos atores do setor.

"A gente mobilizava 100, 200 pessoas interessadas em falar de promoção internacional e, depois, ia embora. E essas pessoas ficavam praticamente à deriva, porque as secretarias estaduais, municipais e as associações possuem níveis de maturidade muito distintos. Todo mundo queria crescer no Turismo internacional, mas ninguém pegava na mão dessas pessoas e mostrava como fazer", frisou Bruno.
Segundo ele, embora a Embratur tenha como missão principal aumentar o número de turistas internacionais e a receita gerada pelo setor, a realidade encontrada nos destinos fez a agência enxergar a necessidade de ir além. "Nosso core business não é qualificar ou capacitar o trade brasileiro, mas era preciso encontrar uma maneira de democratizar esse conhecimento", destacou.
"O DesBRAva é o projeto mais importante que vamos entregar em 2026 porque ele traz democratização. A gente precisou construir 12 módulos praticamente do zero. Não existiam conteúdos sobre promoção internacional do turismo organizados dessa forma. E ainda tivemos de pensar em formatos modernos, porque ninguém aguenta conteúdo pesado, maçante e excessivamente técnico"
Bruno Reis, presidente da Embratur
Inspiração veio da ApexBrasil

Bruno Reis afirma que a referência para o projeto veio da ApexBrasil, agência responsável pela promoção das exportações brasileiras. "Se você planta café no interior de São Paulo e quer exportar para a Austrália, a Apex pega na sua mão do início ao fim. Ela te ensina, prepara, abre portas e acompanha todo o processo até que aquele café esteja na prateleira do supermercado. No turismo, ninguém faz isso", frisou.
"E se eu tenho uma pousada de afroturismo nos Lençóis Maranhenses? Quem me ensina a acessar o mercado internacional? Quem mostra como fazer relações comerciais? Quem explica quais mercados fazem sentido para o meu produto? Não existia essa jornada. O DesBRAva nasce justamente para deixar esse legado e democratizar esse acesso"
Bruno Reis, presidente da Embratur
Segundo ele, a preocupação foi criar uma linguagem acessível a diferentes níveis de conhecimento. "Isso aqui não é para o diretor do Fasano. O diretor do Fasano já sabe tudo isso. Isso é para a pousada do interior do Rio Grande do Norte, para quem nunca teve acesso a esse conhecimento. Estamos falando de pessoas com níveis de formação muito diferentes e precisávamos simplificar conceitos complexos", completou.
Embratur precisava colocar todo mundo na mesma página

Para Marjorie Mynssen, coordenadora de Gestão Estratégica da Embratur, a plataforma nasceu de um diagnóstico realizado durante a elaboração do Plano Brasis. A executiva define a plataforma como uma ferramenta estratégica para o Turismo receptivo brasileiro.
"Para implementar o Plano Brasis em toda a sua profundidade, precisávamos criar um meio para alinhar todos os atores. O DesBRAva veio justamente para colocar todo mundo na mesma página, para ser a bússola estratégica do Turismo internacional. Ele reúne inteligência, dados, materiais de apoio, oportunidades e conexão. É quase uma rede social do Turismo", disse Marjorie.
"A abrangência da plataforma é outro diferencial. Não existe um público-alvo exclusivo. Estamos falando desde a base comunitária, passando pelos atrativos turísticos, DMCs, receptivos, redes hoteleiras e gestores públicos. E também por quem ainda quer entrar no Turismo e não sabe por onde começar. Isto porque não existe hoje uma faculdade que ensine promoção internacional do Turismo. Esse conhecimento está muito concentrado na Embratur e nós estamos colocando isso à disposição de toda a sociedade de maneira gratuita"
Marjorie Mynssen, coordenadora de Gestão Estratégica da Embratur
Geração de inteligência territorial

Bruno Reis acredita que os dados gerados pela plataforma permitirão que Estados e municípios tenham uma visão mais clara do perfil das empresas que desejam atuar no mercado internacional.
"O que mais me interessa é essa análise territorial. Poder chegar para um secretário de Estado e mostrar quantos CNPJs existem, qual o porte dessas empresas, em quais segmentos atuam e quais são seus interesses. Se eles fizerem essa leitura com visão de negócios, não tem como dar errado"
Por fim, Bruno acredita que o DesBRAva também poderá gerar uma mudança na relação entre iniciativa privada e gestores públicos. "O que a gente está entendendo é que os players privados organizados poderão fazer pressão sobre os gestores públicos. Os próximos secretários não poderão simplesmente chegar e fazer o que acham que precisa ser feito. O Brasil perde potência quando cada um atua isoladamente", finalizou.