Catimbau (PE): conheça região que recebeu R$ 4 milhões do Sebrae para desenvolver Turismo
Destino reúne paisagens naturais, sítios arqueológicos, inscrições rupestres e manifestações culturais

Vale do Catimbau (PE) - A cerca de 300 quilômetros de Recife, entre o Sertão e o Agreste de Pernambuco, o Vale do Catimbau revela atrativos com potencial para consolidar a região como um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil. A região, que reúne paisagens naturais, sítios arqueológicos, inscrições rupestres e manifestações culturais, receberá um investimento de R$ 4 milhões do Sebrae Nacional e do Sebrae-PE para impulsionar o desenvolvimento da atividade turística no território.
Reconhecido como Parque Nacional do Catimbau, o território será alvo de ações voltadas à qualificação dos agentes que atuam no Turismo, ao apoio aos empreendedores locais e à divulgação dos atrativos naturais, culturais e históricos. A iniciativa busca estruturar a cadeia turística e ampliar o impacto econômico da atividade na região.
Porta de entrada do Vale do Catimbau, a pequena cidade de Buíque já começa a sentir os efeitos do crescimento do fluxo de visitantes. Novas hospedagens e receptivos surgem no município, enquanto turistas de diferentes partes do Brasil e do mundo chegam atraídos pelas paisagens e pelo patrimônio arqueológico do parque.
Para o Sebrae, o objetivo do projeto é fortalecer quem já vive no território. A proposta inclui a capacitação de moradores e empreendedores locais que atuam no entorno do parque e fazem parte da cadeia produtiva da região, valorizando conhecimentos e atividades desenvolvidos no território muito antes de o Catimbau ganhar projeção científica e turística.
Gerlane Melo, analista do Sebrae-PE, na Unidade Agreste, com atuação nas áreas de Turismo e Economia Criativa, explicou as primeiras ações desenvolvidas na região.
“Hoje, estamos com um novo projeto, em parceria com o Sebrae Nacional, no qual vamos trabalhar durante dois anos com um aporte financeiro bastante expressivo para atuar efetivamente no território do Vale do Catimbau. Nós já acompanhamos e apoiamos a Aconturc (Associação dos Condutores de Turismo do Parque Nacional do Catimbau) e também trouxemos alguns parceiros para conhecer a região”
Gerlane Melo, analista do Sebrae-PE
“Eu digo muito que o Vale do Catimbau tem toda essa beleza, mas, se não fossem essas pessoas que começaram esse trabalho há 20 anos, não teríamos o Vale do Catimbau como ele é hoje. São pessoas da cidade e da região que abraçaram a causa e lutam pelo Vale do Catimbau”, completou Gerlane.
As ações do Projeto Nacional Vale do Catimbau estão previstas para seguir até o final de 2027. A iniciativa prevê uma série de medidas integradas para estruturar o Turismo na região, incluindo consultorias especializadas, capacitação em gastronomia e articulação entre instituições.
Rota Mãos do Agreste
Um circuito cultural que conecta grandes potências do artesanato pernambucano: Alto do Moura, Garanhuns e Buíque. A rota Mãos do Agreste é mais uma aposta do Sebrae no Turismo do Catimbau, que tem grandes mestres e mestras da arte representando a região.
“Quando pensamos em fazer a Rota Mãos do Agreste, do barro à madeira, veio toda uma história da repercussão do artesanato local, principalmente do Vale do Catimbau e de Garanhuns. Caruaru já tem uma representatividade muito forte por meio do Alto do Moura, que é conhecido nacional e internacionalmente. Então pensamos: temos Caruaru com essa representatividade, mas o que temos no entorno?”, explicou Gerlane Melo.
Ela lembrou que, em visita ao Sebrae, a irmã do presidente do México disse que gostaria de comprar um peça do Mestre Fida. “E eu pensei: como uma pessoa de tão longe soube que existia o Mestre Fida?”
O Mestre Fida é de Garanhuns, do Quilombo do Timbó, uma comunidade quilombola, e hoje é um dos grandes mestres de Pernambuco. Ele já tem peças conhecidas nacional e internacionalmente.
“Então pensei: alguma coisa está acontecendo em relação a esse artesanato. Quando percebemos esse movimento e esse olhar para a valorização da arte, pensamos em juntar esses três territórios: Vale do Catimbau, Garanhuns e Alto do Moura. Foi assim que começamos a desenvolver esse trabalho”, contou Gerlane em entrevista.
No Vale do Catimbau, especificamente, o Sebrae fez um diagnóstico em 2022 e identificou mais de 16 ateliês de artesãos dentro do território. São artesãos que produzem em suas próprias residências e também mantêm pequenos espaços de venda.
“Você está dentro de um parque onde vê todas aquelas belezas naturais e, ao mesmo tempo, encontra a arte inserida naquele território. A experiência é única. É como levar um pedaço de tudo o que você viveu”
Gerlane Melo, analista do Sebrae-PE
“E o turista que chega ao Vale interessado na Rota do Artesanato pode, sim, fazer um tour específico. Criamos, além do folder, uma publicação em português, inglês e espanhol, porque já estamos olhando também para o mercado internacional”, incluiu.
Segundo maior sítio arqueológico do Brasil
Dentre os 62 mil hectares de natureza do Vale do Catimbau, que engloba canyons, cavernas, 17 trilhas catalogadas e mirantes naturais, o local desponta ainda como o segundo maior sítio arqueológico do Brasil, atrás apenas da Serra da Capivara (PI).
A região foi escavada para estudos entre 1996 e 1998, pela arqueóloga Ana Lucia do Nascimento Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco.
Agora, os visitantes podem presenciar artefatos arqueológicos, pinturas e gravuras rupestres datadas de 6 mil anos, um marco histórico que valoriza o Turismo local. No Sítio Arqueológico do Alcobaça, pinturas rupestres ilustram um paredão rochoso de 200 metros quadrados.

Território indígena e quilombola
O projeto de incentivo ao Turismo no Vale do Catimbau inclui aqueles que já estavam no território antes dele ser considerado um parque nacional. A região é lar de indígenas Kapinawá e comunidades quilombolas e estes grupos estao inseridos em ações de fomento cultural, econômico e turístico.
O turismo de base comunitária é fortalecido por meio de experiências onde os visitantes podem aprender mais sobre as tradições, danças, arte e culinária local. Na aldeia Kapinawá, por exemplo, os turistas são convidados a participarem do toré, uma dança circular ancestral que faz parte dos rituais sagrados dos indígenas desta região.
Na comunidade quilombola Mundo Novo, a vivência inclui culinária ancestral, histórias, cantos e apresentações do samba de coco, um símbolo de resistência do povo que reescreveu sua história após anos de perseguição e escravidão.
Para Gerlane Melo, o desafio agora é transformar a riqueza que já existe no território em experiências capazes de gerar mais oportunidades para quem vive na região.
“É isso: valorizar o que temos, sem inventar a roda. A gente não inventa. A gente dá oportunidade para essas histórias serem conhecidas. E você começa a criar uma outra dinâmica de integração", conclui.
Anna Gabriela Costa, do Travel Tech Hub, especial para o Portal PANROTAS, viajou a convite do Sebrae-PE