Pernambuco quer reorganizar voos para limitar fluxo de turistas em Fernando de Noronha
Estado pediu à Anac revisão dos slots para adequar oferta aérea ao limite de visitantes da ilha

A oferta de voos para Fernando de Noronha poderá passar por mudanças. O governo de Pernambuco solicitou à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) a revisão da distribuição dos horários de pousos e decolagens no arquipélago com o objetivo de adequar a capacidade aérea ao limite de visitantes estabelecido para a ilha.
Na prática, a medida pode impactar a oferta de assentos para o destino, já que o acesso de turistas a Fernando de Noronha ocorre, em sua maioria, por via aérea. A intenção é fazer com que a quantidade de voos respeite o teto de 11 mil visitantes por mês, definido em acordo entre a União e o governo de Pernambuco e homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo informações obtidas pela Folha de S.Paulo, o governo estadual pediu que a administração do arquipélago e a Anac revisem a distribuição dos chamados slots - os horários de pousos e decolagens das companhias aéreas.
Em comunicado enviado à agência reguladora, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, o governo de Pernambuco admite que o limite mensal de visitantes deixou de ser respeitado. "O fluxo efetivo de passageiros vem superando essa marca e exigindo a imediata harmonização entre a distribuição de frequências aéreas e a capacidade de suporte ecológica", afirma o documento.
A discussão deverá envolver também o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), a concessionária do aeroporto, Dix Aeroportos, e a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), entidade que representa as companhias aéreas.
Dados públicos mostram que Fernando de Noronha recebeu quase 140 mil turistas em 2025, acima do limite anual de 132 mil visitantes previsto para o arquipélago.
O limite foi estabelecido para compatibilizar o fluxo turístico com a capacidade da ilha em áreas como abastecimento de água, tratamento de esgoto, gestão de resíduos, mobilidade e preservação ambiental. A proposta do governo estadual é utilizar a distribuição dos voos como instrumento para controlar o número de visitantes e manter a operação dentro desse patamar.