Turismo deixou de faturar R$ 214 bilhões em 2021, revela CNC

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Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Desde fevereiro de 2020, quando começou a pandemia, as perdas chegam a R$ 473,7 bilhões
Desde fevereiro de 2020, quando começou a pandemia, as perdas chegam a R$ 473,7 bilhões
Números levantados pela PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) de dezembro de 2021, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) mostram que o Turismo ainda sofre com os afeitos adversos da pandemia. Segundo aponta um relatório elaborado pela parceria, o segmento deixou de faturar R$ 214 bilhões no ano passado, acumulando, desde fevereiro de 2020, R$ 473,7 bilhões em perdas de receitas.

Além disso, com a eliminação de mais de 476 mil vagas formais no primeiro ano de pandemia, o setor apresentou encolhimento de 13,7% na força de trabalho formal, a maior queda entre as demais áreas da economia, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Os números do Turismo constam como parte de um relatório que ainda mostra que o volume de receitas do setor de serviços cresceu 10,9% no último ano, na comparação com 2020. Após o tombo de 7,8%, ocorrido em 2020, a baixa base comparativa permitiu que essas atividades registrassem a maior taxa da série histórica da pesquisa iniciada em 2011.

Divulgação
José Roberto Tadros, presidente da CNC
José Roberto Tadros, presidente da CNC
Entre os segmentos com altas mais expressivas, destacaram-se os serviços prestados às famílias (+18,2%) - apesar de a geração de receitas ainda se encontrar 11% abaixo do registrado no período pré-pandemia - e os transportes (+15,1%). O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que os números refletem diretamente a redução do isolamento social ao longo de 2021. "O avanço da vacinação fez com que as pessoas se sentissem mais seguras para se deslocar e voltar a consumir. Dessa forma, os serviços mostraram a capacidade de se recuperar de forma mais célere e gerar empregos, o que demonstra a importância deste segmento para a economia", observa.

Voltando ao segmento de viagens e considerando as previsões de baixo crescimento econômico para 2022, a CNC revisou de -0,5% para -0,8% sua projeção para o setor de serviços neste ano e estimou avanço menor, de 1,7%, para o setor de Turismo.

O economista da entidade responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, avalia, contudo, que não há expectativa de que as atividades terciárias apresentem taxas próximas às do ano passado. "As projeções levam em consideração, no caso do setor de serviços, o encarecimento do crédito e a resiliência inflacionária por um período mais prolongado. Já no caso do turismo, os agravantes são a conjuntura econômica menos favorável e o cancelamento de eventos relevantes no processo de geração de receitas", explica.
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