Freixo encerra ciclo de recordes como presidente da Embratur após três anos; veja balanço
Freixo deixará oficialmente a presidência da Agência de promoção internacional nesta terça-feira (31)

Há despedidas que são apenas formais. Outras que acabam encerrando ciclos inteiros e deixando um sentimento de saudade no ar. É o que irá acontecer nesta terça-feira (31), quando Marcelo Freixo deixará oficialmente a presidência da Embratur para concorrer como deputado federal nas eleições deste ano.
E não se trata apenas de uma simples troca de comando, mas o fechamento de um ciclo verdadeiramente vitorioso, de recordes históricos e de uma seriedade para com a política de promoção do Turismo brasileiro no Exterior que há muito tempo não se via.
Fatores estes que fizeram com que o setor voltasse a vibrar e acreditar em si, que fizeram com que o brasileiro tivesse orgulho da própria terra, que fizeram com que o destino Brasil fosse visto pelo mundo de outro ângulo, de maneira respeitada, de uma imponência responsável por colocar nosso País no centro das decisões globais e no projeto de viagem de cada vez mais turistas internacionais.
A certeza que temos é que o Brasil está na moda. Está na moda como nunca esteve antes. E isso é trabalho fundamental de Marcelo Freixo e de toda a equipe da Embratur. O sentimento de pertencer, de ter orgulho das próprias origens e de vibrar com as vitórias brasileiras renovaram o poder do Turismo brasileiro no mundo, seja em promoção para gringo ver, ou em trabalhos muito mais profundos feitos não só pela própria Embratur, mas por tantos outros elos da cadeia, como operadoras, operadoras receptivas, DMCs, companhias aéreas, hotéis, destinos, agentes de viagens, entre tantos outros setores.

Os números ajudam a traduzir essa virada. Em 2025, o Brasil alcançou o recorde histórico de 9,3 milhões de turistas internacionais, superando as metas previstas apenas para 2027. Mais voos, mais receitas, mais presença internacional. Mas, para além das estatísticas, o que se consolidou foi um novo momento institucional para o Turismo brasileiro. É o que disse Marcelo Freixo, presidente da Embratur, em tantas entrevistas concedidas à PANROTAS ao longo destes pouco mais de três anos.
O ainda comandante resume essa trajetória como resultado de construção coletiva. "Esse número não caiu do céu. Foi construída uma política pública. Melhoramos a malha aérea, promovemos com inteligência, chegamos aos mercados certos e o Brasil voltou a ser respeitado. Isso é resultado de muito trabalho e de muita gente junto”, disse ele.
Às vésperas de deixar o comando da Embratur, em março, Marcelo Freixo encerra um ciclo que redefiniu a promoção internacional do Brasil. Além dos recordes de visitantes, houve ainda a retomada de rotas, profissionalização da estratégia e reconexão do País com o mundo, fatores que marcaram uma gestão que muda o patamar do Turismo brasileiro.
"E minha decisão de sair do cargo não diminui meu compromisso com o setor. Isto porque, eu não estou no Turismo porque precisei estar. Estou porque acreditei no setor. É um tema ao qual dediquei três anos da minha vida e não vou abandoná-lo. Continuarei trabalhando com Turismo mesmo após a Embratur. E muita gente desconfiou da minha nomeação no começo, e com razão. Mas não houve bloqueio, houve diálogo. E isso foi essencial para que juntos chegássemos a esses resultados. É por isso que tenho muita gratidão à equipe, ao trade e a todos os profissionais do setor. Sem eles, não teríamos chegado aonde chegamos”
Marcelo Freixo, presidente da Embratur
A reorganização da Embratur

Quando Marcelo Freixo assumiu a presidência da Embratur, no início de 2023, o Brasil ainda tentava se reencontrar no cenário internacional. O Turismo, profundamente afetado pela pandemia e por anos de instabilidade institucional e diplomática, precisava de algo que ia além das tradicionais campanhas promocionais.
Era necessário reconstruir a confiança, reposicionar a imagem do País e devolver previsibilidade ao setor. Três anos depois, os números ajudam a contar essa história.
Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais, um recorde histórico e muito acima da meta prevista no Plano Nacional de Turismo, que projetava oito milhões apenas para 2027. Ao mesmo tempo, o País também atingiu recordes de receita e ampliou significativamente sua conectividade aérea internacional, consolidando o Turismo como vetor econômico e diplomático.
Do improviso ao método

Uma das principais mudanças da gestão foi transformar a lógica de promoção do País. A Embratur deixou de atuar de maneira fragmentada e passou a operar com estratégia integrada, baseada em dados, metas e conversão comercial. O Plano Brasis, lançado durante a gestão, é o exemplo mais claro desta estratégia.
O novo Plano de Marketing do Turismo Internacional organizou a atuação do País no Exterior, permitindo que Estados e destinos passassem a falar de forma coordenada ao mercado internacional.
Ao mesmo tempo, programas de inteligência passaram a orientar decisões sobre onde investir, quais mercados priorizar e como comunicar o Brasil.
Isso fez com que a promoção passasse a dialogar diretamente com conectividade aérea, capacitação do trade e comercialização efetiva. Feiras internacionais, campanhas cooperadas, press trips e famtours passaram a ser desenhados com foco em negócios e geração de fluxo turístico.
O resultado foi uma agência mais eficiente e alinhada às práticas globais de promoção turística. O desafio agora é sustentar o crescimento Apesar do recorde histórico, Freixo evita euforia. Para ele, crescer 37% em um único ano, como ocorreu recentemente, não é algo sustentável indefinidamente.
"Manter crescimento tão expressivo é praticamente impossível. Nenhum país cresce nesse ritmo todo ano. O mundo cresce, em média, 4%. O importante agora é continuar crescendo acima da média mundial. Se isso acontecer, ultrapassaremos 10 milhões de turistas internacionais em 2026”, projeta Freixo, que destacou que o desafio agora não é apenas crescer, mas manter as condições que permitiram o crescimento.
A despedida e a política, a felicidade e a gratidão
Freixo deixa a presidência da Embratur no final de março para disputar as eleições deste ano como candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele afirma que a decisão já estava prevista e que a missão agora é garantir continuidade ao trabalho iniciado. Ao mesmo tempo, ele faz questão de afirmar que não abandona o setor.
Questionado sobre como avalia a própria gestão, Freixo responde sem hesitar que os sentimentos principais são felicidade e gratidão. "Felicidade pelo resultado extraordinário, que é incontestável. Mas, acima de tudo, gratidão. À equipe da Embratur, que trabalhou de forma impressionante, e ao trade turístico", destacou Freixo.
Um novo Freixo?

Conhecido nacionalmente por sua atuação em direitos humanos e segurança pública, Freixo admite que trabalhar com Turismo trouxe mudanças pessoais e profissionais. Ele citou até Raul Seixas para explicar essa real transformação na sua vida.
"O tema é outro. Segurança pública é uma agenda pesada, reativa. Turismo é uma agenda propositiva. Você trabalha projetando o futuro, gerando desenvolvimento. Eu me permiti aprender um tema novo e isso mudou minha forma de atuar. Como dizia Raul Seixas, 'a gente é outro a cada dia que passa. O importante é mudar para melhor'. E hoje eu posso continuar falando sobre segurança pública, vou lançar um livro sobre minha trajetória, mas também vou continuar trabalhando com Turismo. Esse virou um tema permanente na minha vida"
Presidente da Embratur, Marcelo Freixo
O legado que fica
Ao deixar a agência, Freixo entrega uma Embratur estruturada, com orçamento previsível, sistemas modernos de gestão, estratégias de sustentabilidade, programas de inovação e presença internacional fortalecida. A agência também ampliou ações ligadas à diversidade, afroturismo, economia criativa, Turismo de eventos, capacitação internacional e uso de tecnologia e inovação na promoção do País.
Mais do que números, o legado parece ser institucional. A promoção internacional do Brasil deixou de ser episódica e passou a ser contínua. O País voltou a disputar rotas aéreas, grandes eventos e espaços estratégicos no mercado global. O Turismo voltou a ser tratado como vetor econômico e diplomático.
"O Turismo brasileiro é um antes e um depois desse ciclo. E isso não é obra de uma pessoa. É obra de muita gente trabalhando junto. E, ao que tudo indica, o Turismo brasileiro continuará convivendo com ele - agora fora da presidência da Embratur, mas ainda dentro do setor que ajudou a recolocar o Brasil na rota do mundo”
Marcelo Freixo, presidente da Embratur