Turismo internacional gera R$ 3,31 na economia a cada R$ 1 gasto no Brasil, diz estudo
Estrangeiros ainda foram responsáveis por movimentar R$ 84 bilhões no PIB brasileiro em 2025

Cada R$ 1 gasto por turistas internacionais gera um impacto de R$ 3,31 na produção econômica total do Brasil. É o que constatou um estudo inédito desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) para a Embratur, que mensura o efeito multiplicador do Turismo internacional na economia brasileira.
Segundo a pesquisa, além do impacto direto do gasto dos visitantes estrangeiros, há efeitos indiretos ao longo da cadeia produtiva e impactos induzidos pelo aumento da renda, como um impacto direto sobre o PIB de R$ 0,59 por real gasto.
Hoje, do total gerado por cada R$ 1 em receita internacional, R$ 0,75 correspondem à produção adicional indireta, enquanto R$ 1,55 decorrem do chamado efeito induzido, quando trabalhadores e empresas gastam a renda obtida com o Turismo, ampliando ainda mais a atividade econômica.

Esse aumento de renda se distribui entre diferentes agentes econômicos. O estudo revela que, do total gerado, R$ 0,28 correspondem à remuneração dos trabalhadores, R$ 0,21 aos lucros das empresas e R$ 0,10 à arrecadação de impostos, evidenciando o alcance do Turismo internacional para além do setor de viagens e hospitalidade.
A pesquisa revelou ainda que o efeito do Turismo internacional não se limita apenas aos profissionais ligados à atividade. No total, a renda brasileira cresce R$ 1,92 para cada R$ 1 gasto por visitantes internacionais, reforçando o papel do setor como indutor de desenvolvimento econômico. Em termos de emprego, cada R$ 1 milhão em receitas turísticas gera 15 postos diretos e 34 empregos no total.
Em 2025, o País registrou recorde histórico de chegadas de visitantes estrangeiros, com aumento de 37% em relação ao ano anterior. No mesmo período, os turistas internacionais deixaram cerca de R$ 44 bilhões na economia brasileira. Pelas estimativas do estudo, esse volume de recursos gerou R$ 145 bilhões em produção total e R$ 84 bilhões em contribuição ao PIB, o equivalente a cerca de 0,7% da economia nacional.

Os responsáveis pelo estudo
Coordenador do estudo, o professor Osiris Marques, da Universidade Federal Fluminense, destaca que, embora o efeito multiplicador do Turismo seja amplamente citado no debate econômico, faltavam estimativas numéricas específicas para o Brasil. Segundo ele, a pesquisa preenche essa lacuna ao apresentar indicadores concretos sobre o impacto do setor na economia.
Já o professor João Evangelista Monteiro, também da UFF, ressalta que o Turismo internacional contribui para a geração de emprego e renda em diversos segmentos produtivos, ampliando os benefícios para além das atividades diretamente ligadas ao atendimento ao visitante.
Participante do projeto, o professor Glauber Santos, da Universidade de São Paulo (USP), chama atenção para a diferença entre os efeitos do turismo internacional e do turismo doméstico. Segundo ele, enquanto o gasto do visitante estrangeiro representa a entrada de novos recursos na economia nacional, o Turismo interno tende a redistribuir renda entre regiões e setores já existentes.
Para o pesquisador, o Brasil deve priorizar estratégias voltadas não apenas ao aumento do número de visitantes internacionais, mas também à atração de turistas com maior capacidade de gasto e permanência mais qualificada no destino. “Mais importante do que contar turistas é entender quanto eles gastam e como se comportam durante a viagem”, reforçou o estudo inédito.