Filip Calixto   |   25/05/2026 17:51

Intenção de consumo das famílias atinge maior nível em 11 anos, aponta CNC

Compra de bens duráveis e melhora no emprego impulsionam indicador em maio de 2026

Unsplash/MM
O levantamento mostra que a principal influência para o avanço do indicador foi o aumento da disposição das famílias para comprar bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos
O levantamento mostra que a principal influência para o avanço do indicador foi o aumento da disposição das famílias para comprar bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos

A intenção de consumo das famílias brasileiras voltou a crescer em maio de 2026 e alcançou o maior nível dos últimos 11 anos. Segundo pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o índice da ICF (Intenção de Consumo das Famílias) avançou 1,6% em relação a abril, chegando a 106,6 pontos - o melhor resultado desde março de 2015.

O levantamento mostra que a principal influência para o avanço do indicador foi o aumento da disposição das famílias para comprar bens duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos. Na comparação com maio do ano passado, esse componente registrou alta de 18,5%.

O movimento foi favorecido pela desaceleração da inflação nesses produtos. Enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,67% em abril, os bens duráveis tiveram alta menor, de 0,45%. No acumulado de 12 meses, a diferença foi ainda mais significativa: os duráveis registraram inflação de 0,68%, contra 4,39% do índice geral.

Além da melhora nos preços, a percepção mais positiva sobre o mercado de trabalho também contribuiu para o resultado. O indicador de emprego atual subiu 2% no mês e atingiu 128,2 pontos, maior nível dos últimos 12 meses. Segundo a pesquisa, 42,3% dos entrevistados afirmaram sentir mais segurança no emprego.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário mostra uma melhora no consumo, mas ainda exige cautela.

"A redução da inflação em bens duráveis ajuda o consumidor, mas os juros elevados continuam limitando o crédito e o consumo das famílias"

José Roberto Tadros

Apesar do ambiente mais positivo, o consumo do dia a dia ainda segue pressionado. O indicador de consumo atual ficou em 93,8 pontos, abaixo da linha de satisfação de 100 pontos, mesmo com crescimento de 1,4% no mês e 3,4% na comparação anual.

A pesquisa também aponta melhora nas condições de crédito e renda. O acesso ao crédito avançou 7,9% em relação a maio de 2025 e 1% frente ao mês anterior. Já a percepção sobre a renda atual cresceu 3,1% no acumulado de 12 meses e 1,8% no mês.

Expectativa para os próximos meses

As expectativas para os próximos meses seguem positivas. O indicador de perspectiva de consumo avançou 1,7% em relação a abril e 2,8% na comparação anual, registrando a quarta alta consecutiva.

Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, a intenção de consumo apresentou crescimento anual de 3,9%, impulsionada principalmente pela melhora no emprego e pela expectativa de aumento nas compras futuras.

Já entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o avanço foi mais moderado, de 1,4% no acumulado anual, embora o grupo tenha mostrado recuperação em maio após queda registrada no mês anterior.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes