Endividamento das famílias fica em 81,6% e inadimplência se mantém em 29,9% em junho
Peic mostra estabilidade mensal, mas indicadores seguem acima dos registrados em junho de 2025

A estabilidade do endividamento e da inadimplência marcou o cenário financeiro das famílias brasileiras em junho. Segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada hoje (14) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 81,6% das famílias relataram possuir dívidas a vencer, mesmo percentual registrado em maio. Já a parcela de consumidores com contas em atraso permaneceu em 29,9%.
Na comparação anual, entretanto, os indicadores continuam em patamar superior ao de junho de 2025, quando o endividamento alcançava 78,4% e a inadimplência era de 29,5%.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avalia que a estabilidade dos indicadores representa um alívio para os consumidores, mas defende a continuidade da redução da taxa básica de juros para consolidar um ambiente de crédito mais favorável.
"A estabilização da inadimplência e a melhora dos prazos de pagamento em junho dão um respiro ao consumidor", afirmou. Segundo ele, a redução gradual da Selic é necessária para evitar que o custo do crédito comprometa a recuperação do consumo.
Comprometimento da renda recua
A pesquisa também aponta mudanças na composição do endividamento. O percentual de famílias que se consideram "pouco endividadas" passou de 33,3% para 34,2% entre maio e junho. Já a fatia das que se declaram "muito endividadas" teve leve alta, de 17% para 17,2%.
Outro indicador apresentou melhora: a proporção de consumidores que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas caiu de 12,3% para 12,2%.
Prazos de atraso diminuem
O tempo médio de atraso das contas recuou pelo segundo mês consecutivo, chegando a 64,8 dias.
Já o comprometimento médio da renda com o pagamento de dívidas permaneceu em 29,3%. Entre os consumidores endividados:
- 55,8% comprometem entre 11% e 50% da renda mensal com parcelas;
- 33,3% possuem dívidas com prazo superior a um ano, percentual estável em relação a maio.
Desenrola 2.0 ainda deve produzir efeitos
Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, os resultados de junho coincidem com os primeiros 60 dias de vigência doDesenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas do governo federal.
Segundo ele, os impactos mais consistentes da iniciativa sobre os indicadores de endividamento e inadimplência devem aparecer nos próximos meses.
Perspectiva segue de alta
Apesar da estabilidade observada em junho, a CNC projeta continuidade da alta do endividamento das famílias nos próximos meses, acompanhada por um crescimento residual da inadimplência. De acordo com a entidade, as perspectivas refletem o atual nível da taxa Selic e o ritmo esperado para sua redução, além de fatores macroeconômicos como as incertezas em relação ao preço do petróleo.