Confiança do comércio cai ao menor nível desde 2021, aponta CNC
Intenção de contratação recua 2% em outubro, enquanto 78,2% dos empresários avaliam que a economia piorou

A confiança dos empresários do comércio caiu 2,7% em outubro, na quarta retração consecutiva, e atingiu 96,7 pontos, o menor nível desde maio de 2021. Os dados são do Índice de Icec (Confiança do Empresário do Comércio), divulgado nesta quinta-feira (29) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
O indicador ficou abaixo dos 100 pontos, patamar que separa as avaliações positivas das negativas. Segundo a entidade, as incertezas econômicas e fiscais influenciaram as decisões dos empresários às vésperas da Black Friday e do Natal, períodos de maior movimento para o varejo.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a cautela pode afetar as contratações e os investimentos no setor.
"Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”
José Roberto Tadros
Intenção de contratação recua
A intenção de contratação de funcionários caiu 2,8% em outubro. O movimento contribuiu para a redução de 2,4% no subíndice de investimentos, que ficou em 98,9 pontos. Na comparação com outubro do ano passado, o indicador de investimentos recuou 1,8%.
Os investimentos na própria empresa também diminuíram: a queda foi de 2,7% em relação a setembro e de 4,4% na comparação anual.
78,2% avaliam que a economia piorou
O subíndice de Condições Atuais recuou 5,5% em outubro, na sexta queda mensal consecutiva, e chegou a 68,2 pontos, o menor resultado entre os componentes do Icec.
Segundo a pesquisa, 78,2% dos empresários perceberam uma piora nas condições atuais da economia. O percentual é o mais alto desde maio de 2021.
As avaliações sobre o setor de atuação e a situação das próprias empresas também caíram em outubro, com recuos de 6,1% e 4,5%, respectivamente.
O segmento de bens semiduráveis, que inclui roupas, calçados, tecidos e acessórios, registrou queda de 5,4% na confiança em relação ao mês anterior e de 3,3% na comparação anual.
A CNC relaciona parte desse cenário à concorrência de produtos importados e ao endividamento dos consumidores. O economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, afirmou que as importações diretas pressionam os comerciantes nacionais, enquanto o comprometimento da renda limita o consumo.
Remessas internacionais aumentam
Dados da Receita Federal citados pela CNC mostram que o volume de remessas internacionais declaradas passou de 14,4 milhões no ano passado para 25,7 milhões em setembro, alta de 78,7%.
O valor dessas remessas chegou a US$ 523,2 milhões, avanço de 84,3%, segundo o documento. A entidade aponta a concorrência internacional como um dos fatores que afetam o desempenho dos lojistas brasileiros.
Expectativas também recuam
Apesar da queda nos indicadores de confiança, 58,1% dos empresários ainda esperam uma melhora da economia no curto prazo.
O subíndice de Expectativas, porém, recuou 1,3% em outubro, na segunda queda consecutiva. Em relação ao mesmo mês de 2025, a redução foi de 1,1%.
A pesquisa completa está disponível AQUI.