Eleições 2026: veja o que os 6 principais candidatos à Presidência propõem para o Turismo
Confira os planos de governo de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro, Lula, Renan Santos e Zema

Com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando, o Turismo aparece nos planos de governo dos principais candidatos com diferentes níveis de detalhamento e abordagens. As propostas passam por temas como promoção internacional, infraestrutura, viagens domésticas, conectividade, sustentabilidade e qualificação profissional.
A partir dos documentos apresentados pelos candidatos, a PANROTAS reuniu as principais propostas para o setor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Os programas apresentam visões distintas sobre o papel do Turismo na economia brasileira – de estratégias de promoção e desenvolvimento de destinos a investimentos em infraestrutura, concessões, crédito e integração com outras áreas.
A seguir, veja (em ordem alfabética) o que cada candidato propõe para o setor em um eventual mandato de 2027 a 2030.
Augusto Cury

No plano de governo de Augusto Cury, do Avante, intitulado "O Brasil dos Nossos Sonhos", o Turismo aparece em diferentes trechos das 200 páginas do documento, mas não como um eixo específico de políticas públicas para o setor.
Entre as propostas, está o incentivo ao Turismo rural e ao agroturismo como formas de diversificar a renda, valorizar propriedades rurais e fortalecer as economias e culturas locais. O plano também apresenta o Projeto BEE (Brasil Empreendedor nas Estradas), que prevê a criação de polos de comércio e empreendedorismo ao longo das rodovias, com áreas de descanso, alimentação, artesanato e produtos regionais, com a expectativa de estimular o Turismo rodoviário e o desenvolvimento econômico regional.
Por fim, o candidato propõe a realização de feiras internacionais do Brasil, organizadas pela rede diplomática, para promover, entre outros segmentos, o Turismo e a economia criativa.
Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro propõe promover o destino Brasil no Exterior e valorizar as vocações turísticas de cada região, para que o setor gere mais renda e empregos, principalmente em cidades do interior e regiões que mais precisam de oportunidades.
O plano também relaciona o desenvolvimento do Turismo à ampliação da infraestrutura, citando aeroportos, rodovias e ferrovias. Um dos objetivos é viabilizar o Trem do Nordeste, com 1,4 mil km de trilhos interligando Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza e abrindo um roteiro entre praias, cidades históricas e polos culturais para movimentar o Turismo e a vida dos moradores locais.
Também estão nos planos a conclusão da Transnordestina e a ampliação de seu escopo para que a Paraíba e o Rio Grande do Norte sejam contemplados.
A proposta prevê, ainda, explorar o potencial de praias, florestas, patrimônio histórico e cultural e festas brasileiras. O candidato também associa diretamente o Turismo à segurança pública, defendendo que um País que pretende receber turistas brasileiros e estrangeiros precisa garantir maior sensação de proteção.
Por isso, uma das prioridades do plano de governo é o Brasil sem Medo, que consiste em um conjunto de medidas de segurança pública voltadas ao combate direto ao crime organizado e ao endurecimento das penas criminais.
Em seu plano de governo, Flavio Bolsonaro enfatiza que o Brasil tem no Turismo uma vocação natural e uma de suas maiores riquezas: praias, florestas, patrimônio histórico e cultural, festas e belezas que o mundo inteiro quer conhecer.
“Mesmo assim, aproveitamos apenas uma fração desse potencial. Toda a infraestrutura que este plano já prevê, dos aeroportos e rodovias às ferrovias, como o Trem do Nordeste, trabalha a favor do Turismo: são as vias que levam o visitante mais longe, com mais facilidade e menor custo”, destaca o documento.
Luiz Inácio Lula da Silva

O plano de governo de Lula destaca que, em seu atual mandato como presidente do Brasil, o Turismo doméstico e internacional consolidou-se como um pilar da economia e do desenvolvimento regional.
“Os brasileiros voltaram a viajar. Batemos recorde de turistas estrangeiros, e o gasto desses turistas chegou a U$ 10,4 bilhões, maior patamar da história. A Organização Mundial do Turismo abriu um escritório regional no Rio de Janeiro, com foco nas Américas e no Caribe. O Fungetur apoiou mais de 6 mil operações, mobilizando R$ 2,8 bilhões”, destaca o documento.
Entre os planos para o novo mandato de Lula, está a continuidade do apoio ao Turismo em seus múltiplos destinos regionais, visando contribuir cada vez mais com o PIB. Outra prioridade é a atuação para desenvolver destinos turísticos assentados na riqueza natural e na diversidade cultural.
O plano de governo também visa manter e estimular a colaboração entre setores criativos (artes, música, gastronomia) e o Turismo, criando experiências diferenciadas e atraentes.
Outro objetivo é criar e promover novos roteiros turísticos baseados em temas como gastronomia, arte, cultura e ecoturismo, que atraem nichos de mercado específicos, além de avançar na promoção do Brasil no Exterior.
O plano de governo também incentivará a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e buscará avançar em uma política de valorização dos 75 parques nacionais, integrando conservação ambiental, Turismo sustentável, desenvolvimento regional e educação ambiental.
Por fim, o documento também destaca, no atual mandato, o fato de o Brasil ter sediado com sucesso eventos internacionais, como a COP 30, a 17ª Cúpula dos BRICS, a 19ª Cúpula de Chefes de Estado do G20.
Renan Santos

O plano de governo "O Futuro é Glorioso", chamado de "Livro Amarelo", pelo Partido Missão, do candidato à presidência Renan Santos, não cita nenhuma vez a palavra Turismo.
Não há planos divulgados no planejamento para a atividade. A reportagem procurou a campanha em busca de algum comentário sobre o setor de Viagens e Turismo e o que está planejado para ele e não foi respondida até o fechamento desta apuração.
Ronaldo Caiado

O Plano de Governo de Ronaldo Caiado, que disputa a eleição pelo PSD, aponta que o "Turismo será tratado como cadeia produtiva estratégica, capaz de gerar emprego rápido, renda local, divisas, preservação do patrimônio e projeção internacional".
Para tanto, elenca pontos-chave, com destaque para a Estratégia Nacional de Turismo 2035, que prevê a criação de um plano decenal com metas para chegadas internacionais, receita cambial, viagens domésticas, permanência, gasto, emprego formal, investimento e dispersão regional. Também prevê integrar Turismo a infraestrutura, segurança, cultura, meio ambiente, esporte e política externa, com monitoramento anual e revisão por evidências.
Quando o assunto é promoção internacional, o documento aponta dar continuidade técnica à Embratur, segmentar mercados por potencial, medir conversão e apoiar comercialização, não apenas publicidade. "Integrar diplomacia, audiovisual, cultura, esporte e presença digital, ampliar conectividade com mercados emissores e proteger uma marca Brasil plural, confiável, sustentável e livre de uso partidário", diz o Plano.
Quanto a conectividade e facilitação da viagem, o Plano de Governo de Ronaldo Caiado diz que irá aperfeiçoar vistos e autorizações eletrônicas com reciprocidade e análise de risco, digitalizar entrada e informação ao visitante e negociar mais frequências internacionais sem subsídios permanentes a rotas inviáveis.
Romeu Zema

O Plano de Governo de Romeu Zema (Novo) trata o Turismo ao lado da cultura. Prevê que é um vetor de desenvolvimento econômico, de geração de empregos, preservação do patrimônio e redução das desigualdades regionais.
O documento aponta o auxílio do setor privado para aumentar a atratividade de parques e destinos turísticos nacionais, "fortalecendo sua gestão por meio de concessões, parcerias com o setor privado e apoio técnico federal aos estados e municípios, com metas de visitação, conservação e geração de renda local".
Destaca, ainda, a qualificação dos destinos ao melhorar a infraestrutura turística, também por meio de concessões, e garantir a segurança através de um programa com metas verificáveis de redução da criminalidade, policiamento ostensivo integrado e monitoramento tecnológico nos destinos mais visitados do País.
Por fim, o Plano prevê a profissionalização da gestão, com capacitação de profissionais em parceria com o Sistema S, e fortalecimento da promoção nacional e internacional por meio de campanhas baseadas em inteligência de mercado.
Colaboraram Filip Calixto, Karina Cedeño e Laura Enchioglo.