Setor de eventos registra recorde de consumo, mas desacelera na geração de empregos
Radar Econômico da Abrape aponta alta no consumo até agosto, enquanto criação de vagas perde ritmo em 2026

O setor de eventos de cultura e entretenimento registrou recuperação na geração de empregos em agosto, mas mantém um ritmo de crescimento inferior ao de 2025. Ao mesmo tempo, o consumo ligado às atividades de recreação atingiu o maior valor da série histórica para o período de janeiro a agosto. Os dados são do Radar Econômico da Abrape (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos).
Em agosto, as atividades diretamente ligadas à organização e à realização de eventos registraram saldo positivo de 2,6 mil empregos formais, o melhor resultado mensal de 2026. Já os setores que também são movimentados pelos eventos, como Turismo, hospedagem, alimentação, publicidade e infraestrutura, geraram 23,6 mil postos de trabalho no período.
Apesar do resultado mensal, o acumulado de janeiro a agosto mostra desaceleração. As atividades diretamente ligadas aos eventos somaram 7,6 mil vagas formais, queda de 45,5% em relação ao mesmo período de 2025. Nos setores relacionados à cadeia de eventos, foram 105,5 mil postos de trabalho, recuo de 14,7% na comparação anual.
A geração de empregos também apresenta diferenças entre as atividades. A organização de eventos acumulou saldo positivo de 6,9 mil vagas, enquanto os segmentos de recreação e lazer e de patrimônio cultural e ambiental registraram saldos negativos.
O cenário acompanha o ritmo mais moderado da economia brasileira. O PIB (Produto Interno Bruto) acumulou crescimento de 1,9% em 12 meses, enquanto o volume de atividades turísticas avançou 0,6%.
Consumo atinge recorde
A estimativa de consumo associada às atividades de recreação chegou a R$ 102,6 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 7,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Em relação a 2019, quando o indicador começou a ser calculado, o avanço foi de 27,4%.
Somente em agosto, a movimentação estimada alcançou R$ 12,78 bilhões, mantendo-se próxima dos maiores níveis registrados pelo indicador.

O cálculo da Abrape considera o peso do item Recreação no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), combinado à massa de rendimento real dos trabalhadores, medida pela PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
Setor entra em nova etapa
Para a Abrape, os dados apontam uma fase em que a manutenção do crescimento depende também das condições econômicas e da capacidade de investimento das empresas. Embora o consumo permaneça em alta, a desaceleração da economia e a redução no ritmo de criação de vagas exigem atenção.
O presidente da entidade, Doreni Caramori, afirma que o setor precisa conciliar a expansão da atividade com a sustentabilidade dos resultados.
"O desafio agora é preservar o ambiente de investimentos e manter a capacidade de geração de oportunidades em toda a cadeia produtiva”
Doreni Caramori, presidente da Abrape
O Radar Econômico da Abrape reúne indicadores de emprego, consumo e atividade econômica para acompanhar os impactos do setor de eventos na geração de renda, no turismo e na economia brasileira.
O relatório completo está disponível no site da associação e pode ser visto AQUI.