Curadoria ganha força como diferencial para agentes de viagens, diz Brafrika Viagens
Na Africas Travel Indaba 2026, Beatriz Souza destacou autenticidade e conectividade aérea

DURBAN (ÁFRICA DO SUL) – A busca por experiências autênticas e personalizadas (aquelas que não se encontram no TikTok) faz com que os viajantes valorizem o papel da curadoria no trabalho das agências de viagens. Este é um dos principais insights compartilhadas por Beatriz Souza, fundadora da Brafrika Viagens, durante o primeiro dia da Africa’s Travel Indaba, que começou nesta terça-feira (12), em Durban.
Especializada em Turismo afro, a empresária destacou que a feira tem sido uma importante oportunidade para descobrir pequenos fornecedores e experiências culturais mais profundas, conectadas às comunidades locais. Entre os exemplos encontrados nesta edição estão vivências gastronômicas em Soweto, aulas de dança estilo amapiano e atividades voltadas para crianças visitantes que seguem as tradições e brincadeiras das crianças locais, aproximando turistas do cotidiano sul-africano.
Segundo Beatriz, o perfil do viajante brasileiro que visita a África do Sul mudou. Para ela, o turista já conhece os cartões-postais tradicionais e agora busca conexões mais genuínas com a cultura local, o que aumenta a importância do trabalho de curadoria realizado pelas agências. “Eu já moro aqui há três anos e têm experiências que só quem é local vai conhecer. Imagina você ser um viajante que gosta de cozinhar e ter a chance de acompanhar as ‘mamas’ indo ao mercado, comprando os ingredientes nos lugares certos, vendo como elas negociam, para depois preparar os pratos? Esse é um tipo de produto que só é possível por meio de uma curadoria especializada”, afirmou.
“Nossa missão é diminuir o espaço entre o viajante e as comunidades locais, que têm uma cena cultural muito forte. Quanto mais autenticidade, criatividade e troca humana, mais os nossos clientes voltam. E voltam muito menos arredios em termos de preço, porque quando vão por conta própria acabam tendo uma experiência sem sal, mas aí passam a valorizar a curadoria especializada”
Beatriz Souza, da Brafrika Viagens
A empresária também ressaltou a importância da ampliação da conectividade aérea entre o Brasil e destinos africanos. Apesar do aumento recente na oferta de voos saindo de São Paulo, ela acredita que ainda existe espaço para ampliar o acesso de brasileiros ao continente, especialmente a partir do Rio de Janeiro.

“Não faz sentido não ter um voo direto do Rio para cá. Eu brinco que Capetown é a irmã gêmea do Rio, só que o Rio é a extrovertida, doida, e Capetown é a introvertida, cult. A gente precisa de mais rotas e valores mais competitivos para facilitar a chegada dos brasileiros à África do Sul e a outros destinos africanos”, destacou.
Beatriz ainda observou o crescente interesse de fornecedores africanos pelo mercado brasileiro, principalmente pelo Rio de Janeiro, o Carnaval e as celebrações de Ano Novo, reforçando o potencial de intercâmbio turístico e cultural entre os dois países.
A PANROTAS viaja a convite do Turismo da África do Sul