Setor de locação deve terminar 2020 com níveis pré-pandemia

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Da Redação
Paulo Miguel Jr., presidente da ABLA
Paulo Miguel Jr., presidente da ABLA
Lentamente, cada segmento Turismo no Brasil vai dando razões para que se acredite na retomada, mas provavelmente poucos têm evidências maiores do que o de locação de automóveis. É bem possível, segundo o presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), Paulo Miguel Jr., que o ano termine já com os níveis de consumo de 2019 igualados em todos os principais recortes do setor. Uma vitória, embora a queda de receita seja inevitável, e o setor se encontrasse em franco crescimento, com previsão de alta de 15% em 2020. Antes da covid-19.

Em março e abril, a locação para aplicativos de transporte e locação de viagens de lazer caíram 90% na comparação com o mesmo período em 2019, mas esses setores representam apenas metade da receita das locadoras, que têm na terceirização de frotas (52%) o grosso de suas vendas. Claro que este último também teve diluição no volume, mas mais amena, de maneira que conseguiu dar apoio às maiores empresas do ramo. “No começo de agosto, já tínhamos retomado a terceirização de frotas nos níveis pré-pandemia”, afirmou o presidente da ABLA. “Já os índices de aluguel para aplicativos, como Uber e 99, se igualaram aos índices de 2019 pouco tempo depois, entre agosto e setembro”, completou Paulo Miguel Jr.

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Com os voos retomando a partir do fim de junho, os balcões das locadoras também voltaram a reabrir para as viagens de lazer, índice que vê crescimento gradual conforme as principais aéreas seguem confirmando aumento mensal de malha. Embora o impacto tenha sido sentido, sim, com o público de lazer, a tendência é que o nível, hoje já em 70% de 2019, seja recuperado até o fim de dezembro.

“Todos os especialistas estão apontando para a tendência de viagens de curtas distâncias, e o brasileiro, que já estava mais atento às oportunidades proporcionadas pelo aluguel, vai continuar vendo nas locadoras uma oportunidade de viajar seguro”, pondera o diretor. As associadas ABLA somam aproximadamente 280 mil veículos destinados ao Turismo de lazer, em mais de dez mil locadoras espalhadas pelo Brasil.

Um dos maiores desafios das empresas em relação ao viajante de lazer foi mostrar que a cada devolução, o veículo é totalmente higienizado e preparado para o novo usuário. “Esse foi um processo que sempre ocorreu, mas claro que reforçamos as medidas durante a pandemia de covid-19. O desafio vem sendo informar e assegurar que os protocolos eram garantidos nas locadoras.”

Miguel Jr. ainda afirma que poucas locadoras foram fechadas neste ano. “Um fator que ajudou essas empresas é que durante a pandemia o mercado de seminovos manteve seu preço ou até valorizou, então as locadoras que precisaram fazer caixa conseguiram no segmento de seminovos. Apesar disso, empregos foram perdidos. Em julho tínhamos 2,5 mil postos a menos do que em janeiro.”

DICA PARA OS AGENTES DE VIAGENS
Como vender carros na retomada do Turismo? “Primeiramente esclarecer que todos os protocolos estão sendo seguidos pelas locadoras, que estão preocupadas com a segurança dos usuários”, esclarece o presidente da ABLA. “Além disso, um veículo dá a possibilidade de explorar um destino sem que o viajante fique preso a horários. Com um carro ele pode explorar e ter suas próprias experiências, sem ter de seguir um cronograma definido em passeios fechados."

A oferta diversificada também é um argumento de vendas, em sua visão. “Como as locadoras têm uma gama de produtos a oferecer, mesmo que as famílias tenham carros pequenos, podem alugar carros grandes para viajar. Caminhonete, SUV, econômico... está tudo disponível para quando os clientes quiserem, já que cada terreno exige um tipo de veículo conforme o perfil de viajantes."
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