CVC: "retomada já começou" com doméstico a 80% do pré-pandemia

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Leonel Andrade, CEO da CVC Corp há seis meses
Leonel Andrade, CEO da CVC Corp há seis meses

O volume de vendas da CVC no doméstico já está em cerca de 80% do que a empresa vendia em 2019. Este é o principal expoente da CVC Corp no momento, sua principal fonte de receitas enquanto o internacional ainda é moroso e as viagens corporativas ainda não engrenaram.

"Quem já voltou forte é o lazer doméstico. Estamos em torno de 80% neste segmento em comparação com o pré-pandemia. Isso é muito importante pois o lazer doméstico é historicamente um dos maiores carros-chefes da marca CVC", analisou o CEO da CVC Corp, Leonel Andrade, em reunião com acionistas para comentar o prejuízo de R$ 900 milhões no primeiro trimestre de um ano espinhoso.

As lojas físicas conduzem o grosso de vendas da CVC nas viagens pelo Brasil. Já são cerca de 1,2 mil franquias operando, contra aproximadamente 1,36 mil no pré-pandemia. Poucas estão com restrições devido à pandemia e, segundo Andrade, não chega a 10% o número de franquias que fechou as portas em definitivo.

"Estamos colhendo frutos de um desafio gigantesco que tivemos para a manutenção das lojas físicas. São empresários que foram pegos de surpresa, ainda mais em um setor tão abalado. Não tínhamos condição de fazer nada além do que fizemos: apoio jurídico e logístico, intermediação de discussões com o mercado, entidades, ministérios, entidades, secretarias... Também reestruturamos para que os franqueados tivessem participação no processo de remarcação. Desfrutamos de bastante sucesso em todos esses elementos", afirma o CEO, acrescentando que não vê mais a possibilidade de o índice de 1,2 mil lojas ser reduzido de agora em diante.

Rodrigo Vieira
Loja da CVC na Santa Cecília, centro de São Paulo. Uma das 1,2 mil unidades já reabertas na pandemia
Loja da CVC na Santa Cecília, centro de São Paulo. Uma das 1,2 mil unidades já reabertas na pandemia
Perguntado por um acionista, que lembrou da crise da gripe suína, sobre a possibilidade de um grupo do porte da CVC Corp se beneficiar da crise enquanto outros importantes players do setor anunciam o fechamento de portas, ele respondeu que é natural um aumento de share em curto prazo.

"Não devemos basear nossa estratégia na fragilidade da concorrência, pois o Turismo ainda é um mercado crescente, com boas perspectivas para o futuro, já que o consumidor sente a necessidade de viajar. Em curto prazo, teremos vantagens, sim, pois nós já somos sobreviventes à maior crise enfrentada pela indústria, mas em médio e longo prazos novos competidores surgem, então nossa base para previsão de crescimento não passa pela fragilidade dos outros", concluiu.

RETOMADA JÁ COMEÇOU

Marcando hoje seis meses desde sua chegada à CVC Corp, Leonel Andrade reforçou aos acionistas fatos importantes de sua gestão. Entre eles o aporte financeiro que a empresa recebeu recentemente (R$ 295 milhões), em sua primeira fase de capitalização junto aos acionistas, que na visão do diretor financeiro Mauricio Montilha é o suficiente para honrar os compromissos com os fornecedores e garantir a saúde da empresa para os próximos anos. "Temos caixa robusto e nos manteremos sólidos para retomar e puxar a liderança em todo Brasil. Nossos acionistas têm mostrado, conforme visto na primeira fase de capitalização que não nos falta apoio. Esse balanço trimestral representa perdas muito grandes, mas a capitalização nos traz recursos para retomar e financiar as viagens".

Andrade garantiu ainda que não há produto, aliança ou parceria interrompida e nem redução de pessoas e negócios que implique e reduzir a competitividade da CVC Corp. "Muito pelo contrário", cravou o dirigente. "Estamos reestruturando a governança. Hoje temos uma empresa que caminha para um alto padrão administrativo em compliance e controles internos. Iniciamos uma série de programas grandes que vão neste sentido. Seremos exemplo de organização, com valores e propósitos calcados em governança e sustentabilidade."

Tema importante entre os acionistas, Andrade e Montilha voltaram a ponderar sobre a revisão completa da estratégia da CVC Corp. "Fizemos toda essa revisão, que será concluída em meados de novembro, com foco no futuro. Estamos também revisitando nossas marcas. Hoje são mais de dez marcas e vamos racionalizar e simplificar em consonância com a nossa estratégia", afirmou Andrade.

Tecnologia, processos, simplificação e ganhos de sinergia são os principais objetivos desta revisitação, segundo os líderes da CVC Corp, que garantem: "tudo estará pronto até o final deste ano." Hoje mesmo mais uma etapa da "nova CVC Corp" foi anunciada, com a reestruturação B2B da empresa.

Prometidos também estão novos produtos, estes para as próximas semanas. "Teremos quatro ou cinco novas opções, ainda neste ano, todos com foco no cliente final."

Todos elementos para que a CVC alcance o objetivo de fechar 2020 com metade do volume de 2019, o que a empresa já enxerga como uma vitória.
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