Como a gigante TUI traça sua retomada no Turismo

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Filip Calixto
Leandro Carvalho
Leandro Carvalho
A busca por soluções para sair desta crise de maneira sólida é uma luta diária de todas as operadoras brasileiras, mas poucas têm o privilégio de fazer parte de um dos maiores grupos de Turismo do mundo. É o caso da TUI Brasil, que triplicou seu volume de negócios no País em 2019. Parte do Grupo TUI, que é dono de companhias aéreas e redes de cruzeiros e hotéis, a operadora dirigida por Leandro Carvalho defende a ideia de uma retomada responsável, sem radicalismos e adaptável ao "novo normal".

"Ser dona de vários fornecedores coloca a TUI Brasil em uma situação mais positiva, mais protegida contra variações externas. Esse respaldo nos dá tranquilidade para trabalhar. Nossa receita global é 70% oriunda de hotéis e cruzeiros, ou seja, não temos mais a operação como fonte número um de receita. Isso nos protege de volatilidade e nos garante uma solidez financeira interessante", afirma o CEO da TUI Brasil, Leandro Carvalho.

O executivo prega equilíbrio e cautela para acompanhar o avanço da crise por todo o mundo e traçar uma estratégia de retomada para cada mercado e destino. Sem radicalismos, com um pé na saúde do viajante e outro pé na questão econômica. Isto posto, o cenário atual aponta para um retorno gradativo na Europa, enquanto o Brasil vai tardar um pouco mais para se reaquecer.

RETOMADA NA EUROPA

Já no começo da alta temporada de verão do hemisfério norte os turistas poderão se hospedar em hotéis TUI. Um dos destinos maiores que mais geram receita para a empresa, a Espanha será um dos alicerces TUI na Europa. A companhia anunciou hoje o retorno das operações de lazer no destino a partir de 1º de julho, mesma data em que o país ibérico abre mão da quarentena obrigatória imposta para estrangeiros. Mais de seis milhões de pessoas entram na Espanha anualmente com ao menos um produto TUI.

"Para nós é uma notícia muito importante, pois algumas previsões apontavam que tudo ainda poderia estar fechado até setembro. O verão de 2020 voltou a ser uma realidade para a TUI, mas ainda em âmbito local. Isto é, verão na Europa será apenas para os europeus, o que não deixa de ser um alívio", afirma. Viajantes alemães, ingleses e escandinavos são os responsáveis por mais da metade da receita anual da companhia na Europa, importância que só foi acentuada após a quebra da Thomas Cook.

"Estamos seguindo os protocolos de auditoria sanitária Intertek Cristal, através da certificação POSI-Check (Prevention of Spread of Infections). Isso dará confiança ao passageiro TUI. Gera um valor agregado que antes não existia. Inclusive tentaremos refletir esses protocolos nos fornecedores nacionais dos quais somos parceiros", ressalta o executivo.

Doméstico na Europa, doméstico no Brasil. A TUI considera três passos para que as viagens internacionais e transcontinentais voltem a acontecer: destinos seguros, retorno substancial das companhias aéreas e abertura das fronteiras internacionais.

"Acreditamos que as viagens de curta distância marcarão o reinício do Turismo, mas seria irresponsabilidade dizer que o Brasil, onde o tom das notícias vem mudando diariamente, está pronto. De qualquer maneira, nosso trabalho está sendo em contato com os fornecedores e aceleração da nossa transformação digital", conta Carvalho.

RETOMADA NO BRASIL

O foco da TUI para com o consumidor brasileiro é vender os produtos próprios da companhia no Exterior, mas nem por isso a companhia está despreparada para vender fornecedores nacionais. "O agente de viagens vai se surpreender com nossos preços, condições, com a nossa própria plataforma de reservas e atendimento", garante Leandro Carvalho.

A TUI Brasil já deixava claro o foco em transformação digital há meses, e Carvalho acredita que o momento da crise só acelerou o processo. "Só acelerou a necessidade de digitalização e contribuiu com o avanço", conclui o diretor da empresa, que cogita remodelar seu escritório físico em Curitiba por conta da experiência de isolamento e home office.
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