Artur Luiz Andrade   |   09/01/2026 16:25

Abreu celebra 2025 e destaca crescimento em Orlando, Dubai e circuitos europeus

Operadora tem 185 anos de atividades e está no Brasil desde a década de 1960

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Pedro Couto, diretor de Operações da Abreu, e Ronnie Corrêa, diretor Brasil
Pedro Couto, diretor de Operações da Abreu, e Ronnie Corrêa, diretor Brasil

O diretor de Operações da Abreu, Pedro Couto, baseado em Lisboa, e o diretor Brasil, Ronnie Corrêa, que fica no Rio, falaram com a PANROTAS durante um almoço na capital portuguesa, no final de 2025. Na pauta, o crescimento no ano passado, a tentativa de lançar novos destinos em um ritmo mais calmo das viagens e as preferências de brasileiros e portugueses.

“A Abreu tem a vantagem de ser uma empresa portuguesa, mas no Brasil funciona como uma empresa brasileira. Além da nossa solidez de 185 anos. Faltam 15 para os 200. A gente dá um passo de cada vez, mas vai experimentando coisas novas, como as que fizemos nos circuitos, que agora dão mais tempo para os passageiros explorarem as cidades”, conta Ronnie Corrêa.

A Abreu está no Brasil desde o final dos anos 1960 e tem crescido sua presença nos últimos 20 anos, apostando na relação duradoura com esse mercado. Toda a negociação aérea é feita localmente no Brasil, mas há o benefício de contar com a matriz, em Lisboa, para a hotelaria internacional, Mice, circuitos e outros segmentos. “Somos uma empresa sólida, que não faz loucuras, e que testa novos produtos, muitos desenhados para os brasileiros, como os circuitos, ou nossas saídas para Dubai ou a operação de Orlando. Estamos há 185 anos no mercado, cerca de 60 no Brasil e queremos ficar muito mais ao lado dos brasileiros”, frisa Ronnie Corrêa.

E enquanto em Portugal há uma grande rede de lojas que vende diretamente ao consumidor, no Brasil mais de 75% das vendas são via agências de viagens.

PANROTAS / Filip Calixto
Visita de agentes de viagens à sede da Abreu
Visita de agentes de viagens à sede da Abreu

Confira abaixo um resumo do bate-papo. Começando pelo balanço de 2025

PANROTAS – Como foi o ano para a Abreu no Brasil?

RONNIE CORRÊA – O ano no Brasil foi um pouco mais difícil, mais arrastado. Mas que terminou com crescimento, graças a um esforço grande do time. Para os Estados Unidos, lutamos para empatar. Outros destinos, como Dubai, cresceram. Sempre há essa gangorra ano a ano.

PANROTAS – Qual foi o maior desafio?

CORRÊA – Para o passageiro, foi preço. Os ruídos que tivemos com taxa americana, IOF... isso atrapalhou as vendas. Não pelo valor, no caso do IOF, mas pelo ruído, pela preocupação. Com isso, vimos outros destinos cresceram mais, como Ásia, África do Sul, Marrocos. Nossa operação para Dubai, com bloqueios com a Emirates, continua um sucesso. O Egito demorou a voltar, mas retomou em 2025, pois sempre era vendido com Israel. Com a situação em Israel, o Egito só voltou a vender mesmo no final do ano. Na Ásia, destacaria ainda Japão e Tailândia.

PANROTAS – E quais foram os destinos mais procurados na Europa e EUA?

CORRÊA – Portugal em primeiro, Espanha em segundo, e Itália brigando com França em terceiro. Depois Alemanha, com Berlim muito forte, Leste Europeu e Reino Unido. Nos Estados Unidos, Orlando em primeiro, seguido de Nova York e depois Miami. Las Vegas vem em quarto. Mas Orlando continua forte, temos acordos com Disney, Universal, todos os parques. Aliás, começamos também um bom trabalho com a Disneyland Paris.

PANROTAS / Filip Calixto
MegaFam Abreu 185 anos
MegaFam Abreu 185 anos

Circuitos caíram nos gostos dos brasileiros

PANROTAS – Os circuitos ainda são muito fortes no Brasil, não é? O que atrai tanto os brasileiros?

CORRÊA – São vários perfis, inclusive de tíquete alto. O passageiro quer voltar à Europa, mas não quer ter trabalho, ou quer voltar sozinho ou com amigos. Ele fala idiomas, tem uma boa condição, mas o circuito oferece facilidades para essa viagem. Se você me perguntasse dez anos atrás se esse negócio ainda existiria, eu diria que iria ser muito menor. Mas não é. Ainda é um produto muito forte, inclusive no Brasil. E nós temos a vantagem da língua, de ter um produto mais voltado para os brasileiros. Claro que temos menos saídas, especialmente porque está mais difícil negociar com a hotelaria, e os custos subiram, mas é um produto muito relevante ainda e com custo-benefício muito bom, como os cruzeiros. Outra vantagem nossa é que temos nosso bed bank, a Abreu On-line, o que nos dá um volume bom de negociação com a hotelaria.

PANROTAS – E o produto também evoluiu, não é? As visitas ou paradas às cidades estão mais demoradas...

CORRÊA – Sim, antes podia-se explorar muito pouco as cidades. Hoje os circuitos são mais lentos, com mais tempo em cada destino. Principalmente nos produtos de perfil mais elevado.

Há novos roteiros em que reduzimos a quilometragem diária e aumentamos a quantidade de noites no mesmo hotel. O passageiro já não quer aquela correria para dizer que conheceu um lugar, até porque alguns querem voltar. Acho que essa é uma mudança de perfil muito clara do passageiro.

A gente lançou uma programação de Itália, por exemplo, que já vai explorar outras áreas. Essa é a Itália é dos três mares. Lançamos uma para a Alemanha também, que é uma Alemanha completa, mas que explora outras regiões menos conhecidas. Lançamos um só para a Áustria e República Tcheca (ou Tchequia). Só que não é uma mudança rápida, pois todos chegam procurando Roma, Veneza e Florença. A gente tem de ir paulatinamente experimentando, ver o que deu certo, o que precisamos ajustar, e aí vai lançando novos destinos. Vai lançando novos destinos e vai mudando o perfil da programação. E na Abreu trabalhamos assim, com consistência e um passo a cada vez.

Leia aqui sobre a série Vamos Explorar o Mundo, da Abreu

PANROTAS – Sempre com um guia falando português?

CORRÊA – Sim, com guia em português. A maioria das saídas é de grupos só de brasileiros ou brasileiros e portugueses. Temos uma pequena operação que vende também na América Latina e essa a gente mistura português e espanhol.

A Abreu é a única empresa que está no Brasil que tem uma operação própria de circuitos. A gente opera dentro de casa, os guias selecionados por nós, nós fazemos o treinamento de todos eles. Nossa estrutura é otimizada e cada base tem sinergia com as demais. Temos 150 funcionários no Brasil e 900 em Portugal. Não replicamos estruturas.


PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Pedro Couto, diretor de Operações da Abreu, e Ronnie Corrêa, diretor Brasil
Pedro Couto, diretor de Operações da Abreu, e Ronnie Corrêa, diretor Brasil

Gerações viajando com a Abreu

PANROTAS – Como é o mix de passageiros por gerações? Os circuitos geralmente atrai um público mais velho, certo?

CORRÊA – Atendemos todas as gerações. Muitas famílias nos Estados Unidos. Um público de mais idade nos circuitos. Assim como nos exóticos, com uma idade acima da média. Mas não como antigamente, quando eram passageiros 60+. Estamos falando de um público agora 50+. Mais novo que alguns anos atrás, mas mais velho que os que vão a Orlando ou Caribe.

PEDRO COUTO – Aqui em Portugal vendemos um circuito para a Turquia, que pega um pessoal mais jovem. Ou seja, tudo depende do produto. Nós também estamos on-line e nossos produtos também têm atraído a geração Z. E há jovens que acham que tem muita informação on-line, que não têm tempo de ver e analisar tudo e acabam procurando nossas lojas para falar com um agente.

Esportes

PANROTAS – Nos Estados Unidos, vocês contam com o escritório em Orlando, que, claro, atende a demanda de parques. Mas a demanda de esportes também é forte?

CORRÊA – Sim, é algo que se consolidou. A gente já vendia o Orlando Magic, que vinha sendo descoberto pelos brasileiros e tem uma estrutura boa de atendimento e de experiência. Agora isso virou uma coisa maior, né? O futebol americano passou também a ser procurado, este ano vai ter Copa do Mundo nos Estados Unidos.

PANROTAS – A Copa vai ajudar ou atrapalhar os grupos e passageiros de lazer?

CORRÊA – A gente nunca sabe se vai atrapalhar ou se vai ajudar. É sempre uma incógnita. O evento será bem na alta temporada dos parques e da ida de brasileiros para os destinos americanos.

Brasil na Abreu

PANROTAS – Como foi a venda de Brasil na Abreu no ano passado?

CORRÊA – O Brasil como destino de brasileiros voltou a crescer e foi muito forte em 2025. O time investiu mais em bloqueios aéreos e demos um salto grande de novo. Nordeste e Gramado são os principais destinos.

PANROTAS – E na Abreu em Portugal e Espanha? Como estão a venda e a imagem do Brasil?

COUTO – Como vendemos mais lazer, o Nordeste é o destino preferido dos portugueses. Salvador, Natal, Recife, toda a costa. Nosso corporativo é focado em São Paulo, que também tem lazer, e Curitiba. Temos uma divisão de viagens corporativas que cuida desse segmento. Na Europa em geral, a massa acaba indo para o Caribe e o Brasil é mais individual, um público que quer algo diferente.

PANROTAS – E sobre a imagem do Brasil para esses turistas?

COUTO – Olha, a imagem do Brasil já foi muito pior. Agora está numa fase tranquila. É mesmo uma questão de poder aquisitivo para ir ao Brasil (em comparação às ofertas de Caribe, especialmente das operadoras espanholas, que têm uma operação verticalizada, pois são donas do aéreo, do hotel, do receptivo e o preço fica bem baixo). A Embratur abriu um escritório aqui em Lisboa, um piloto, temos conversado com eles. O português nas férias de verão quer praia, hotel all inclusive pé na areia. A gente tenta colocar algo cultural e o que vende é praia, em hotéis quatro, cinco estrelas.

Plano para 2026

PANROTAS – O que podemos esperar para 2026?

COUTO – Vamos migrar para um novo sistema e isso trará diversos benefícios, com mais dinamismo e agilidade para a operação. Nosso site vai ser o mais completo possível, vamos integrar ainda mais clientes no sistema e vamos lançar um app para o mercado português, que será um teste para outros mercados. Também há vários projetos sendo testados que envolvem inteligência artificial.



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Artur Luiz Andrade

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Sobre o autor

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.