Pedro Menezes   |   28/09/2026 11:42
Atualizada em 28/09/2026 12:34

BRT Operadora acelera expansão com nova estrutura e mira dobrar de tamanho em 2027

Plano prevê curadoria de fornecedores, regionalização, tecnologia e atendimento consultivo às agências

PANROTAS / Emerson Souza
Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT, e Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora
Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT, e Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora

O Grupo BRT não mediu esforços e nem investimentos para ladrilhar um novo capítulo na história da BRT Operadora. A chegada de Mariana Azevedo como diretora no começo do mês é apenas um dos pilares que irão acelerar o crescimento da operadora e até mesmo transformar a unidade em um dos principais vetores de expansão do grupo nos próximos anos.

A estratégia, que vem sendo trabalhada desde o fim da pandemia, envolve também reforço de equipe, reorganização interna, ampliação do portfólio, maior atuação comercial por todo o País, uma curadoria detalhada de fornecedores e produtos, além de uma nova estrutura dedicada 100% à operação.

É o que contaram Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT, e Mariana Azevedo, nova diretora da BRT Operadora, em entrevista exclusiva ao Portal PANROTAS. A executiva ex-Diversa Turismo chega com a missão de conduzir a operação em um momento em que a empresa já vinha estruturando as bases para crescer, um impulso necessário para focar nos pontos mais importantes da operação no mercado.

“Contratamos a Mariana como diretora para somar, para seguir fortalecendo nossa operadora que, por sua vez, já vinha passando por todo um processo de reestruturação na retomada do Turismo pós-pandemia. A BRT Operadora, portanto, vem ganhando corpo desde que o grupo decidiu ampliar sua estrutura e passou a identificar com mais clareza o potencial da unidade de negócios”?

Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT
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Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT
Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

A operadora hoje representa cerca de 10% do volume de faturamento do Grupo BRT, considerando a divisão interna dos negócios que também conta com consolidação aérea e consolidação terrestre.

A meta do vice-presidente é fazer com que a unidade seja, até o fim de 2027, de duas a três vezes maior do que é atualmente. “O objetivo real mesmo é chegar a três vezes o tamanho atual da operadora em participação dentro do Grupo BRT”, complementou Di Ruzze.

O executivo, no entanto, fez uma ressalva ao ser questionado pelo Portal PANROTAS sobre qual seria a prioridade do negócio com essa investida. Segundo o VP, o crescimento não deve ser confundido com uma busca isolada por uma maior participação de mercado.

A estratégia da operadora se baseia no aumento de share como uma consequência da capacidade de entregar uma operação mais estruturada, escalável e competitiva para os agentes de viagens.

A unidade, inclusive, já é apontada internamente como a que mais cresce entre os três segmentos utilizados pelo grupo para seus relatórios neste ano de 2026. Só que o crescimento da consolidação nos últimos anos fez com que a operadora acabasse perdendo participação relativa dentro do grupo, ainda que continuasse avançando em números absolutos, segundo Di Ruzze.

“O que estamos preparando é o nosso potencial para entregar resultados cada vez melhores aos agentes de viagens. A chegada de Mariana Azevedo não marca o início e nem o fim da reestruturação da operadora. O processo começou a ser desenhado ainda no período pós-pandemia e seguirá nos próximos anos”?

Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

Expansão de portfólio é uma das prioridades deste novo momento

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Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT
Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

Com o retorno do mercado e a retomada das viagens, o Grupo BRT identificou que precisava melhorar principalmente a organização do portfólio. O relacionamento com fornecedores já era considerado uma força da empresa, mas havia espaço para uma seleção mais precisa dos produtos e para uma sintonia maior entre oferta, distribuição e necessidade das agências.

Essa estratégia vem acompanhada de uma característica histórica da BRT, que não trabalha com estruturas completamente engessadas. Segundo Di Ruzze, o grupo sempre procurou identificar oportunidades no mercado e encaixá-las dentro de seu planejamento estratégico conforme elas aparecem.

“Hoje com 48 anos de história, a BRT nasceu como uma empresa familiar, fundada por Eraldo Palmerini, e seguiu sempre com recursos próprios. Por isso, não trabalhamos aqui com a lógica de grandes projetos que dependam de investimentos imediatos e retorno previamente determinado. A ideia é observar o mercado, identificar oportunidades e avançar de maneira gradual, sem comprometer a solidez financeira construída ao longo das décadas”?

Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

De volta ao DNA original

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Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT
Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

A expansão da operadora também representa, de certa maneira, a retomada de uma atividade que sempre fez parte do DNA do Grupo BRT. Isto porque, bem lá atrás, Eraldo Palmerini acabou se desfazendo da operação para se concentrar apenas na consolidação só que, tempos depois, decidiu retomar a atividade.

Na época, a "nova operadora" precisava nascer com um modelo mais tecnológico e focado no on-line, uma exigência do próprio fundador, mas foi o mercado que acabou puxando a empresa novamente para o modelo de pacotes e produtos turísticos. Com o tempo, a operadora acabou crescendo e acompanhando a expansão da marca BRT, principalmente impulsionada pela consolidação.

Agora, com a escala alcançada pelo Grupo BRT, a direção entendeu que tinha chegado o momento de profissionalizar ainda mais a estrutura específica da unidade. “A escala ficou tão grande que a gente precisava fazer isso”, afirmou Di Ruzze, ao justificar a investida em uma nova diretora.

Mariana chega para acelerar o crescimento

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Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora
Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora

Foi nesse contexto que surgiu a contratação de Mariana Azevedo. Segundo a executiva, ela encontrou uma empresa com marca sólida, profissionais experientes, estrutura operacional estabelecida e investimentos em tecnologia já em andamento. O desafio, agora, é acelerar uma trajetória de crescimento que já vinha sendo construída.

A executiva passou estas primeiras duas semanas fazendo um diagnóstico da companhia. Conversou com profissionais de diferentes áreas e avaliou operação, processos, tecnologia, marketing, estratégia comercial e produtos. “Já percebi uma vontade muito grande de fazer crescer o negócio, de avançar com essa fase de expansão”, afirma Mariana.

“A ideia é realizar uma transformação sem rupturas. E um dos fatores que pesou na minha decisão de aceitar o desafio foi justamente a existência de uma estrutura já montada dentro do Grupo. A BRT conta com áreas de planejamento e dados, processos, Customer Experience e Customer Success (CX/CS) e marketing, além de uma estrutura comercial nacional, o que acaba sendo um diferencial dentro do mercado"

Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora

Novo organograma da BRT Operadora

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Andrea Galletti, gerente de Produtos Internacionais, Fabrício Romero, head de Produtos Nacionais e Internacionais, e Luziane Silva, negociadora de Produtos Nacionais da BRT Operadora
Andrea Galletti, gerente de Produtos Internacionais, Fabrício Romero, head de Produtos Nacionais e Internacionais, e Luziane Silva, negociadora de Produtos Nacionais da BRT Operadora

Com Di Ruzze agora focado no Grupo BRT como um todo e Mariana Azevedo dedicada 100% às operações, a estrutura da BRT Operadora ganha uma nova reorganização. Isso claro, além de Eraldo Palmerini como fundador e presidente e Carlos Vazquez como vice-presidente de Vendas do Grupo BRT.

Confira:

Liderança

  • Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora

Produtos

  • Fabrício Romero, head de Produtos Nacionais e Internacionais
  • Wilson Marques, gerente de Produtos Nacionais
  • Andrea Galletti, gerente de Produtos Internacionais
  • Luziane Silva, negociadora de Produtos Nacionais

Operações e Qualidade

  • André Koloszwa, gerente de Operações e Qualidade
  • Sheila Viana, supervisora de Operações
  • Lucas Masiero, coordenador de Treinamento e Suporte

Gestão Regional

  • Rebecka Colares, gerente de Atendimento Nordeste e Centro-Oeste
  • André Biagioni, gerente de Atendimento Sul, Sudeste e Buenos Aires
  • Robson Correa, gestor de Vendas da Operadora
  • André Soares, executivo de Atendimento às Franquias Parceiras

Divulgação
André Biagioni, Sheila Viana, André Koloszwa, Lucas Masiero, Robson Correa e Rebecka Colares
André Biagioni, Sheila Viana, André Koloszwa, Lucas Masiero, Robson Correa e Rebecka Colares

A estrutura ainda será ampliada. Mariana afirma que uma nova contratação está prevista para São Paulo ainda este ano e que há vagas em aberto na área de produtos. O Grupo BRT conta hoje com cerca de 60 profissionais dedicados à operadora, além de gestores e da estrutura compartilhada do grupo.

Curadoria passa a ser palavra-chave

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Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora<br/>
Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora

Um dos principais pilares do novo momento será a curadoria do portfólio. A BRT já trabalha com uma grande quantidade de fornecedores e produtos, mas a nova estratégia pretende definir com maior clareza quais parceiros e produtos terão prioridade comercial.

Para isso, o Grupo BRT irá lançar o programa de parceiros estratégicos, com o objetivo de selecionar produtos dos maiores parceiros levando em consideração critérios como competitividade, segurança, qualificação, diversificação e capacidade de entrega.

“O desafio é ser uma empresa de portfólio global sem ser inchada, uma vez que a estratégia não é abandonar produtos que já funcionam, mas fortalecer os carros-chefe da operadora e, paralelamente, identificar novos produtos e destinos que possam complementar o portfólio. Além disso, também vamos investir na ampliação da prateleira de bloqueios para produtos com disponibilidade ao longo de 2027”

Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora

Ainda segundo a diretora, a proposta é estabelecer um planejamento anual junto com estes parceiros estratégicos, envolvendo o desenvolvimento de produto, promoção, divulgação e ações comerciais, já que a relação com fornecedores aparece como um dos pontos centrais do novo projeto da operadora.

“É um momento muito importante para nós. Os parceiros estão querendo investir porque estão vendo nossas movimentações”, revelou Mariana.

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Luziane Silva, Fabricio Romero, Marco Aurélio Di Ruzze e Mariana Azevedo, da BRT
Luziane Silva, Fabricio Romero, Marco Aurélio Di Ruzze e Mariana Azevedo, da BRT

Essa relação também se conecta à estratégia comercial mais ampla do Grupo BRT. Juliana Abrantes, por exemplo, que anteriormente ocupava a diretoria comercial, passou a comandar a diretoria de Estratégia Comercial. A função, segundo o VP Marco Aurélio Di Ruzze, atende ao grupo como um todo e não apenas à consolidação ou à operação.

“A lógica é fazer com que a BRT consiga negociar melhor com fornecedores e, ao mesmo tempo, oferecer aos agentes de viagens produtos competitivos. Nossa proposta não é só agregar valor para a agência de viagens, que segue sendo uma prioridade máxima da empresa, mas também agregar valor ao fornecedor”?

Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

Apesar do foco em produtos e destinos prioritários, a estratégia não será nichada. A BRT deixa claro que pretende seguir atuando globalmente, mas trabalhando com uma seleção mais cuidadosa para cada mercado. A proposta é manter um portfólio amplo sem tentar transformar a empresa em especialista em um único nicho.

A missão, segundo o vice-presidente, é portanto facilitar, por meio de recursos humanos, tecnologia e fornecedores selecionados, o acesso das agências de viagens a produtos e serviços turísticos no Brasil e no mundo. É essa lógica que norteia a estratégia: ser uma espécie de “one stop shop” para o agente de viagens, com produtos de diferentes segmentos, mas organizados e selecionados para facilitar a venda.

Sem pressa, mas com meta

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Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT
Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

Apesar da ambição de multiplicar o tamanho da operadora, Marco reforça que a expansão será gradual. A BRT não pretende crescer a qualquer custo e seguirá tomando decisões de acordo com sua capacidade de execução e mantendo a disciplina financeira que, segundo Di Ruzze, marcou a trajetória do grupo.

Mariana também vê a evolução como um processo de melhoria contínua, e não como uma transformação instantânea. Tanto é que o primeiro grande marco já está definido: a convenção de vendas da BRT, em fevereiro de 2027. Até lá, a operadora pretende concluir o planejamento e apresentar à força de vendas e ao mercado o novo pacote de produtos, serviços e estrutura que representa essa nova fase.

“Nosso objetivo é fazer com que a operação alcance o mesmo nível de confiança que a BRT construiu na consolidação, sem perder a característica que é central para o grupo: crescer com estrutura, responsabilidade e capacidade de entregar qualidade ao agente de viagens. A gente vai mostrar para toda a nossa força de vendas e para todo o mercado o que é esse novo momento da BRT Operadora”

Marco Aurélio Di Ruzze, vice-presidente do Grupo BRT

Tecnologia, atendimento consultivo e regionalização

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Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora
Mariana Azevedo, diretora da BRT Operadora

Outro pilar da nova fase será a força comercial. A BRT conta hoje com quase 60 executivos espalhados pelo Brasil, além de gestores regionais. A companhia também abriu recentemente uma operação em Campinas (SP), como vimos no Portal PANROTAS, e pretende continuar avaliando novas oportunidades de expansão.

Para Mariana, essa distribuição geográfica é uma das grandes vantagens da BRT. São 28 pontos comerciais e 18 escritórios espalhados pelo País, e a intenção é seguir usando essa presença para adaptar a oferta às necessidades de cada mercado. “Cada mercado tem uma realidade, tem uma necessidade”, frisou ela.

A regionalização, portanto, vai além da geografia. A empresa pretende avaliar quais produtos fazem mais sentido para cada origem e segmento de agência, além de também reforçar o atendimento consultivo. É combinar tecnologia com acesso direto a profissionais experientes em todo o território nacional, capazes de ajudar o agente de viagens a montar desde produtos já estruturados até viagens sob medida.

E isso passa claro pela combinação entre tecnologia e atendimento personalizado. Neste caso, ela lembrou que o Grupo BRT como um todo já havia iniciado um movimento de fortalecimento de sistemas e tecnologia e que a operadora agora precisa oferecer uma solução única ao agente, sem perder a possibilidade de atendimento individual.

A ideia é que o profissional tenha acesso ao sistema, mas também saiba quem procurar quando precisar de orientação. “Ele tem para quem ligar e pedir tudo que ele quer, da forma como ele quer”, finaliza Mariana, ao também destacar que a experiência dos consultores é colocada como um diferencial no atendimento.

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Pedro Menezes

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.